A hotelaria brasileira ampliou, nos últimos dias, sua atuação institucional em Brasília para acompanhar o debate sobre o possível fim da escala 6×1. A mobilização reuniu a ABIH-SP, além de entidades como Resorts Brasil e FOHB, em uma agenda que incluiu participação em audiência pública no Congresso Nacional e encontros com parlamentares de diferentes correntes políticas.
Segundo as entidades, o objetivo da iniciativa foi levar ao Legislativo a visão de empresas que atuam diretamente na operação da hospitalidade, destacando a necessidade de um debate fundamentado em dados e que considere a heterogeneidade do setor.
Debate técnico e especificidades do setor
Durante a audiência pública realizada na Comissão de Turismo, que discutiu a proposta de emenda constitucional (PEC) sobre o tema, representantes da hotelaria enfatizaram as particularidades operacionais da atividade. O setor, que funciona de forma contínua, 24 horas por dia, reúne desde pequenos meios de hospedagem independentes até grandes redes, resorts e empreendimentos voltados aos segmentos urbano, corporativo e de lazer.
Nesse contexto, as entidades defenderam que eventuais mudanças nas regras trabalhistas levem em conta essas diferenças estruturais. O posicionamento apresentado aponta para a necessidade, na avaliação do setor hoteleiro, de evitar generalizações e de conduzir a discussão com base nas distintas realidades econômicas e operacionais.
Compensações e impactos econômicos
Outro ponto destacado pelas entidades foi a eventual necessidade de medidas compensatórias caso a proposta avance. Os representantes afirmaram que não se opõem à discussão sobre novos modelos de organização do trabalho, mas avaliam que alterações sem contrapartidas podem trazer impactos financeiros relevantes.
De acordo com os representantes do setor hoteleiro, a adoção de um modelo uniforme, sem negociação prévia e sem considerar especificidades operacionais, tende a elevar custos relacionados à folha de pagamento e pressionar a sustentabilidade dos empreendimentos. As entidades também associam esse cenário a possíveis efeitos sobre a competitividade e a manutenção de empregos formais.
Críticas a generalizações
Nos encontros com parlamentares, dirigentes do setor também mencionaram a necessidade de evitar análises consideradas simplificadas sobre o mercado de hospedagem. Segundo os representantes, utilizar como referência estabelecimentos de alto padrão, com maior capacidade de investimento e margens diferenciadas, não refletiria a realidade da maior parte dos meios de hospedagem do país.
A avaliação apresentada pelas entidades é de que o tema requer negociação coletiva, análise técnica e consideração do contexto econômico, especialmente em um ambiente político sensível.
Continuidade do diálogo institucional
Ao final da agenda, as entidades classificaram como positiva a participação nas discussões em Brasília. Segundo os representantes, a mobilização permitiu expor as preocupações do setor e reforçar a defesa de soluções que conciliem mudanças nas relações de trabalho com a sustentabilidade das operações.
A atuação conjunta também foi apresentada como parte de uma estratégia de diálogo institucional contínuo, com foco na construção de alternativas consideradas viáveis tanto para empresas quanto para trabalhadores.