Um dos estrategistas de ações mais observados de Wall Street está soando o alarme: o mercado de ações apresenta algumas das mesmas características perigosas que exibiu no período que antecedeu a Crise Financeira Global de 2008, e uma correção pode estar próxima. E os alertas de Peter Oppenheimer, estrategista-chefe global de ações do Goldman Sachs, têm peso especial — porque suas apostas contrárias ao consenso têm um histórico sólido de acertos.
Em uma nota de pesquisa publicada na quarta-feira (4), Oppenheimer alertou que os prêmios de risco das ações — uma medida de quanto retorno extra os investidores exigem para possuir ações em vez de ativos mais seguros — “caíram acentuadamente e agora, em grande parte, voltaram aos níveis observados no período que antecedeu a crise financeira”. Esse sinal, escreveu Oppenheimer, deixou as ações “mais vulneráveis a decepções ou choques” provocados pela competição tecnológica ou por uma piora na combinação entre crescimento e inflação.
Leia também: Economia global enfrenta perspectiva de outro choque profundo
Continua depois da publicidade
Para ser claro, Oppenheimer não está prevendo um mercado em baixa, mas alertou que os riscos de uma correção são elevados.
Além disso, ele apontou que as avaliações das ações estão elevadas não apenas nos Estados Unidos — algo que já ocorre há muitos anos —, mas que todas as regiões do mundo apresentam avaliações “acima de suas próprias médias históricas de longo prazo”. Em outras palavras, as ações estão caras em toda parte e podem estar próximas de uma queda.
Desde 2024, Oppenheimer fez uma previsão ousada e bastante acertada de que as ações americanas estavam se tornando caras demais e recomendou que os investidores diversificassem internacionalmente.
A estratégia deu muito certo quando os mercados europeu e japonês dispararam, enquanto as empresas de tecnologia americanas tropeçaram no chamado movimento de “vender Estados Unidos”.
Ele reforçou essa visão em novembro de 2025 com uma perspectiva de dez anos prevendo que o S&P 500 entregaria apenas 6,5% de retorno anual — o pior entre as principais regiões —, enquanto os mercados emergentes liderariam com retornos de quase 11% ao ano.
Ele também apontou a inteligência artificial como um possível risco de bolha, traçando paralelos explícitos entre o mercado de ações e ciclos especulativos do passado. (É claro que ainda é cedo para avaliar a precisão dessas previsões.)
Continua depois da publicidade
A forma como essas previsões se concretizarem pode influenciar a gravidade de qualquer correção no curto prazo, já que alguns sinais do mercado lembram a Crise Financeira Global de 2007–08, mas os balanços do setor privado permanecem saudáveis entre famílias, empresas e bancos.
Por essa razão, observadores do mercado têm comparado a situação atual ao estouro da bolha das empresas de internet no início dos anos 2000. Os lucros continuam sustentando uma narrativa otimista, e a própria pesquisa do Goldman reconhece que as estimativas de lucros globais, na verdade, aumentaram desde o início de 2026 — um sinal incomum e historicamente positivo.
De todo modo, Oppenheimer, escrevendo ao lado dos colegas Sharon Bell, Guillaume Jaisson e Giovanni Ferrannini, classificou a atual combinação de incerteza geopolítica e ansiedade do mercado em relação à inteligência artificial como “um vento contrário significativo para os ativos de risco absorverem no curto prazo”.
Continua depois da publicidade
Oppenheimer observou que o comportamento das ações cíclicas pode ampliar o risco, já que setores sensíveis às oscilações da economia superaram amplamente os setores defensivos no último ano, e as ações cíclicas (dependentes do desempenho da economia) agora são negociadas aproximadamente com a mesma avaliação que as defensivas.
Essa dinâmica de preços deixa pouca margem de segurança caso a confiança vacile. Qualquer novo choque nos preços do petróleo, uma ruptura no comércio ou uma escalada no Oriente Médio poderia rapidamente eliminar essa margem.
No nível setorial, Oppenheimer destaca uma das reversões mais marcantes da história recente do mercado: as ações de tecnologia acabam de atravessar um de seus períodos mais fracos de desempenho relativo em comparação com outros setores nos últimos 50 anos.
Continua depois da publicidade
A rotação — impulsionada pela ansiedade dos investidores em relação aos planos de gastos de capital em inteligência artificial e pelo temor de que modelos de negócios de software enfrentem disrupção — reduziu rapidamente o prêmio de avaliação que a tecnologia desfrutou por muito tempo.
Em uma reversão surpreendente, ações industriais dos EUA, de empresas intensivas em fábricas e equipamentos, passaram a valer mais em termos de preço/lucro (P/L) do que as companhias de tecnologia, que usam poucos ativos físicos e têm forte base em software. (O P/L indica quantas vezes o lucro anual da empresa cabe no preço da ação: por exemplo, se a ação vale R$ 100 e a empresa lucra R$ 10 por ação no ano, o P/L é 10, ou seja, o investidor está pagando 10 vezes o lucro anual da empresa por ação).
Apesar do risco elevado de correção, Oppenheimer não espera que o mercado sofra baixa prolongada.
Continua depois da publicidade
Economistas do Goldman projetam crescimento de 2,8% do PIB dos Estados Unidos neste ano; as estimativas de lucros globais aumentaram desde janeiro; e os balanços do setor privado — de famílias, empresas e bancos — permanecem saudáveis o suficiente para absorver choques sem desencadear contágio sistêmico.
Oppenheimer já observou anteriormente que a maioria dos choques geopolíticos provoca uma correção mediana de cerca de 6% no S&P 500 ao longo de 18 dias antes da estabilização.
Em última análise, Oppenheimer recomendou que os investidores mantenham ampla diversificação geográfica, setorial e de fatores — o mesmo manual de estratégia que ele vem defendendo há mais de um ano e que já demonstrou seu valor.
“Vemos riscos elevados de correção diante das avaliações atuais”, escreveu Oppenheimer, “mas esperamos que isso represente uma oportunidade de compra, com risco relativamente baixo de um mercado em queda mais prolongada e profunda.”
2026 Fortune Media IP Limited
Gol vai voar do Rio para Nova York a partir de julho de 2026, marcando…
A crise financeira do agronegócio, que respinga sobre os bancos, resultou em 1.990 pedidos de…
Turismo gaúcho mira agentes de viagem para ampliar resultados JOÃO PESSOA – O Rio Grande…
O mini-índice (WINJ26), com vencimento em abril, encerrou a última sessão (06/03) em queda de…
Executivos destacam agentes como maior ativo da companhia (Felipe Abílio/MeE) JOÃO PESSOA – O encerramento…
Depois da chuva castigar a cidade de São Paulo durante toda a tarde, enfim aconteceram…