O embaixador Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou em palestra na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) nesta segunda-feira, 2, que o conflito no Oriente Médio “não vai ser um passeio”. Segundo ele, o conflito iniciado com a ação militar coordenada entre Estados Unidos e Israel, que culminou na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, terá uma dimensão maior do que a invasão americana no Iraque, em 2003, que capturou o ditador Saddam Hussein.
“É difícil medir quais serão as consequências desse ataque, mas uma coisa é certa, essa guerra não vai ser um passeio. Não será uma guerra, creio eu, como foi em certo ponto a invasão do Iraque”, disse Amorim na palestra da UFRJ.
O embaixador afirmou que, em seis décadas de diplomacia, nunca presenciou um momento de tensão global como atualmente. Ele lembrou da Crise dos Mísseis em Cuba, no início da década de 1960, quando se tornou próxima uma Terceira Guerra Mundial, mas disse que, naquela época, haviam atores que dialogavam entre si.
“Quando a União Soviética colocou mísseis em Cuba, foram dias de grande aflição, mas era um tema e duas pessoas razoavelmente, não sei se racionais, mas eram pessoas que dialogavam uma com a outra e foi possível encontrar uma solução, que não foi a ideal nem para um lado e nem para o outro, mas serviu para acalmar o mundo”, afirmou Amorim.
Segundo o assessor especial de Lula, parece difícil imaginar que o conflito tenha uma curta duração. Em entrevista para o jornal britânico Daily Mail neste domingo, 1º de março, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a ação militar deve ter uma duração de quatro semanas.
Ao falar sobre a morte de Khamenei, Amorim destacou que é a primeira vez que os Estados Unidos participam da morte de um líder de um país no início de um conflito. Segundo o embaixador, a geopolítica caminha para um “caos” onde não há regras.
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“O que estamos assistindo hoje é uma involução do cosmo para o caos. De um mundo com regras, ainda que defeituosas, injustas e assimétricas, para um mundo absolutamente sem regras”, disse o assessor especial da Presidência.
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