As ações do Grupo Mateus (GMAT3) fecharam em forte queda nesta sessão de quinta-feira (19), após a divulgação de resultados fracos no quarto trimestre e perspectivas ainda desafiadoras para o primeiro semestre de 2026. As ações do varejista caíram 14,43%, cotadas a R$ 4,15.
O Itaú BBA disse que o Grupo Mateus reportou um trimestre fraco, refletindo a desaceleração da inflação de alimentos e consumo mais fraco no Nordeste. A queda 5,5% no SSS (vendas em mesmas lojas) na operação de atacarejo foi o principal fator por trás da frustração de receita, evidenciando pressão de volumes em um ambiente de consumo mais desafiador.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado (pré-IFRS 16) somou R$ 508 milhões, queda de 6% na base anual e 27% abaixo das projeções do Itaú BBA, com margem de 4,8%, retração de 140 pontos-base em um ano e 160 pontos-base abaixo do esperado. O lucro líquido ajustado totalizou R$ 260 milhões, recuo de 18% na comparação anual e 38% abaixo das estimativas.
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Diante da expectativa de que a dinâmica de inflação de alimentos no primeiro semestre de 2026 siga desafiadora, o BBA não projeta melhora relevante no período em termos de SSS ou margens Ebitda na base anual, o que pode levar a novas revisões para baixo nas estimativas.
Por outro lado, o fluxo de caixa livre (FCF) aparece como ponto positivo. O Grupo Mateus gerou R$ 525 milhões em FCF no quarto trimestre, com a dívida líquida atingindo R$ 1,06 bilhão e alavancagem de 0,4 vez. O capital de giro melhorou em cinco dias na comparação trimestral, impulsionado principalmente por fornecedores, com evolução semelhante à observada no 4T24.
Apesar desse cenário, o Itaú BBA reiterou classificação equivalente à compra e preço-alvo de R$ 9.
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O BTG Pactual considera fraco o resultado fracos no 4T, abaixo de estimativas já conservadoras, com comparabilidade afetada pela consolidação do Novo Atacarejo, em meio a demanda fraca e pressão de margem por maiores despesas com vendas, gerais e administrativas.
As vendas brutas cresceram 22% na base anual, para R$12 bilhões, explicadas integralmente pela incorporação do Novo, enquanto as vendas mesmas lojas consolidadas caíram 1% na comparação anual, com retração em atacarejo de vizinhança e supermercados e alta em Eletro, além de bom desempenho do atacado.
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O BTG manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 9.
Na mesma linha que BTG e BBA, a XP avalia que o Grupo Mateus reportou resultados fracos e difíceis de comparar no 4T, com a receita vindo abaixo das estimativas diante de uma dinâmica de vendas nas mesmas lojas (SSS) mais fraca do que o esperado em todos os formatos, enquanto as margens também foram mais fracas por desalavancagem operacional e investimentos em novos formatos.
A XP avalia que a falta de visibilidade sobre a operação Novo Standalone (estrutura segregada após reorganização societária) dificulta as comparações na base anual. Além disso, ao analisar os comentários do auditor independente, a casa destaca a inclusão de uma nota sobre fornecedores, apontando divergências entre o saldo contábil e os controles de acordos comerciais, atualmente em revisão, mas sem expectativa de impacto relevante nas demonstrações financeiras.
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Segundo a XP, esse fator, somado a resultados operacionais mais fracos, tende a reforçar uma visão mais cautelosa sobre a companhia. O cenário é agravado por pressões de volume decorrentes de crédito ao consumidor mais restrito, deflação de alimentos e um ambiente macroeconômico desafiador, ou seja, condições amplas da economia como juros elevados e renda pressionada, que devem persistir ao longo de 2026.

