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Filme que expulsou Johnny Depp do elenco e é spin-off de uma das maiores sagas do cinema de todos os tempos — no Prime Video

Filme que expulsou Johnny Depp do elenco e é spin-off de uma das maiores sagas do cinema de todos os tempos — no Prime Video

“Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore” tenta, com boa dose de ambição, encerrar uma trajetória que começou com promessas e acabou se perdendo entre tramas fragmentadas e mudanças de elenco controversas. A narrativa central gira em torno da tentativa de Albus Dumbledore de impedir Grindelwald de eliminar os trouxas, contando com o auxílio de Newt Scamander e seus aliados. Em teoria, o filme reúne todos os elementos clássicos do universo de Rowling: criaturas fantásticas, intrigas mágicas e uma luta moral de proporções épicas. Na prática, porém, essa promessa é tensionada por escolhas narrativas que equilibram momentos de brilho com passagens visivelmente desarticuladas.

Suas melhores qualidades são a execução técnica e o desempenho do elenco. Jude Law encarna um Dumbledore jovem com camadas de inteligência, humor e vulnerabilidade que dão densidade ao personagem, enquanto Mads Mikkelsen redefine Grindelwald com uma interpretação menos teatral que a de seu antecessor, porém igualmente ameaçadora, mais próxima de um vilão de espionagem do que de um caricatural mestre do mal. Eddie Redmayne continua a trazer humanidade e encanto a Newt, equilibrando humor e heroísmo, enquanto Dan Fogler adiciona leveza e comicidade ao grupo. A cinematografia atmosférica, a direção de arte exuberante e a trilha sonora que alterna entre momentos épicos, melancólicos e instigantes elevam o filme a uma experiência sensorial envolvente.

Apesar desses acertos, o roteiro revela suas limitações de forma clara. Subtramas como a de Yusuf Kama e a de Credence, embora prometedoras, soam subutilizadas ou abruptamente concluídas, prejudicando o ritmo e a coesão do enredo. O excesso de exposição e a narrativa explicativa compromete o potencial de imersão, tornando certas sequências longas e previsíveis. A presença das criaturas, que deveria ser um diferencial encantador da franquia, se restringe a alguns momentos memoráveis, especialmente o Niffler, deixando o restante do bestiário subexplorado.

O equilíbrio entre humor e tensão, entretanto, é bem dosado. O longa consegue arrancar risadas graças à interação do grupo protagonista, aos momentos de trapalhadas de Newt e à sutileza de Dumbledore, suavizando o peso de um tom mais sombrio e mantendo a familiaridade do universo Potter. Esse mesmo tom mais denso, no entanto, é por vezes perturbador, especialmente em cenas de crueldade animal que ultrapassam limites narrativos e podem gerar desconforto, algo que o filme não precisava enfatizar para criar tensão.

Quanto à ação, ela oscila entre sequências visualmente impressionantes e momentos decepcionantemente curtos ou simbólicos, que não conseguem replicar o impacto das batalhas anteriores. O clímax, embora contenha instantes de criatividade, como a fuga coreografada em ritmo quase surreal, peca por não oferecer um fechamento plenamente satisfatório. A sensação é de que o filme funciona mais como um capítulo intermediário de uma saga fragmentada do que como uma narrativa autônoma e conclusiva.

No balanço final, “Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore” é uma experiência ambivalente: cativante em seus visuais, atuações e momentos de humor, mas frágil em ritmo, coesão narrativa e aproveitamento de personagens. Ele entrega aquilo que se espera do universo de Rowling, criaturas encantadoras, tensão e magia, mas deixa a impressão de um potencial desperdiçado, de uma história que ainda busca seu verdadeiro centro em meio a um plano maior. Para o espectador fã da saga, é um filme que entretém e emociona em partes, mas também provoca a frustração de perceber que, mesmo com toda a pompa e técnica, nem tudo o que brilha aqui é magia pura.

Filme:
Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore

Diretor:

David Yates

Ano:
2022

Gênero:
Aventura/Fantasia

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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