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Gabriel Byrne e Thomas Jane se unem para entregar faroeste imperdível no Prime Video

O título “Assassinato em Yellowstone“ sugere um enigma de grandeza quase geológica, mas o que se desenrola na tela é um esforço contido, interessado antes em seguir uma tradição do que em reinventá-la. A premissa é simples: um crime cometido em território hostil desencadeia uma sucessão de perseguições e pactos provisórios que lembram a moral fraturada dos melhores faroestes. O espectador acompanha Ethan Blake (Thomas Jane), um homem que carrega mais cicatrizes morais do que físicas, obrigado a lidar com a brutalidade crescente de um conflito que ele próprio tenta evitar. Seu antagonista mais evidente é Monte Dawson (Scott Adkins), cuja obstinação o empurra para decisões que ultrapassam qualquer traço de prudência. O roteiro não esconde suas ambições modestas, mas se apoia na tensão constante entre esses personagens para construir uma narrativa que se sustenta sem pressa.

O cenário, apesar de visualmente amplo, não possui a aspereza marcada dos clássicos do gênero. As construções parecem recém-erguidas, contrariando a promessa de poeira acumulada que acompanha esse tipo de história. Essa artificialidade reduz parte do impacto dramático, especialmente nas sequências em que a decadência material deveria refletir o desgaste moral dos envolvidos. Ainda assim, a fotografia de Brad Shield tenta recuperar essa falta de rugosidade com composições que reforçam o isolamento dos personagens. A sensação de deslocamento é clara: homens habituados à violência, mas confrontados com um território que parece limpo demais para absorver seus atos.

A narrativa se estrutura em trajetórias paralelas que convergem sempre que necessário, embora nem sempre com naturalidade. Os tiroteios seguem a lógica conhecida do gênero: munição interminável, acertos improváveis e sobrevivências que desafiam qualquer noção realista. Esse excesso, porém, não compromete totalmente a experiência. A trama insiste em sugerir que, por trás da violência repetida, existe um comentário mais amplo sobre a maneira como grupos distintos lidam com a ordem, a autoridade e o julgamento alheio. O texto não aprofunda essas questões, mas elas aparecem o suficiente para que o espectador perceba uma ambição contida.

Os personagens secundários funcionam como extensões do conflito central. Violet Hawthorne (Anna Camp), marcada por uma mistura de coragem e resignação, atravessa o enredo como uma figura que tenta preservar algum senso de convivência possível, mesmo quando a violência se intensifica. Já o jovem Jimmy Ambrose Jr. (Nat Wolff) representa o impulso de sobrevivência que ignora qualquer reflexão moral, servindo como contraste para Ethan, que tenta, sem grande êxito, estabelecer limites. Essas dinâmicas sustentam parte do interesse, mesmo quando o roteiro se acomoda em soluções previsíveis.

A conclusão segue a coerência interna do filme: brusca, funcional e sem pretensão de transcendência. O desfecho não busca criar impacto duradouro, mas reafirma a lógica que estruturou toda a história, na qual escolhas imediatas valem mais do que qualquer transformação profunda. Nesse sentido, “Assassinato em Yellowstone“ não se destaca como um marco do gênero, mas tampouco se dilui entre produções frágeis que tentam apenas replicar modelos antigos. Sua força está em reconhecer seus limites e, dentro deles, entregar um faroeste competente, consciente de que, mesmo com falhas, ainda existe espaço para narrativas que exploram a colisão entre justiça, vingança e sobrevivência.

Filme:
Assassinato em Yellowstone

Diretor:

Richard Gray

Ano:
2022

Gênero:
Crime/Drama/Faroeste/Suspense

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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