Dirigido por Nat Faxon e Jim Rash, com Julia Louis-Dreyfus, Will Ferrell, Miranda Otto e Zach Woods, “Downhill” começa num resort de esqui nos Alpes austríacos, onde Billie e Pete Stanton chegam com os dois filhos cercados por pistas impecáveis, salões aquecidos e o tipo de conforto que promete descanso antes mesmo do primeiro jantar. A falsa paz dura pouco. Durante um almoço no terraço, uma avalanche avança, Pete corre e Billie se volta para as crianças no reflexo do medo, num gesto rápido que muda o peso de cada conversa dali em diante.
Ninguém se machuca fisicamente. Mas o susto não termina quando a neve baixa, porque o que Billie viu no restaurante ao ar livre segue grudado nos corredores do hotel, nas filas do teleférico e nas mesas onde a família tenta repetir a rotina das férias. Pete procura tratar o episódio como exagero ou mal-entendido, enquanto os filhos, ainda em volta das pistas e da programação do resort, assistem em silêncio ao desgaste de uma autoridade que parecia firme antes daquele almoço.
É aí que “Downhill” encontra seu melhor terreno. Em vez de empilhar incidentes, o filme insiste nesse minuto branco e no que ele revela sobre Pete, um pai que tenta seguir adiante como se bastasse falar menos, sorrir mais e pedir que todos esqueçam o que aconteceu no terraço. Billie não está discutindo apenas uma reação nervosa. Ela passa a conviver, entre refeições caras e saídas para esquiar, com a descoberta de que o homem com quem construiu a família talvez seja menor justamente na hora em que ela mais precisava dele.
O constrangimento cresce quando Zach e Rosie entram nesse circuito e a lembrança da avalanche escapa do quarto do casal para circular entre drinques, comentários e versões contraditórias do mesmo instante. Tudo fica mais exposto. Pete insiste em suavizar a própria fuga, Billie já não consegue separar o casamento daquilo que viu no terraço, e a presença expansiva da funcionária vivida por Miranda Otto empurra o resort para uma zona desconfortável, como se cada corredor levasse a uma conversa que ninguém sabe encerrar sem piorar o clima.
A força de “Downhill” está concentrada sobretudo na precisão desse ponto de partida, porque a imagem de Pete agarrando o celular e se afastando enquanto o branco cobre o restaurante ao ar livre é simples, direta e difícil de apagar. Um gesto basta. Julia Louis-Dreyfus trabalha muito bem esse abalo, sem transformar Billie em vítima passiva nem em juíza absoluta, e faz do silêncio, das pausas e dos olhares lançados nas mesmas mesas e nas mesmas pistas uma forma de mostrar que, mesmo sob a neve, a viagem nunca mais volta ao que era.
Ao mesmo tempo, “Downhill” parece hesitar entre a secura desse conflito e um humor social mais espalhado pelo hotel, pelas interações laterais e pelo desfile de pequenas humilhações em público. Will Ferrell segura bem o atraso moral de Pete, um homem que demora a entender o tamanho do próprio reflexo, mas a encenação por vezes amacia o que havia de mais incômodo no começo, como se temesse permanecer tempo demais naquele terraço. No fim, ficam a luva úmida, o ar gelado e o branco parado do lado de fora.
Filme:
Downhill
Diretor:
Nat Faxon e Jim Rash
Ano:
2020
Gênero:
Comédia/Romance
Avaliação:
8/10
1
1
Marcelo Costa
★★★★★★★★★★
Dirigido por Tom Dey, “Armações do Amor” reúne Matthew McConaughey, Sarah Jessica Parker, Zooey Deschanel…
Executivos da CVC Corp e entidades do Turismo dão início à programação com agentes de…
Ataques do Irã contra bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio já geraram prejuízo…
Um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, Juca de Oliveira, que morreu neste sábado (21),…
Logo no início de “Stratton”, dirigido por Simon West e estrelado por Dominic Cooper, Tyler Hoechlin e Gemma Chan, o agente…
A United Airlines iniciou nesta quinta-feira (19) a venda de passagens para o Boeing 787-9…