Em “Which Brings Me To You”, tudo começa do jeito mais comum possível para uma comédia romântica contemporânea: um casamento, duas pessoas deslocadas no meio da festa e uma atração imediata que parece pedir pressa. Jane (Lucy Hale) é jornalista freelancer, irônica, observadora, acostumada a transformar experiências em histórias. Will (Nat Wolff) é fotógrafo, mais introspectivo, alguém que carrega o passado no olhar antes de colocá-lo em palavras. Quando os dois se encontram, a química é clara, mas o filme decide frear o impulso e apostar em outra coisa.
Em vez de seguir o caminho fácil do romance acelerado, Jane e Will fazem um acordo improvável: antes de qualquer envolvimento mais sério, eles vão contar um ao outro tudo o que os trouxe até ali. Não versões editadas, não histórias para impressionar, mas confissões diretas sobre amores fracassados, escolhas ruins e expectativas que não se cumpriram. Essa decisão muda completamente o ritmo da narrativa e transforma o encontro casual em uma espécie de acerto de contas emocional.
Lucy Hale constrói uma Jane espirituosa, mas menos segura do que aparenta. Há nela uma urgência por entender por que relações anteriores deram errado, como se organizar o passado pudesse evitar novos tropeços. Nat Wolff, por sua vez, dá a Will uma vulnerabilidade contida, alguém que fala menos, mas sente muito, e que parece sempre medir o risco antes de se expor. A troca entre os dois funciona porque nenhum tenta parecer melhor do que é; pelo contrário, o charme nasce justamente das falhas assumidas.
O humor do filme surge dessas confissões e da forma como Jane e Will revisitam situações constrangedoras ou dolorosas com certo distanciamento. Não é uma comédia de grandes piadas, mas de reconhecimento: rir de si mesmo, perceber padrões repetidos, admitir contradições. Quando funciona, esse humor aproxima os personagens e dá leveza a temas que poderiam facilmente escorregar para o drama pesado.
A direção de Peter Hutchings mantém tudo em um registro íntimo, quase como se o espectador estivesse ouvindo uma conversa privada que se estende madrugada adentro. O cenário do casamento, com sua atmosfera de celebração e promessas, contrasta com a insegurança dos protagonistas, reforçando a ideia de que nem todo mundo vive o amor no mesmo ritmo ou com as mesmas certezas.
“Which Brings Me To You” não tenta reinventar o gênero, mas acerta ao tratar o romance como algo que exige escuta, timing e disposição para lidar com o que já quebrou antes. Ao colocar Jane e Will frente a frente, sem atalhos emocionais, o filme aposta mais na honestidade do que na idealização. É uma comédia romântica sobre chegar atrasado, emocionalmente cansado, e ainda assim considerar a possibilidade de começar de novo, com menos ilusões, mas talvez com mais verdade.
Filme:
Which Brings me To You
Diretor:
Peter Hutchings
Ano:
2023
Gênero:
Comédia/Drama/Romance
Avaliação:
8/10
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Helena Oliveira
★★★★★★★★★★
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