Categories: Cultura

Filmaço com Matthew McConauhey escondido no Prime Video: pouca gente viu

Em Los Angeles, no início da década de 2010, um advogado acostumado a resolver problemas rápidos aceita um caso grande demais para o próprio método, e é justamente aí que tudo começa a escapar do controle. “O Poder e a Lei” acompanha a rotina de Mick Haller, vivido por Matthew McConaughey, um advogado criminal que transformou o banco de trás do seu Lincoln em escritório oficial.

Ele circula pela cidade fechando acordos, reduzindo penas e mantendo clientes satisfeitos sem precisar criar vínculos profundos com nenhum deles. É um sistema que funciona porque depende de velocidade, leitura de comportamento e uma certa frieza calculada. Mick não se apega — ele resolve. E, até ali, isso basta.

A engrenagem começa a girar diferente quando surge Louis Roulet, interpretado por Ryan Phillippe, um jovem milionário acusado de tentar matar uma mulher. O caso chega como uma oportunidade quase irresistível: dinheiro alto, visibilidade e a chance de sair da rotina de delitos menores. Mick aceita sem hesitar, convencido de que pode conduzir tudo com a mesma habilidade de sempre. O problema é que Roulet não é um cliente comum, e o que ele esconde pesa mais do que aquilo que decide contar.

Enquanto monta a defesa, Mick percebe que as peças não se encaixam com a facilidade esperada. O cliente responde, mas não explica. Entrega versões, mas evita detalhes. Aos poucos, o advogado entende que não está apenas defendendo alguém acusado de um crime, mas tentando navegar por uma história incompleta, onde cada nova informação parece corrigir a anterior. Isso muda tudo: o caso deixa de ser uma negociação e vira um campo minado.

Do outro lado está Maggie McPherson, interpretada por Marisa Tomei, promotora competente e, por acaso — ou talvez por ironia — ex-esposa de Mick. A relação entre os dois é prática, mas carregada de história. Eles compartilham uma filha, um passado e agora um tribunal. Maggie pressiona, questiona e não facilita. Cada movimento dela força Mick a recalcular a defesa, e qualquer erro dele pode ser explorado imediatamente. Não há espaço para improviso confortável.

Mick, que sempre trabalhou com o que o cliente entrega, se vê obrigado a sair do próprio padrão. Ele começa a investigar por conta própria, revisitar provas, buscar conexões que não estavam no roteiro inicial. É um deslocamento importante: pela primeira vez, ele precisa desconfiar de quem deveria proteger. E isso não é apenas uma questão ética, é também uma questão prática, porque qualquer passo errado pode comprometer o caso inteiro.

O filme constrói essa tensão sem pressa, acompanhando decisões que parecem pequenas, mas acumulam consequências. Um documento que demora a chegar, um depoimento que não bate, uma conversa que deixa mais dúvidas do que respostas. Mick continua elegante, articulado, até espirituoso em alguns momentos, mas o controle já não é o mesmo. E ele sabe disso. Há uma mudança sutil no modo como ele ocupa o próprio espaço: menos seguro, mais atento, como alguém que percebe que entrou em um jogo cujas regras ainda não entendeu completamente.

O Lincoln continua sendo seu refúgio, seu escritório, quase um símbolo do modo como ele enxerga o trabalho. Mas, conforme o caso avança, aquele espaço também revela limites. Resolver tudo ali dentro já não basta. O tribunal exige presença, as decisões exigem tempo, e a verdade, ou o que se aproxima dela, não cabe mais em telefonemas rápidos ou acordos informais.

“O Poder e a Lei” funciona justamente porque mantém esse equilíbrio entre charme e tensão. Mick Haller não é um herói tradicional, nem tenta ser. Ele negocia, contorna, insiste, recua quando necessário. Mas, diante de um cliente que manipula a própria narrativa, ele é forçado a encarar algo que sempre evitou: a possibilidade de estar defendendo não apenas um culpado, mas alguém que controla o jogo melhor do que ele.

O filme é surpreendente por isso. Não na revelação em si, mas no processo. Na forma como cada escolha de Mick altera o cenário, como cada nova informação reposiciona as peças, como o tempo passa a ser um adversário concreto. O que está em jogo não é apenas o resultado do julgamento, mas a própria maneira como ele conduz a profissão, e até onde está disposto a ir para não perder o controle.

Filme:
O Poder e a Lei

Diretor:

Brad Furman

Ano:
2011

Gênero:
Crime/Drama/Suspense/Thriller

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

Redação

Recent Posts

Suspense visceral com Sally Field e Kiefer Sutherland vai te deixar em completo desespero, na Netflix

No início de “Olho Por Olho”, Karen McCann (Sally Field), ao lado do marido Mack…

34 minutos ago

MTur realiza atendimentos e reforça apoio a municípios na Caravana Federativa

Ministério do Turismo (MTur) participou da 17ª edição da Caravana Federativa, realizada no Expo Center…

41 minutos ago

STF, BC e PF discutem medidas para sufocar financeiramente o crime organizado

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, recebeu nesta segunda-feira os presidentes do…

48 minutos ago

lançamentos da semana entre 23 e 29 de março de 2026

A semana promete movimentar o catálogo da Netflix, trazendo opções para diferentes gostos. Entre 23…

1 hora ago

Chegou quase escondido à Netflix, mas filme com Cillian Murphy já é o mais assistido de 2026

Dirigido por Tom Harper e escrito por Steven Knight, “Peaky Blinders: O Homem Imortal” recoloca…

2 horas ago

Lourival de Pieri destaca Parque da Criança no Casa Grande Hotel

Com forte tradição em receber famílias, o Casa Grande Hotel Resort & SPA, no Guarujá…

2 horas ago