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Geese: O grupo do momento está para brincadeira

“Criiiiiiinge!”, exclama, como uma adolescente, a guitarrista Emily Green quando perguntada por que “A beautiful memory” (2018), primeiro álbum de sua banda — o Geese, grande sensação do rock do ano passado, dada a excelente repercussão de seu quarto álbum, “Getting killed” —, foi retirado por eles mesmos das plataformas de música.


— A gente só acha que poderia ter feito melhor, só isso — desculpa-se o baixista Dominic DiGesu, em meio às gargalhadas que marcaram a entrevista por Zoom com esse grupo nova-iorquino, elogiado por nomes insuspeitos do rock, de Patti Smith a Nick Cave e Adam Clayton (baixista do U2), e que começou dez anos atrás, ainda no colégio, quando todos eram garotos de 13, 14 anos de idade.




— Aqueles foram os nossos anos dourados, depois disso tudo foi um inferno! — ironiza Max Bassin, baterista do Geese e integrante mais falante na entrevista.


O Zoom foi feito sem a presença de Cameron Winter (vocais, guitarra e teclado), figura de frente da banda, cuja carreira solo (em 2024, ele lançou o álbum “Heavy metal”) ajudou a chamar a atenção para “Getting killed”.


— É por isso que fazemos essas entrevistas assim (sem Cameron). É muito divertido! — diz Max, em sua melhor encenação de John Lennon nas caóticas entrevistas dos Beatles. — Ele é muito chato, sabe? Ele está preso à mesmice. E é péssimo em entrevistas.


Integrante no C6 Fest

O Geese parece não ter problemas com que Cameron siga sua carreira solo paralelamente à banda (em maio, por sinal, ele vem a São Paulo para o C6 Fest).


— É bom porque ele fica com todas as músicas que a gente não quer. Então, é fácil. Você pode dizer: “Cam, sabe, talvez seja melhor guardar essa para a sua carreira solo.” E ele responde: “Tudo bem” — explica Max.


E Emily (que ao longo dos últimos anos veio passando por uma transição de gênero) acrescenta:


— Quando tivermos assuntos de negócios para tratar, ele aparecerá!


Diante da pergunta inevitável — como é ser a banda de rock mais cool do momento? —, o trio reage com um muxoxo coletivo.


— É muito estranho. Estávamos justamente falando sobre como nossas vidas seguem da mesma maneira. A única diferença é que fazemos muito mais shows para muito mais pessoas — responde Dominic.


E para aqueles que os apontam como os salvadores do rock? Aí eles levam as mãos ao rosto, com vergonha alheia.


— Para começo de conversa, tenho dificuldade em aceitar a ideia de que o rock precisa ser salvo — diz Max Bassin. — Me parece que essa narrativa existe desde os anos 1980 ou algo assim. E toda banda que surge como salvadora do rock’n’roll, todo mundo acaba meio que se esquecendo dela. Então, a única parte do rock’n’roll que precisa ser salva é a percepção que as pessoas têm do rock’n’roll, isso é o que prejudica uns 90% da música rock que existe.


Outro assunto bastante recorrente é o da enigmática capa de “Getting killed”, com a foto de uma figura ofuscada pelo Sol, que parece ser a de um anjo segurando ao mesmo tempo um trompete e uma arma (apontada para quem vê a capa).


— Algumas pessoas acham que parece um peixe segurando um trompete. Eu nunca vi isso, mas é bem engraçado — diverte-se Emily Green. — E muita gente nem percebe que tem um revólver ali!


Hoje, a vida do Geese é vivida, basicamente, entre um e outro festival de música pelo mundo. Mas será que eles curtem isso? Max tem suas objeções.


— Existem muitos festivais que adoramos e muitos outros de que não gostamos. Não é por causa do show em si, nem nada. É mais pela forma como alguns festivais são organizados. Alguns são muito mais… estruturados. Outros, nem tanto. Mas todos são divertidos. O público é sempre animado — diz ele, sem uma certeza ainda de quando o Geese vem tocar no Brasil. — Em breve, infelizmente não este ano, mas acho que no próximo. O Cam vai antes, iremos assim que pudermos!


Censurado

O som pouco convencional (mas fácil de se gostar) do Geese sempre foi muito identificado com o de bandas britânicas dos anos 2020, como Black Midi e Squid, e não tanto quanto as das clássicas bandas de Nova York, como o Television e os Strokes (a última grande sensação rock da cidade, que lançou seu mítico LP de estreia, “Is this it”, em 2001 — ou seja, pouco antes de os integrantes do Geese começarem a nascer).


— Somos de Nova York, acho que isso sempre vai influenciar a música, acho que a cidade é parte da nossa essência, mas nós ouvíamos muitas dessas bandas britânicas. Então, pelo menos no início, nossa identidade foi bastante centrada nelas — admite Max, que foi censurado pela ITV, a rede britânica de televisão, quando pediu a libertação da Palestina e xingou o ICE (polícia de imigração dos EUA) ao receber, em fevereiro, o Brit Awards de melhor banda internacional. — As únicas pessoas que não gostaram disso foram… a ITV, os bastardos e os puxa-sacos. O pessoal do Brit Awards repostou (o seu discurso) no Instagram, então parece que eles acharam legal.

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Fonte

Redação

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