A inquietação que move “12 Horas para o Fim do Mundo” nasce da combinação entre uma ameaça astronômica plausível e a reação humana diante do colapso iminente. A narrativa toma forma sem alarde inicial, concentrando-se naquilo que importa: o vínculo frágil entre Lera, interpretada por Veronika Ustimova, seu irmão Yegor, vivido por Semyon Treskunov, e a figura distante do pai, Valery Arabov, interpretado por Anatoliy Belyy, cuja presença orbital contrasta com sua ausência cotidiana. A escolha por um enredo centrado nesses três personagens confere precisão à trajetória dramática, permitindo que a catástrofe funcione como catalisadora de conflitos já latentes.
A trajetória de Lera se torna especialmente reveladora. Sua fobia ligada ao fogo, consequência de um acidente antigo, não é usada como atalho dramático, mas como fissura que organiza sua capacidade de reagir quando o caos se instala. O desastre provocado pela queda de fragmentos meteoríticos não é apenas espetáculo; ele sustenta a progressão da personagem. Os eventos se encadeiam sem apelos sentimentais, com um pragmatismo que reforça o peso físico da destruição: edifícios cedendo, sistemas de comunicação falhando e a dependência crescente de uma tecnologia espacial que também se aproxima de um colapso estrutural.
A interação entre Valery e Lera, mediada pela estação espacial Mira, eleva a tensão a um patamar singular. A comunicação intermitente, marcada por interferências e limitações reais, desmonta a fantasia habitual de dispositivos infalíveis. Há mérito na forma como o filme retrata o confinamento de Valery e a deterioração progressiva da estação, sugerindo que o herói distante não é um superintérprete da crise, mas um profissional preso a cálculos, protocolos e decisões que podem falhar. Essa abordagem evita idealizações e mantém o foco no comportamento humano quando regras e sistemas começam a dissolver-se.
A progressão visual serve ao enredo com sobriedade. Os efeitos especiais, embora numerosos, não buscam protagonismo; funcionam como extensão coerente do cenário de risco. A solidez das sequências de impacto meteorítico contribui para a construção de um ambiente crível, no qual o extraordinário é apresentado como continuidade de fenômenos naturais, e não como artifício para encher lacunas narrativas. A fotografia mantém distância suficiente dos personagens para sublinhar sua vulnerabilidade, sem transformar a catástrofe em espetáculo autônomo.
A busca de Lera por Yegor, preso em uma estrutura prestes a ruir, organiza o arco final. A sequência evita exageros na construção da tensão e se apoia na lógica dos acontecimentos: rotas bloqueadas, ausência de previsões seguras e a deterioração simultânea da estação espacial, que reduz drasticamente a capacidade de Valery de auxiliá-la. A montagem acompanha essa escalada com parcimônia, permitindo que o tempo diegético se torne uma variável concreta, e não mero artifício retórico.
O filme encontra consistência ao equilibrar o plano terrestre e o orbital, evitando hierarquias fáceis entre ação e reflexão. A catástrofe opera como campo de prova para os vínculos interrompidos e para a fragilidade das estruturas que, em momentos de normalidade, sustentam a vida moderna de forma quase invisível. Ao final, permanece a sensação de que às vezes a ameaça não é o evento sideral que se aproxima, mas a incapacidade humana de reconhecer limites e de lidar com eles antes que a urgência imponha seu próprio ritmo. Essa perspectiva confere a “12 Horas para o Fim do Mundo” um lugar distinto entre os filmes de desastre: menos inclinado a oferecer catarse, mais preocupado em examinar o que resta quando o cálculo substitui a esperança.
Filme:
12 Horas para o Fim do Mundo
Diretor:
Dmitriy Kiselev
Ano:
2022
Gênero:
Ação/Drama/Ficção Científica
Avaliação:
8/10
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Fernando Machado
★★★★★★★★★★
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