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EUA apontam avanço dos caças chineses no mercado global de exportação

Entrada em serviço do J-35, resultados operacionais do J-10C e novos contratos indicam mudança no peso da indústria de defesa da China

Um relatório anual do Departamento de Defesa dos Estados Unidos enviado ao Congresso, em dezembro de 2025, lançou nova luz sobre a evolução da aviação de combate chinesa e seu impacto potencial no mercado internacional de armamentos.

Segundo o documento, a combinação entre amadurecimento tecnológico, custos competitivos e resultados operacionais recentes pode colocar caças chineses em posição de destaque nas exportações globais, rompendo um padrão histórico de participação limitada.

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, a venda de aeronaves de combate no cenário mundial esteve concentrada em fornecedores dos Estados Unidos, França e Rússia, com vendas pontuais de demais países.

Historicamente, a China teve presença discreta no mercado global de caças, tanto durante a Guerra Fria quanto nas décadas seguintes. Esse cenário, porém, começa a mudar à medida que o país consolida programas avançados como o J-20, primeiro caça furtivo chinês em operação desde 2017, e projeta ser o primeiro a colocar em serviço caças de sexta geração, rompendo com o domínio tecnológico dos Estados Unidos. Embora o J-20 nunca tenha sido oferecido a clientes externos, o prestígio acumulado pelo programa contribui para elevar a credibilidade industrial chinesa.

O relatório destaca três aeronaves com elevado potencial comercial: o J-35, caça de quinta geração recentemente incorporado às forças chinesas; o J-10C, vetor leve de quarta geração avançada; e o JF-17, caça leve de baixo custo desenvolvido em parceria com o Paquistão.

No caso do J-35, o Pentágono aponta que há “clientes interessados”, citando Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, países com histórico de diversificação de fornecedores. O caça entrou em serviço na China em 2025, após a criação, ainda em 2022, de uma estrutura dedicada à sua futura exportação.

No segmento de defesa aérea, sistemas como o HQ-9B já obtiveram sucesso em mercados da Ásia, África e Europa Oriental, sinalizando maior aceitação de produtos militares chineses. Em paralelo, o JF-17 vem ganhando espaço como opção acessível, com o relatório norte-americano coincidindo com informações sobre um novo acordo para equipar forças na Líbia.

O ano de 2025 marcou dois pontos de inflexão relevantes. Em maio, o J-10C operado pela Força Aérea do Paquistão teria obtido resultados expressivos em confrontos aéreos contra aeronaves indianas, incluindo caças franceses Rafale recém-incorporados, episódio amplamente apontado como catalisador de interesse internacional. Meses depois, em outubro, a Indonésia confirmou a encomenda de 42 unidades do J-10C, encerrando anos de incerteza sobre a modernização de sua frota.

A decisão indonésia ocorreu após pressões de países ocidentais para o cancelamento da compra de caças russos Su-35, firmada em 2018. Embora existam poucos detalhes confiáveis sobre os J-10C, analistas militares apontam que a suíte de aviônicos é mais avançada que do rival russo, além de empregar uma série de armamentos modernos e custos de operação significativamente menores. Apesar de ser mais leve, o modelo demonstrou desempenho competitivo em combates ar-ar. 

Outro destaque é a ausência de um regime de sanções equivalente ao aplicado a equipamentos russos, o que também amplia sua atratividade para países tradicionalmente dependentes de Moscou.

Apesar do avanço, o relatório do Pentágono ressalta limitações estruturais. A capacidade reduzida — e a aparente falta de disposição — da China em exercer pressão política ou econômica para sustentar vendas militares limita o acesso a mercados sensíveis, como o Golfo e partes do Sudeste Asiático, onde a influência dos Estados Unidos e de aliados segue decisiva.

Ainda assim, a consolidação de plataformas como o J-35 e o J-10C indica que a aviação de combate chinesa pode deixar de ser periférica para se tornar um fator relevante no equilíbrio do mercado global de caças. 

No cenário atual, com ampliação da guerra comercial, somado as pressões sobre os investimentos em defesa na Europa, os chineses podem obter considerável sucesso em um mercado ainda inexplorado pela indústria e política local.





Fonte

Redação

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