CEO da Gol Linhas Aéreas disse que setor aéreo brasileiro pode absorver a alta do combustível no curto prazo
Durante o evento do anúncio do novo hub intercontinental da Gol Linhas Aéreas no Rio de Janeiro, ontem (12), Celso Ferrer, CEO da companhia aérea, disse que o setor aéreo brasileiro possui instrumentos financeiros e operacionais para enfrentar oscilações no preço do petróleo decorrentes das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Segundo o executivo à agência Reuters, parte do aumento de custos com combustível deve ser repassada ao preço das passagens aéreas, embora as companhias tenham mecanismos para absorver parte da pressão no curto prazo. A declaração foi feita em meio à recente elevação no preço do querosene de aviação no país.
Pressão do combustível na aviação
O aumento do custo do combustível ocorre após a Petrobras anunciar, no início de março, reajuste de 9,4% no preço do querosene de aviação (QAV). A alta está associada à valorização do barril de petróleo no mercado internacional, influenciada pelas tensões entre Estados Unidos e Irã.
De acordo com Ferrer, companhias aéreas costumam operar com algum nível de tolerância para absorver choques temporários de custos, embora a volatilidade do mercado energético seja um fator permanente na estrutura de despesas do setor.
O executivo acrescentou que ajustes tarifários fazem parte da dinâmica econômica da aviação comercial quando há pressão significativa sobre os custos operacionais.
Estratégia internacional mantida
Segundo o executivo, a elevação no preço do combustível não altera o planejamento estratégico de expansão internacional da companhia. “Isso não se confunde com nosso plano de longo prazo”, disse Celso Ferrer ao comentar o impacto conjuntural da alta do combustível.
Combustível mais caro que a média
Um estudo divulgado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em agosto de 2025, mostrou que o querosene de aviação, responsável por 99% do consumo da aviação comercial no Brasil, representa 36% dos custos operacionais das companhias aéreas no país — patamar superior à média global de 31%.
De acordo com a pesquisa, o valor do QAv é fortemente influenciado por fatores externos como o preço do petróleo, a taxa de câmbio e a concorrência com o óleo diesel dentro das refinarias. Além disso, a estrutura concentrada da indústria nacional e gargalos logísticos contribuem para o aumento dos preços.

