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Filme que parece mais uma confissão e que vai tocar seu coração em lugares que você nem sabia que existiam, na Netflix

Em “As Vantagens de Ser Invisível”, Stephen Chbosky transforma esse conflito íntimo em drama palpável ao acompanhar Charlie, vivido por Logan Lerman, um garoto que começa o ensino médio tentando passar despercebido. Ele é inteligente, sensível, escreve cartas como quem organiza a própria respiração, mas carrega uma tristeza difícil de nomear. A escola é um campo minado de olhares, piadas e hierarquias, e Charlie prefere observar de longe, como se a invisibilidade fosse uma estratégia de sobrevivência.

Logan Lerman constrói um protagonista contido, quase sempre com a sensação de que há algo prestes a transbordar. Seus gestos são mínimos, os olhos estão sempre atentos, e essa contenção dá ao personagem uma densidade rara. Charlie não é o típico deslocado carismático; ele é frágil, hesitante, por vezes desconfortável até para quem o assiste. E é justamente por isso que se torna tão real.

A mudança começa quando Patrick, interpretado por Ezra Miller, decide atravessar a distância e puxá-lo para perto. Patrick é expansivo, sarcástico, teatral. Ele ocupa o espaço que Charlie evita e parece não pedir licença para existir. Ao lado dele está Sam, vivida por Emma Watson, cuja doçura nunca é ingênua. Sam carrega suas próprias inseguranças, suas escolhas equivocadas, suas carências afetivas. Quando os dois acolhem Charlie, não oferecem salvação, mas algo mais complexo: pertencimento com risco embutido.

As festas, as conversas no quarto, as músicas compartilhadas no carro não são apenas cenários juvenis; são rituais de iniciação emocional. Charlie experimenta amizade, desejo, ciúme e lealdade como quem pisa em terreno novo. Cada experiência amplia seu mundo, mas também o expõe. O filme entende que crescer não é acumular momentos felizes, e sim aprender a sustentar o que eles despertam.

Há ainda o professor Bill, interpretado por Paul Rudd, que percebe em Charlie um talento literário e passa a desafiá-lo com leituras extras. Essa relação é fundamental porque oferece ao garoto um espelho diferente: alguém que o enxerga pela inteligência, não pela estranheza. A literatura vira ponte. Não resolve seus conflitos, mas lhe dá linguagem para enfrentá-los. É um detalhe narrativo simples, porém decisivo, porque desloca Charlie da margem absoluta para um espaço onde ele pode ser reconhecido.

Stephen Chbosky dirige com delicadeza e proximidade. A câmera frequentemente permanece no rosto dos personagens, permitindo que o espectador acompanhe pequenas reações, microexpressões, silêncios prolongados. Não há espetáculo dramático exagerado. O impacto vem da honestidade. O roteiro evita simplificar dores ou transformar traumas em lição edificante. Quando as fragilidades de Charlie surgem com mais força, o filme não as romantiza. Ele observa, respeita e deixa que as consequências emocionais ocupem o espaço necessário.

Emma Watson entrega uma Sam vulnerável e humana, distante de qualquer idealização. Ezra Miller, por sua vez, injeta energia e imprevisibilidade em Patrick, tornando-o simultaneamente alívio cômico e figura profundamente sensível. O trio funciona porque cada um revela algo que o outro tenta esconder.

“As Vantagens de Ser Invisível” é, no fundo, um filme sobre a coragem de ser visto. Não se trata de popularidade, mas de exposição emocional. Charlie precisa decidir se continuará apenas registrando a vida dos outros ou se aceitará participar dela, mesmo sabendo que isso implica dor. Ele sugere que amadurecer é reconhecer as próprias feridas sem permitir que elas definam todos os passos seguintes.

O filme deixa uma sensação de que acompanhamos não uma história grandiosa, mas um processo íntimo. E talvez seja justamente isso que o torna tão marcante: ele entende que, na juventude, os acontecimentos parecem imensos porque estão moldando quem ainda estamos tentando ser.

Filme:
As Vantagens de Ser Invisível

Diretor:

Stephen Chbosky

Ano:
2012

Gênero:
Drama

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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