Em um cenário empresarial cada vez mais orientado por eficiência e inteligência nas relações comerciais, a permuta multilateral vem ganhando espaço como uma estratégia capaz de ampliar mercados e preservar o fluxo de caixa das empresas. À frente desse movimento está o Clube de Permuta, rede que conecta companhias em um sistema estruturado de trocas por meio de créditos corporativos.
Nesta entrevista ao Diário do Turismo, o fundador Leonardo Bortoletto explica como funciona o modelo de negócios da plataforma, os mecanismos que garantem equilíbrio entre oferta e demanda, além da importância de fortalecer economias locais por meio de redes empresariais baseadas em confiança, gestão estratégica e colaboração entre associados.
DIÁRIO — Qual é o grande diferencial da permuta multilateral em relação à
bilateral?
A permuta bilateral é a forma mais simples de troca: duas empresas negociam
diretamente entre si, trocando produtos ou serviços de valor equivalente. Já a
permuta multilateral evolui esse conceito ao criar uma rede estruturada de
empresas, onde cada participante pode vender para qualquer membro da rede e
utilizar o crédito gerado para comprar de qualquer outro participante.
Isso elimina a necessidade de coincidência direta de interesses entre duas
empresas. A empresa vende quando surge a oportunidade e utiliza o crédito
quando precisa. Na prática, esse modelo traz mais liquidez nas trocas, amplia o
mercado comprador e ajuda a preservar o caixa das empresas. É uma forma de
transformar parte da capacidade ociosa do negócio em uma moeda de troca
dentro de uma economia organizada entre empresas.

DIÁRIO — Como o Clube garante equilíbrio entre oferta e demanda dentro de
cada unidade?
O equilíbrio é uma das bases do modelo de operação. Cada unidade do Clube de
Permuta funciona como um ecossistema empresarial cuidadosamente
estruturado, onde buscamos diversidade de segmentos e evitamos excesso de
empresas concorrentes dentro da mesma área de atuação.
Além disso, existe uma gestão ativa das contas dos associados, acompanhando o
comportamento de compra e venda para estimular equilíbrio entre geração e
utilização de créditos. Outro ponto importante é a expansão direcionada da rede.
Novas empresas são convidadas a participar justamente com base nas demandas
existentes dentro da própria rede. Isso permite que o sistema cresça de forma
saudável e com equilíbrio entre oferta e demanda.
DIÁRIO — O que assegura a credibilidade e o valor real dos créditos gerados
na plataforma?
Os créditos dentro da plataforma representam valor econômico real porque são
lastreados nos próprios produtos e serviços oferecidos pelas empresas
participantes. As transações são realizadas com base em preços de mercado,
registradas em sistema e acompanhadas pelas unidades da rede.
Além disso, as empresas passam por um processo de avaliação antes de
ingressarem na plataforma, o que ajuda a garantir a qualidade dos participantes.
As operações também seguem as normas fiscais vigentes, mantendo um
ambiente empresarial formal e seguro. Dessa forma, os créditos funcionam como
uma moeda corporativa de circulação controlada dentro da rede, sustentada pela
produção real das empresas que participam do sistema.
DIÁRIO — Por que o Clube opta por fortalecer apenas a economia local, sem
trocas entre cidades?
O modelo foi desenvolvido com foco no fortalecimento dos ecossistemas
empresariais locais. Quando as trocas acontecem dentro da mesma cidade ou
região, as relações comerciais se tornam mais próximas, o nível de confiança
entre os empresários aumenta e as oportunidades de negócios tendem a se
repetir ao longo do tempo.
Outro ponto importante é que o impacto econômico permanece dentro da própria
comunidade empresarial. Além disso, operar localmente facilita questões
logísticas, prestação de serviços e o próprio relacionamento entre os associados.
O objetivo do modelo não é apenas gerar transações, mas construir redes de
negócios sólidas e sustentáveis em cada mercado.
DIÁRIO — Qual é o principal critério para aprovar uma empresa como
associada?
O principal critério é que a empresa seja indicada por alguém que já faz parte da
rede. O Clube de Permuta cresce muito mais por confiança e relacionamento do
que por prospecção aberta. A indicação funciona como um primeiro filtro de
reputação empresarial.
A partir dessa indicação, avaliamos o histórico da empresa, a qualidade dos
produtos ou serviços oferecidos e a capacidade de gerar valor dentro da rede.
Também buscamos empresas que compreendam a lógica de colaboração e que
tenham oferta consistente para participar do ecossistema.
Nosso objetivo não é simplesmente aumentar o número de associados, mas
manter uma rede empresarial saudável, baseada em confiança, onde cada nova
empresa realmente contribua para ampliar as oportunidades de negócios para
todos.

DIÁRIO — Hoje, o foco do crescimento está mais na expansão geográfica ou
no aprimoramento do modelo?
As duas frentes caminham juntas. Ao longo dos últimos anos tivemos uma
expansão importante da rede, com novas unidades e crescimento significativo no
número de empresas participantes.
Ao mesmo tempo, investimos constantemente no aprimoramento do modelo,
principalmente em tecnologia da plataforma, inteligência de gestão das redes
locais e capacitação das unidades franqueadas. Hoje o Clube de Permuta reúne
mais de duas mil empresas associadas e já movimentou mais de meio bilhão de
reais em transações. Esse crescimento é conduzido sempre com foco na
sustentabilidade do modelo e no equilíbrio econômico da rede.
DIÁRIO — Quais foram as principais decisões ou reflexões deste encontro do
Clube de Permuta ocorrido em Recife agora em fevereiro?
Os encontros nacionais do Clube de Permuta são momentos importantes de
alinhamento estratégico entre as unidades da rede. O encontro realizado em
Recife foi uma oportunidade de discutir o fortalecimento da cultura da rede, a
evolução tecnológica da plataforma e os próximos passos do crescimento
estruturado do sistema.
Também foram debatidas práticas de gestão das unidades e formas de ampliar
ainda mais as oportunidades de negócios entre os associados. Mais do que
decisões pontuais, esses encontros permitem uma reflexão conjunta sobre como
continuar aprimorando o modelo e fortalecendo uma forma diferente de fazer
negócios entre empresas.
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