O governo federal autorizou nesta quinta-feira um mecanismo que permite às companhias aéreas comprar querosene de aviação com garantia do Fundo de Garantia às Exportações. A decisão, tomada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, deve reduzir o custo do combustível utilizado pelas empresas e chega em um momento decisivo para a Azul, que tenta concluir seu plano de recuperação judicial nos Estados Unidos. O acesso a até R$ 2 bilhões em operações seguradas funciona, segundo fontes envolvidas, como “um respiro imediato de caixa”, com efeito prático de capital de giro.
A medida, que estava listada discretamente na pauta do comitê, sob o item “outros assuntos”, cria um novo produto de crédito interno voltado à aviação civil e à transição energética. Integrantes do setor afirmam que a inclusão surpreendeu porque não passou por um debate amplo entre as aéreas. “Foi uma demanda específica”, dizem interlocutores, destacando que Gol, Latam e a própria Abear não participaram das discussões.
O Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações já havia dado o primeiro sinal verde em maio, abrindo caminho para a aprovação final. Na prática, o mecanismo deve reforçar o discurso da Azul perante o tribunal americano, que analisa a homologação do plano de reestruturação. A possibilidade de adquirir combustível mais barato aumenta a previsibilidade de caixa da companhia, ponto sensível para credores.
Fontes ligadas ao processo afirmam que a medida melhora a percepção de solvência da empresa. A Azul disse que vai se manifestar em breve.
*Com informação da colunista Roseann Kennedy do Estadão
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