Autodescobertas exigem muito mais que persistência e, a depender da extensão do trauma, toda medida de fé que se consiga reunir ao longo de uma vida talvez não seja o bastante. Em qualquer parte do mundo, a qualquer época, adolescentes gostam de roupas largas, cabelos extravagantes, penduricalhos espalhafatosos, música barulhenta e liberdade, às vezes sem a justa contrapartida e o devido merecimento. Imperfeições de um corpo em mutação constante e sem método são menos perturbadoras que a efervescência de uma alma que sofre por tudo e por nada, que começa a se saber limitada, mas ainda assim não renuncia à necessidade de conquistar tudo quanto existe sem perder o que quer que seja. O mundo de Christiane Vera Felscherinow está desmoronando e ela não nota, e nem poderia. Desorientada em sua liberdade, a personagem-título de “Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída” se lança a uma jornada que, ela pensa, há de ajudá-la a saber o que é a vida, mas a empurra para a morte. Quarenta e cinco anos depois do lançamento, pode-se dizer que o filme do alemão Uli Edel é, lamentavelmente, mais atual do que nunca — ainda que hoje pareça até meio romântico.
Christiane não vive nenhuma grande tragédia. Ela frequenta a escola, mantém um convívio amistoso com a vizinhança, reconhece os esforços da mãe e tenta retribuir a seu modo, até que seu comportamento se transforma. Baseado em “Wir Kinder vom Bahnhof Zoo” (“nós, as crianças da estação do zoológico”, em tradução livre; 1978), o roteiro dos escritores Kai Herrmann e Horst Rieck tentam iluminar a alma da protagonista, chegando a clamores por independência nada absurdos, mas que degringolam no mal. Edel traduz a busca de Christiane nas cenas um tanto oníricas em que a garota sai pela noite de Berlim Ocidental, mais de dez anos antes da queda do muro, junto com Kessi, a melhor amiga interpretada por Daniela Jaeger, com destino à Sound, uma das casas noturnas mais badaladas da Europa. Balançando entre uma e outra canção de David Bowie (1947-2016), ela conhece um certo Detlev, e os dois passam a se arriscar juntos em pequenas empreitadas criminosas que não tardam a fugir de qualquer controle. A heroína entra como a válvula de escape de que Bowie fala por metáforas engenhosas em “Heroes” (1977), e Natja Brunckhorst encontra aí a pista para fazer de Christiane símbolo de uma era de delírios. E de ilusões.
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