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Hackers: thriller cibernético com Angelina Jolie entra na Netflix e confirma que alguns filmes só fazem sentido com o tempo

Poucos filmes abraçaram com tanta convicção a fantasia digital dos anos 90 quanto “Hackers: Piratas de Computador”, um híbrido de thriller teen e ficção tecnológica lançado em 1995, produzido nos Estados Unidos e hoje disponível na Netflix. A narrativa acompanha Dade (Jonny Lee Miller), marcado desde cedo por um crime cibernético, que tenta recomeçar a vida em uma nova escola. Lá conhece Kate (Angelina Jolie), igualmente envolvida no submundo digital, e um grupo de jovens hackers que vive da adrenalina de invadir sistemas, driblar autoridades e testar limites com a mesma naturalidade com que outros adolescentes enfrentam provas de álgebra. Esse cenário se complica quando um especialista em segurança, interpretado por Fisher Stevens, orquestra um golpe milionário e tenta encobrir tudo com um vírus capaz de afundar petroleiros. O enredo não disfarça sua estrutura de aventura juvenil, mas funciona como retrato de um imaginário tecnológico que fervilhava antes do século virar.

Por que esse delírio tecnicolor volta ao radar

A redescoberta recente tem explicação simples: o filme entrou para o catálogo da plataforma com força, despertando um misto de nostalgia e espanto para quem nunca tinha ouvido falar desse universo tão exagerado quanto carismático. Não deixa de ser curioso notar que, apesar de sua estética datada, o longa ainda desperta interesse justamente por sua ousadia. De certo modo, ele captura o momento em que o medo do desconhecido digital se misturava ao fascínio adolescente por liberdade e transgressão. E talvez seja esse paradoxo que o mantém vivo.

Assistir novamente assim que o título apareceu na Netflix me fez revisitar uma sensação peculiar: aquele impulso de descobrir como o cinema de três décadas atrás imaginava um futuro tecnológico turbulento, mas também ligeiramente romântico. O que mais impressiona não é a precisão das ideias, e sim a confiança absoluta de que o mundo digital poderia ser traduzido por ruas neon, movimentos de câmera hiperativos e computadores que funcionam como passarelas de moda improvisadas. Não é perfeito, mas há algo ali que se descola dos thrillers convencionais: uma disposição quase insolente de abraçar o exagero como escolha estética.

Um caos deliciosamente consciente de si

Apesar das atuações infladas e da narrativa que se apoia em coincidências generosas, o filme encontra força no carisma da dupla de protagonistas. Jonny Lee Miller faz de Dade um anti-herói seguro de si, enquanto Angelina Jolie, ainda no início da carreira, domina a tela com uma postura desafiadora e um magnetismo que atravessa o tempo. O grupo de hackers que os acompanha funciona como coro cômico e afetivo, cada um carregando uma excentricidade quase cartunesca. Matthew Lillard, como Cereal Killer, exagera no tom, mas não foge ao espírito do longa, que sempre parece brincar com sua própria artificialidade.

O vilão vivido por Fisher Stevens é quase um desenho animado: vaidoso, teatral, cercado por brinquedos tecnológicos que reforçam sua desconexão moral. E é justamente essa liberdade narrativa que torna o filme curioso até hoje. O clímax, com seus comandos digitados em velocidade impossível e visualizações digitais delirantes, sintetiza o espírito do filme: nada ali pretende ser realista, mas tudo busca ser excitante. No final, o que permanece é essa combinação improvável de humor involuntário, charme juvenil e um retrato exuberante de uma época em que a internet era promessa, perigo e fantasia ao mesmo tempo.

Filme:
Hackers: Piratas de Computador

Diretor:

Iain Softley

Ano:
1995

Gênero:
Crime/Drama/Romance/Suspense/Thriller

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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