É normal que folhetins muito longos comecem a apelar para situações-clichê que funcionam. Se por um lado, a trama pouco se desenvolve, é com essa tática que os autores preparam o terreno para novas viradas na história.
Após um fim de ano movimentado, “Êta Mundo Melhor!”, por exemplo, volta a ter um momento de estagnação.
Até março
No ar desde junho de 2025 e com previsão de término no próximo mês de março, a obra, iniciada por Walcyr Carrasco e desenvolvida por Mauro Wilson, ainda precisa guardar alguma emoção para sua despedida.
Trunfo do diretor
Por isso, tem entretido o público com confusões típicas das tramas de Walcyr ao fazer com que personagens de destaque se passem por outras pessoas.
Só neste momento da história, três figuras importantes do enredo recorrem a outras personas por diferentes motivos. A ardilosa Sandra, de Flávia Alessandra, finge ser uma baronesa francesa para fugir da polícia por conta de seus crimes pregressos.
Já a mocinha Dita, de Jeniffer Nascimento, vê na possibilidade de encarnar a cantora estrangeira Doris River a chance de conseguir engrenar na carreira de cantora.
Por fim, Margarida, de Nívea Maria, tenta driblar o machismo dos anos 1950 e se firmar como uma autora de radionovela. Para isso, ela precisa se vestir de homem e adotar a alcunha de Adamo Rangel.
Não por acaso, o nome é uma homenagem de Mauro Wilson ao próprio Walcyr que, nos anos 1990, adotou o mesmo codinome para assinar “Xica da Silva” na extinta Manchete enquanto ainda era contratado do SBT. Do trio, enquanto Dita e Doris não apresentam tantas diferenças para a atuação de Jeniffer, o trabalho se mostra dobrado para Flávia e Nívea.
A primeira, com direito a tapa-olho, peruca e divertido sotaque francês, e a segunda mostrando a experiência de uma grande atriz que vem aproveitando a oportunidade de sair de papéis mais óbvios.
Coerente
Seja em “Êta Mundo Bom!” ou “Êta Mundo Melhor!”, as obras de Walcyr para o horário das seis nunca tiveram a pretensão de reinventar a roda da teledramaturgia.
De tão fiéis a sua fórmula popular, a obra original e a continuação conseguiram manter a coerência mesmo com a troca de diretores, já que com o falecimento de Jorge Fernando, em 2019, quem assumiu o comando da produção atual foi Amora Mautner.
Conhecedora da trajetória do autor e da longa relação profissional dele com Jorge, mesmo sendo uma diretora de assinatura forte, Amora concebe a estética e a direção de atores de “Êta Mundo Melhor!” como uma espécie de homenagem ao saudoso diretor, privilegiando o tom de sua comédia e o estilo leve que ele sempre apostou.
Boa em envolver o público através da simplicidade, a história de Candinho, de Sérgio Guizé, e companhia, caminha para o fim sem perder a mensagem otimista e a vontade de se divertir.
SERVIÇO
“Êta Mundo Melhor!” – Globo – de segunda a sábado, às 18h20
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