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Filme com Tom Hanks que conseguiu o que pouquíssimas comédias conseguiram: duas indicações ao Oscar — e agora está na Netflix

Crescer parece o sonho de qualquer criança, até o dia em que alguém descobre que ser adulto significa lidar com responsabilidades que ninguém explicou direito. É dessa ideia simples e irresistível que nasce “Quero Ser Grande”, comédia fantástica dirigida por Penny Marshall e estrelada por Tom Hanks, que transforma um desejo infantil em uma experiência inesperada sobre amadurecer rápido demais.

A história começa com Josh Baskin, interpretado ainda criança por David Moscow, um garoto comum que passa um dia no parque de diversões e acaba impedido de entrar em uma montanha-russa por ser baixo demais. Frustrado e humilhado, ele encontra uma misteriosa máquina de desejos e pede apenas uma coisa: quer ser grande.

O que parecia uma brincadeira se torna um problema real quando Josh acorda no dia seguinte no corpo de um homem adulto, agora vivido por Tom Hanks. A mudança é tão absurda quanto prática: sua mãe não reconhece aquele estranho de trinta anos dentro de casa, e Josh se vê subitamente sozinho, sem dinheiro, sem documentos e sem qualquer manual de instruções sobre como viver como adulto. O único que acredita na história é seu melhor amigo Billy (Jared Rushton), que rapidamente vira cúmplice na tentativa de ajudar Josh a sobreviver nessa nova realidade.

A premissa poderia facilmente virar apenas uma fantasia infantil, mas o filme encontra graça justamente nas situações cotidianas que Josh precisa enfrentar. Conseguir um emprego, pagar contas, morar sozinho e se comportar em ambientes adultos são desafios gigantescos quando sua cabeça ainda funciona como a de um garoto de doze anos. E é aí que o talento de Tom Hanks aparece com força: ele interpreta Josh não como um adulto infantilizado, mas como uma criança genuína tentando entender o mundo adulto passo a passo.

Essa lógica inocente acaba levando Josh a um emprego inesperado em uma empresa de brinquedos, comandada pelo executivo MacMillan, interpretado por Robert Loggia. O que chama atenção no personagem é justamente sua espontaneidade: enquanto os executivos ao redor discutem vendas e estratégias, Josh reage aos brinquedos com entusiasmo verdadeiro, como qualquer criança faria. Essa sinceridade acaba abrindo portas que ninguém imaginava, criando algumas das cenas mais divertidas e memoráveis do filme.

No meio dessa nova rotina aparece também Susan Lawrence, vivida por Elizabeth Perkins, uma funcionária da empresa que começa a se aproximar de Josh sem entender muito bem o que o torna tão diferente dos outros homens ao redor. A relação entre os dois mistura curiosidade, estranhamento e um tipo de encanto difícil de explicar, já que Susan vê um adulto carismático enquanto o público sabe que, por dentro, ele ainda é apenas um garoto tentando acompanhar o ritmo de um mundo complicado.

O grande charme de “Quero Ser Grande” está justamente nesse contraste constante entre aparência e essência. Josh pode ter o corpo de um adulto, mas continua reagindo à vida com a sinceridade direta de uma criança. Isso cria momentos de humor muito naturais, porque o filme não precisa forçar piadas: basta colocar o personagem em situações normais do cotidiano adulto e observar como ele tenta entender regras que todo mundo finge dominar.

Ao mesmo tempo, a direção de Penny Marshall mantém a história sempre leve e calorosa. O filme nunca esquece que por trás da comédia existe uma ideia simples e poderosa: crescer é inevitável, mas talvez ninguém esteja realmente preparado para isso. Josh aprende aos poucos que a vida adulta é cheia de oportunidades, mas também de confusões, expectativas e escolhas que uma criança nunca imaginaria precisar enfrentar.

Mais do que uma fantasia divertida dos anos 1980, “Quero Ser Grande” acabou se tornando um daqueles filmes que continuam funcionando décadas depois porque falam de algo universal: a sensação de entrar em uma fase da vida sem saber exatamente o que fazer. E poucos atores conseguiram traduzir essa mistura de ingenuidade, humor e surpresa tão bem quanto Tom Hanks, que transforma Josh Baskin em um personagem impossível de esquecer.

Filme:
Quero Ser Grande

Diretor:

Penny Marshall

Ano:
1988

Gênero:
Comédia/Drama/Fantasia/Romance

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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