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Greve contra reforma trabalhista teve adesão significativa, diz sindicato

Greve contra reforma trabalhista teve adesão significativa, diz sindicato

A greve geral desta quinta-feira na Argentina contra a reforma trabalhista impulsionada pelo presidente Javier Milei teve um nível de participação “muito significativo”, que a central sindical CGT estimou em 90%, afirmou um de seus líderes, Jorge Sola.

A reforma, que inclui uma redução de indenizações, a extensão da jornada de trabalho para 12 horas e a limitação do direito de greve, também mobilizou milhares de pessoas nas imediações do Congresso, onde a Câmara dos Deputados debate a legislação em uma sessão que se estima que pode entrar pela madrugada.

— Esta greve teve uma adesão enorme, com mais de 90% da atividade paralisada— disse Sola, secretário-geral do Sindicato do Seguro, em coletiva de imprensa.

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A greve, com a participação crucial do transporte público, também paralisou os bancos, e repercutiu na atividade comercial e produtiva. Até as atividades esportivas foram suspensas, como os jogos da Liga Profissional de Futebol, embora alguns setores específicos e trabalhadores autônomos tenham mantido suas atividades normalmente. Ao todo, 13 sindicatos aderiram ao movimento.

No Brasil, ao menos 62 voos suspensos

Um dos setores mais impactados pela paralisação foi o de aviação. A Aerolíneas Argentinas informou que mais de 31 mil passageiros serão afetados pelo cancelamento de 255 voos. A medida terá um impacto econômico estimado em US$ 3 milhões, disse a companhia.

No Brasil, ao menos 62 voos foram suspensos, entre chegadas e partidas, nos aeroportos de Galeão e de Guarulhos. No terminal paulistano, o impacto teve início na quarta-feira, com o registro de 12 cancelamentos de voos que pousariam na Argentina após o início da greve geral. Nesta quinta-feira, outros 15 voos foram suspensos, segundo a GRU Airport, concessionária que administra o aeroporto.

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— Acho difícil chamar de modernização algo que nos faça retroceder 100 anos. Nunca será modernização se regredirmos em tudo o que conquistamos em direitos individuais e coletivos — disse Sola.

O dirigente atribuiu a adesão à greve a “um rompimento do tecido social e produtivo”.

Mais cedo, e em declarações à emissora Radio con Vos, Sola considerou que, devido à magnitude da adesão, esta greve foi a maior das quatro que a CGT realizou nos dois anos de governo de Milei.

A medida de força tem “níveis de participação nunca antes vistos neste governo”, disse o dirigente sindical.

— Muitos vão discordar, mas o apoio é impressionante, muito significativo — acrescentou.

Sola alertou que, se a reforma for aprovada na Câmara dos Deputados e, após retornar ao Senado, for transformada em lei, o conflito se intensificará.

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— As medidas de força continuarão aumentando porque este projeto de lei não inclui nenhuma disposição para o fortalecimento progressivo dos direitos dos trabalhadores— afirmou. — A formalização dos trabalhadores informais não vai acontecer, e isso será uma ferramenta usada para transferir uma enorme quantidade de recursos dos trabalhadores para os empregadores— acrescentou.

O Governo minimizou o impacto da greve e fez acusações contra os sindicalistas.

— A greve é bastante perversa, porque se cortam seu meio de transporte, por mais vontade que você tenha de trabalhar, não pode fazê-lo. Não há nada mais extorsivo e contrário à liberdade do que o que estão fazendo os sindicalistas. Por isso as pessoas os odeiam; têm 80% de imagem negativa, e como não teriam essa imagem se a única coisa que fazem é complicar a vida do trabalhador? — disse o chefe de Gabinete de Milei, Manuel Adorni.

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Segundo o sindicato, o projeto de reforma vai retirar US$ 6 bilhões anuais do salário diferido dos trabalhadores para o setor financeiro.

— Nestas 12 mobilizações e quatro greves gerais fomos consequentes e responsáveis para manter a paz social, diante da negativa de diálogo— destacou Sola.

A greve foi iniciada em meio à crescente agitação social e um dia após o fechamento de uma importante fábrica de pneus, que resultou na demissão de 900 trabalhadores.

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Desde que Milei assumiu o cargo em dezembro de 2023, cerca de 300 mil empregos foram perdidos e aproximadamente 21 mil empresas fecharam, segundo fontes sindicais, que denunciam a pressa oficial para aprovar a reforma trabalhista antes da abertura das sessões ordinárias do Congresso, que será liderada por Milei no dia 1º de março.

Choques entre policiais e manifestantes

A polícia e os manifestantes entraram em confronto em Buenos Aires. Os incidentes envolveram várias dezenas de pessoas em uma manifestação nos arredores do Congresso, que havia começado ao meio-dia de forma pacífica e da qual participaram milhares de manifestantes convocados por sindicatos e partidos de esquerda.

A maioria dos manifestantes já havia se retirado do local quando garrafas e pedras foram lançadas contra o cordão policial, situado atrás de cercas metálicas que bloqueavam o acesso à sede do Legislativo.

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As forças de segurança responderam com canhões de água e gás lacrimogêneo.

Após os incidentes, relativamente breves, dezenas de manifestantes e fileiras de policiais, entre eles agentes motorizados, permaneciam à distância no final da tarde.

Enquanto isso, a Câmara dos Deputados debatia o projeto de reforma trabalhista, em uma sessão maratônica que deve se prolongar até altas horas da noite. A iniciativa já foi aprovada no Senado.

Na semana passada, uma manifestação contra a reforma deu origem a confrontos violentos, com lançamento de pedras e coquetéis molotov contra balas de borracha e gás lacrimogêneo. Cerca de trinta pessoas foram detidas.

Milei estava fora do país

O presidente não estava no país durante a greve. Ele participou, em Washington, do Conselho da Paz lançado por Donald Trump. Paralelamente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) apoiou a reforma trabalhista, embora tenha pedido para “mitigar os custos de transição”, referindo-se aos impactos na economia doméstica da abertura das importações.



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