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Filme mistura humor ácido e horror em puro suco de entretenimento na Netflix

Filme mistura humor ácido e horror em puro suco de entretenimento na Netflix

Em “Abigail”, dirigido por Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, um grupo de sequestradores aceita o que parece ser um trabalho fácil: raptar uma bailarina de 12 anos e mantê-la sob vigilância por uma única noite em uma mansão isolada enquanto o pai, um poderoso nome do submundo, providencia um resgate de 50 milhões de dólares. Joey (Melissa Barrera) integra a equipe com postura prática e olhar atento; Frank (Dan Stevens) assume a liderança informal, organiza os turnos e tenta manter todos focados no prazo. No centro de tudo está Abigail (Alisha Weir), aparentemente frágil, silenciosa e observadora demais para alguém na posição de vítima.

A proposta é simples no papel: ninguém machuca a garota, ninguém faz perguntas desnecessárias, todos aguardam o dinheiro. A casa funciona como esconderijo e prisão ao mesmo tempo, com portões altos e corredores que parecem intermináveis. Frank distribui funções, recolhe distrações e tenta impor disciplina. Joey observa mais do que fala, avaliando riscos e medindo o temperamento dos colegas. A tensão já existe desde o início, mas é controlada, quase profissional.

O problema começa quando o controle escapa por detalhes. Um membro do grupo desaparece por tempo demais. Depois, outro. A dinâmica muda rapidamente. A mansão deixa de ser território seguro e vira um labirinto hostil. As regras internas passam a ser revistas às pressas. Frank tenta manter a autoridade, mas sua segurança começa a vacilar. Joey, mais pragmática, percebe antes dos outros que o plano inicial já não serve mais.

É aí que “Abigail” revela sua principal virada de chave: a garota não é apenas uma refém indefesa. Alisha Weir constrói uma presença inquietante, alternando delicadeza infantil e algo muito mais calculado. Cada vez que os sequestradores tentam retomar o controle, a situação piora. A tensão cresce não por grandes discursos, mas por decisões erradas tomadas sob pressão. O relógio, que antes era aliado, vira inimigo.

O filme mistura terror, suspense e um humor ácido que surge nos momentos mais improváveis. Há tentativas nervosas de piada entre os criminosos, comentários sarcásticos sobre o dinheiro e sobre o absurdo da situação. Esses respiros não aliviam a pressão; pelo contrário, deixam claro o quanto eles estão perdendo a estabilidade. Dan Stevens se destaca justamente nessa oscilação entre confiança exagerada e desespero contido, enquanto Melissa Barrera dá à Joey uma firmeza que vai ganhando novas camadas conforme o risco aumenta.

Os diretores conduzem a narrativa com ritmo acelerado, usando a própria estrutura da casa para ampliar a sensação de confinamento. Corredores escuros, portas fechadas e silêncios interrompidos no momento certo mantêm a tensão constante. A informação é liberada aos poucos, o suficiente para que o público entenda que algo está profundamente errado, mas nunca o bastante para oferecer conforto.

“Abigail” aposta na inversão da premissa clássica de sequestro. O que começa como uma operação calculada vira uma luta pela sobrevivência. A cada nova tentativa de organizar a situação, os personagens perdem espaço e segurança. O dinheiro deixa de ser prioridade. A meta passa a ser outra.

Mais do que sustos, o filme entrega um jogo de poder em espaço fechado, com personagens que precisam rever rapidamente suas certezas. E o mais interessante é justamente essa mudança de posição: quem entrou na mansão acreditando ter todas as cartas na mão percebe, tarde demais, que nunca esteve realmente no controle.

Filme:
Abigail

Diretor:

Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett

Ano:
2024

Gênero:
Ação/Comédia/Suspense/Terror

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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