São Paulo (SP) — O papel dos bancos de desenvolvimento no financiamento do turismo esteve no centro do debate do painel “A Importância dos Bancos de Desenvolvimento no Financiamento do Setor de Turismo”, realizado durante o 3º Fórum Internacional de Investimentos em Turismo, no Boulevard JK, na capital paulista.
Participaram da discussão Ricardo Brito, presidente da DesenvolveSP, Marcelo dos Santos, executivo sênior da CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe, Fernanda Baltazar, diretora da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, e Paulo Amaral, superintendente executivo da Caixa. A mediação do painel ficou sob direção de Daniel Nepomuceno, diretor de Investimentos UN Tourism.
Logo na abertura, Nepomuceno destaca o reconhecimento internacional do modelo brasileiro. Segundo ele, a organização das Nações Unidas escolheu o Brasil para sediar um escritório regional voltado à atração de investimentos. “São pouquíssimos países do mundo que têm essa indústria tão farta, tão linda e de acesso fácil”, afirma. Ele acrescenta que outros países têm buscado entender o formato do fórum realizado em São Paulo. “Eles querem copiar, eles querem entender esse mercado”, acrescenta.
Nepomuceno defendeu que o turismo seja colocado “na mesma prateleira” de setores tradicionais da economia no acesso a crédito e financiamento. “Toda vez que a gente fala de investimento, é o efeito perene”, pontua, reforçando que o papel da ONU é “facilitar” e “limpar a lente” para que o crédito chegue com mais rapidez aos projetos estruturados.
Brito afirma que o financiamento estatal é “necessário, para não dizer imprescindível” ao setor. Para ele, o mercado de crédito “não é perfeito” e tende a subofertar recursos a projetos que geram externalidades positivas.
“O Turismo é um caso desse”, declara o presidente do DesenvolveSP. Segundo o executivo, quando a agência financia um empreendimento pioneiro, o retorno ultrapassa o investidor individual. “Para além do retorno privado, ele viabiliza a região. Depois da vinícola, vem um hotel, vem um condomínio, vem um restaurante”, complementa.
Brito ressalta ainda que a proposta não é competir com o sistema financeiro privado, mas atuar de forma complementar. “Ao invés de fazer o crowd out, queremos fazer o crowd in”, pontua, defendendo a atuação conjunta com bancos comerciais e investidores.
A DesenvolveSP trabalha, segundo ele, com prazos médios de 10 anos e até três anos de carência, além de operar repasses do Fundo Geral do Turismo (Fungetur) no estado. A instituição também está aberta a participar como cotista em fundos estruturados voltados ao turismo.
Santos destaca que o banco multilateral passou a apostar no turismo há cerca de quatro anos, ao identificar o setor como motor de desenvolvimento econômico na América Latina e Caribe. A instituição atua tanto no financiamento ao setor público quanto ao privado.
No caso de projetos privados, ele ressalta a importância de estudos de mercado e estruturação técnica adequada. “O banco vai fazer toda análise de risco de um projeto. Precisa de toda análise de viabilidade”, afirma. Segundo ele, iniciativas apresentadas sem modelagem adequada tendem a enfrentar mais barreiras.
A CAF pode financiar projetos privados com prazos entre 10 e 15 anos, incluindo carência para construção e período de ramp-up operacional. Também oferece instrumentos de garantia e estuda a criação de um fundo regional dedicado ao turismo.
O executivo anuncia ainda a intenção de lançar, em parceria com bancos locais, uma linha de aproximadamente US$ 100 milhões voltada a pequenas e médias empresas do trade turístico. O objetivo é alcançar a chamada “última milha”, ampliando o acesso ao crédito para operadores e agências de menor porte.
Representando a Caixa, Amaral apresentou números da instituição. Segundo ele, a carteira sob sua gestão reúne empresas com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 1 bilhão, totalizando 6 mil empresas e 3,5 mil grupos econômicos.
De janeiro de 2020 até agora, afirmou, foram alocados mais de R$ 60 bilhões no estado de São Paulo nesse segmento. Apenas neste ano, a previsão é de cerca de R$ 20 bilhões. Metade dos recursos vai para real estate e a outra metade para comércio, indústria, serviços e agronegócio.
“O setor de turismo foi um dos setores que apoiamos firmemente aqui no estado de São Paulo durante a pandemia”, afirma. “Geralmente, quando o mercado retrai e outros players recolhem dinheiro, estamos entrando”, complementa.
O executivo ressalta que o banco não atua mais com project finance em projetos greenfield, mas apoia empreendimentos que apresentem boa estruturação técnica. “Quando você vem ao banco sem um projeto estruturado e calibrado, você demora geralmente 12 meses a mais para organizar isso”, conta.
Fernanda Baltazar, apontou o interesse crescente de fundos soberanos e family offices do Oriente Médio na diversificação de investimentos, incluindo turismo e hotelaria de alto padrão.
Segundo a diretora da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, a região do Golfo tem ampliado a presença na América Latina e observa oportunidades no Brasil, especialmente em hotelaria de luxo. “Há essa movimentação muito forte de diversificação de mercado”, pontua Fernanda, citando também o interesse em ESG e segurança alimentar.
A executiva avalia ainda que o Brasil ainda é “um pouco tímido” na promoção estruturada dessas oportunidades no exterior, mas destacou que acordos recentes e a intensificação de relações bilaterais ampliam a janela de investimentos.
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