A Gol Linhas Aéreas teve sua iniciativa inédita de compensação de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) reconhecida em Brasília e selecionada entre os 48 cases empresariais que serão premiados durante a COP30, em Belém (PA), no evento global sobre mudanças climáticas. O projeto, que utiliza o modelo Book & Claim, foi um marco para a aviação brasileira ao permitir a compensação de SAF de forma rastreável e sustentável, mesmo sem a disponibilidade física do combustível no país.
O reconhecimento foi anunciado durante o evento “Pré-COP30: O Papel do Setor Privado na Agenda do Clima”, realizado na quarta-feira (15) pela SB COP – Sustainable Business COP30, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A SB COP é um movimento empresarial que atua antes e durante a COP30, reunindo iniciativas do setor privado com soluções concretas para o enfrentamento das mudanças climáticas. Ao todo, 670 projetos foram avaliados, e 48 deles serão premiados em 12 de novembro, durante os “Diálogos Empresariais”, em Belém.
A COP30 acontecerá entre 10 e 21 de novembro de 2025 e tem como objetivo avançar na implementação do Acordo de Paris, que busca limitar o aquecimento global a menos de 2°C, com esforços para mantê-lo abaixo de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais.
O projeto piloto de compensação de SAF da Gol foi realizado em junho de 2024, de forma inédita no Brasil, em parceria com a SkyNRG — empresa holandesa referência mundial em combustível sustentável de aviação. A ação fez parte do Project Runway, iniciativa que apoiou a redução de 180 toneladas de emissões de CO₂ por meio de créditos de SAF.
Com o modelo Book & Claim, a Gol pôde compensar emissões no Brasil a partir do uso de SAF em aeroportos europeus, garantindo rastreabilidade e autenticidade no processo. O sistema funciona como uma espécie de “reserva e reembolso” de créditos de carbono, que assegura os benefícios ambientais mesmo em locais onde o SAF físico ainda não está disponível.
“Estamos honrados com o reconhecimento dessa iniciativa pioneira e com o prêmio a ser anunciado durante a COP30. Demonstramos como o método de reserva de SAF e reembolso em forma de créditos de carbono poderia funcionar para o Brasil, contribuindo para a evolução do tema no país”, afirmou Eduardo Calderon, diretor de Centro de Controle Operacional (CCO) e Engenharia da Gol.
Além de comprovar a viabilidade do modelo, o piloto também trouxe à tona um debate essencial para o setor aéreo: o impacto do custo do SAF no preço das passagens. Mesmo com uma grande corporação internacional dividindo os custos, o valor do combustível ficou o dobro do preço do querosene de aviação (QAV).
“Esse projeto de compensação de SAF também corrobora para a construção colaborativa de medidas que apoiem passageiros e companhias, um tema tão necessário quanto urgente para garantir que a conectividade não seja afetada”, completou Calderon.
Responsável por cerca de 2,5% das emissões globais de CO₂, a aviação busca soluções concretas para descarbonizar suas operações. Desde 2016, com o lançamento do programa CORSIA (Sistema de Compensação e Redução de Carbono para a Aviação Internacional), medidas vêm sendo implementadas pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) para reduzir as emissões do setor.
O SAF é um dos principais pilares dessa estratégia, e o Brasil tem potencial para se tornar um protagonista na produção e exportação desse combustível, dada sua abundância de biomassa e capacidade de inovação. A Gol e o Grupo ABRA, holding da qual a companhia faz parte, reforçam o compromisso com um SAF verdadeiramente sustentável — ambientalmente responsável, economicamente viável e capaz de fortalecer a conectividade aérea nacional.
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