França autoriza a construção do porta-aviões nuclear PANG, sucessor do Charles de Gaulle
O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou no último domingo (21), que autorizou a construção de um porta-aviões de última geração que sucederá o Charles de Gaulle. O novo navio faz parte do planejamento de longo prazo das Forças Armadas e representa um marco político para um projeto em desenvolvimento há vários anos, cujos primeiros detalhes públicos foram apresentados em 2023.
O anúncio foi feito durante visita de Macron às forças francesas destacadas em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.
Contexto estratégico
A decisão ocorre em um cenário de crescentes preocupações com a segurança internacional, com líderes militares franceses alertando para a necessidade de preparação para conflitos de alta intensidade nos próximos anos.
Nesse contexto, o novo porta-aviões é concebido como um pilar de longo prazo da projeção de poder e da autonomia marítima francesa, refletindo tanto demandas de segurança europeias quanto a proteção dos interesses ultramarinos do país.
A França mantém uma das maiores zonas econômicas exclusivas (ZEE) do mundo, distribuída pelos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico.
Características gerais
Designado Porte-Avions Nouvelle Génération (Porta-Aviões de Nova Geração, na tradução literal), o futuro navio terá mais de 80.000 toneladas e aproximadamente 310 metros de comprimento. Os números são substancialmente maiores que o atual Charles de Gaulle, que tem um deslocamento de 42.500 toneladas e 261,5 metros de comprimento.
O novo porta-aviões deverá operar um grupo aéreo embarcado com cerca de trinta aviões de combate, além de helicópteros e sistemas não tripulados, com uma tripulação estimada em 2.000 militares.
Aviação embarcada e sistemas de lançamento
Assim como seu antecessor, o PANG será movido por propulsão nuclear, mantendo a França como o único país além dos Estados Unidos a operar um porta-aviões nuclear. A principal diferença tecnológica será a adoção de catapultas eletromagnéticas Emals, de origem norte-americana, em substituição aos sistemas a vapor.
A solução permitirá o lançamento de aeronaves mais pesadas e de maior diversidade, incluindo plataformas de combate futuras e veículos não tripulados.
Dimensão industrial do programa
O presidente francês também destacou o impacto industrial do projeto, onde cerca de oitocentos fornecedores participarão do programa, a maioria formada por pequenas e médias empresas.
A construção do navio deve começar na segunda metade desta década, em um cronograma desenhado para evitar lacunas de capacidade à medida que o Charles de Gaulle se aproxima do fim de sua vida útil planejada. A entrada em serviço está prevista para 2038.
Risco de descontinuidade operacional
A França opera atualmente apenas um porta-aviões, disponível cerca de dois terços do tempo devido aos ciclos de manutenção. Atrasos significativos no programa PANG poderiam deixar a Marinha Francesa sem capacidade de aviação embarcada.
Uma avaliação prevista para o final da década decidirá se o Charles de Gaulle poderá ter sua vida útil estendida além do limite atual, dependendo das condições de seus reatores nucleares e da estrutura do casco.
O alinhamento entre a retirada do navio atual e a entrada em serviço do PANG é considerado crítico pelo governo para garantir a continuidade da capacidade aeronaval francesa.

