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Esqueça tudo e assista esse filme de conforto com Tom Holland na Netflix

Esqueça tudo e assista esse filme de conforto com Tom Holland na Netflix

Viajar com os amigos, pela primeira vez sem supervisão constante dos pais, deveria ser simples: tirar fotos, andar de ônibus turístico e, quem sabe, criar coragem para dizer o que sente. Em “Homem-Aranha: Longe de Casa”, dirigido por Jon Watts, Peter Parker (Tom Holland) embarca justamente com esse plano em mente ao cruzar a Europa com seus colegas de escola, mas o mundo não parece disposto a lhe dar férias. E é aí que a viagem, que começa leve, ganha um peso inesperado.

Peter quer ser apenas um adolescente em excursão escolar. Ele escolhe deixar o uniforme do Homem-Aranha em casa e foca em um objetivo bem mais íntimo: se aproximar de MJ (Zendaya) e transformar um sentimento confuso em algo dito em voz alta. Há uma simplicidade quase comovente nesse plano — comprar um presente, encontrar o momento certo, falar sem tropeçar nas próprias palavras. Só que, antes mesmo de organizar os próprios sentimentos, ele é puxado de volta para um tipo de responsabilidade que não admite adiamento.

A interferência vem na forma de Nick Fury (Samuel L. Jackson), que surge como quem não pede licença e nem aceita recusas. Ele convoca Peter para lidar com uma série de ataques causados por criaturas gigantes, conhecidas como Elementais, que começam a surgir em diferentes cidades europeias. A mensagem é clara: enquanto Peter tenta decidir o que dizer para MJ, há algo muito maior acontecendo, e alguém precisa agir agora.

É nesse cenário que entra Quentin Beck (Jake Gyllenhaal), também conhecido como Mysterio. Ele se apresenta como um herói experiente, alguém que já enfrentou esse tipo de ameaça em outra realidade. Para Peter, isso soa como um alívio quase imediato. Pela primeira vez, ele não é o mais responsável da sala. Há alguém que parece saber exatamente o que fazer, alguém que fala com segurança e age com precisão. Confiar nele parece não só conveniente, mas necessário.

Só que essa confiança vem rápido demais. Peter, ainda lidando com a ausência de Tony Stark, uma figura que funcionava como mentor, guia e, em certa medida, escudo, encontra em Beck uma espécie de substituto emocional. Não declarado, mas evidente. Ele não diz isso em voz alta, mas suas decisões revelam essa busca por alguém que assuma o controle quando tudo parece grande demais.

No meio disso tudo, há um objeto que simboliza esse legado: os óculos deixados por Stark, que dão acesso a um sistema avançado de tecnologia da Stark Industries. Mais do que um acessório, eles representam poder de decisão, e, talvez mais importante, responsabilidade sobre consequências que Peter ainda está aprendendo a medir. Usá-los exige mais do que habilidade; exige julgamento. E julgamento, como o filme sugere, não se aprende em laboratório.

Enquanto tenta equilibrar tudo isso, Peter também precisa sustentar a aparência de normalidade diante dos amigos. E é aí que o filme encontra um dos seus melhores ritmos: o humor nasce dessa tentativa constante de conciliar dois mundos incompatíveis. Ned (Jacob Batalon), sempre leal, ajuda como pode, inventa desculpas, cobre ausências, improvisa explicações. Algumas funcionam, outras nem tanto. O resultado são situações que oscilam entre o constrangimento e o caos leve, mas que sempre têm um efeito prático: manter Peter no jogo sem levantar suspeitas imediatas.

Ao longo da viagem, cada cidade traz um novo desafio. Veneza, Praga, Londres, os cenários mudam, mas a pressão só aumenta. Peter precisa tomar decisões rápidas, muitas vezes sem todas as informações, e lidar com as consequências quase em tempo real. Fury pressiona, Beck orienta, e Peter tenta encontrar um espaço próprio entre obedecer e questionar.

O que torna essa jornada interessante não é apenas o tamanho das ameaças, mas o tamanho das escolhas. Peter não está só enfrentando monstros gigantes; ele está aprendendo, na prática, o que significa assumir um papel que não tem manual de instruções. Cada decisão que ele toma redefine sua posição, como herói, como amigo e como alguém que ainda está descobrindo quem quer ser.

“Homem-Aranha: Longe de Casa” não é exatamente sobre uma viagem que dá errado, mas sobre uma viagem que muda de propósito. Peter começa querendo viver um momento simples e termina entendendo que algumas responsabilidades não esperam o momento ideal. Ele até tenta fugir disso, por alguns instantes, mas o mundo insiste em chamá-lo de volta, e, dessa vez, ele não pode fingir que não ouviu.

Filme:
Homem-Aranha: Longe de Casa

Diretor:

Jon Watts

Ano:
2019

Gênero:
Ação/Aventura/Comédia/Fantasia

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

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