Inspeções em unidades do Airbus H160, modelo cuja unidade que fez pouso forçado no mar de Cabo Frio/RJ, não apontam falhas mecânicas
Inspeções nos componentes do rotor principal do helicóptero H160 devolvidos à Airbus, após o pouso forçado, no dia 2 de janeiro, no litoral de Cabo Frio/RJ, não identificaram defeitos até o momento.
A informação foi divulgada no último dia 10 de fevereiro, por executivos da Airbus Helicopters, com autorização do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Os dados reforçam que a apuração preliminar concentra-se em possível evento de manutenção anterior ao voo, e não em falha mecânica estrutural da aeronave.
O helicóptero, registro PR-OFB, operado pela Omni Taxi Aéreo, realizava voo entre Cabo Frio e uma plataforma offshore quando a tripulação reportou “vibrações significativas” cerca de vinte minutos após a decolagem. Diante da condição anormal, os pilotos optaram pelo pouso forçado. Os oito ocupantes evacuaram a aeronave com segurança.
Investigações conduzidas pelo Cenipa identificaram que as vibrações estavam associadas à fratura por fadiga de uma haste de comando de passo (pitch-control rod) conectada a uma das cinco pás do rotor principal.
Na sequência do evento, a divisão de helicópteros da Airbus e a agência europeia de aviação civil (EASA) determinaram, por meio de boletim de serviço de alerta emergencial (EASB) e diretiva de aeronavegabilidade, a substituição dos terminais das hastes de comando de passo antes de 165 horas de voo em toda a frota global do H160.
Dos 26 conjuntos removidos, quinze foram devolvidos à fabricante e cinco já passaram por inspeção detalhada. Segundo a apresentação técnica divulgada, as análises registraram “nenhuma constatação” de defeito.
Uma segunda EASB determinou a inspeção dos dez terminais de haste de cada helicóptero para verificação de deformação plástica permanente. Entre os 49 conjuntos examinados — equivalentes a cerca de 80% da frota — também não foram identificadas anomalias.
Com base nesses resultados, a Airbus planeja retirar a EASB emergencial e a diretiva associada. Segundo Benoit Klein, líder do programa H160, o processo deve levar até três semanas, período em que a empresa realizará verificações adicionais em coordenação com autoridades brasileiras e europeias.
O Cenipa disse que a fratura na haste de comando teve início em uma área do componente que apresentava deformação plástica permanente, com ângulo aproximado de 2,5°.
A atualização do relatório preliminar, publicada no último dia de 5 de fevereiro, descreve ocorrência registrada em 24 de dezembro durante atividade de manutenção.
Imagens de circuito interno de um hangar indicariam que uma das hastes de comando de passo entrou em contato sustentado com parte da estrutura da aeronave durante testes do rotor principal, resultando em deformação permanente.
Até o momento, o Cenipa não confirmou se o componente observado nas imagens é o mesmo que falhou em voo.
Questionado durante atualização do programa, Klein confirmou que o foco atual da investigação está direcionado a aspectos de manutenção, e não a problemas mecânicos intrínsecos ao projeto.
A frota global do H160 soma 65 aeronaves em operação. Segundo o fabricante, a disponibilidade média operacional superou 90% no último ano.
Dados da General Aviation Manufacturers Association (GAMA) indicam a entrega de 29 unidades do modelo em 2025. No mesmo período, foram registrados trinta novos pedidos, acima das quatro encomendas contabilizadas no ano anterior.
A Airbus projeta alcançar, até o fim da década, produção anual de quarenta helicópteros civis do modelo H160, além de vinte unidades da variante militar H160M.
O fabricante informou que, em março, ampliará o intervalo entre revisões gerais da caixa de transmissão principal (main gearbox) de novecentos para 3.000 horas de voo, com base em dados operacionais coletados na frota em serviço. A certificação nos Estados Unidos está prevista para setembro.
A empresa também anunciou aumento de 150 kg na carga útil máxima para helicópteros equipados com filtros de barreira de entrada de ar — cerca de 40% da frota — ou 50 kg em operação monomotor.
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