Quando o poder muda de mãos, alianças viram armadilhas e a fé pode custar caro no campo de batalha. Em “Medieval”, dirigido por Petr Jákl, a guerra pelo trono do Sacro Império Romano serve de pano de fundo para acompanhar Jan Zizka, vivido por Ben Foster, um mercenário respeitado que aceita sequestrar Lady Katherine, personagem de Sophie Lowe, a pedido de Lord Boresh, interpretado por Michael Caine. A missão parece estratégica: impedir que o casamento dela fortaleça Lord Rosenberg e, por tabela, o rei Sigismund na disputa contra o irmão Wenceslas. Só que o plano político rapidamente se transforma em conflito pessoal.
Zizka começa a história como um homem que acredita na autoridade dos reis quase como dogma. Ele cumpre contratos, organiza emboscadas e lidera seus homens com disciplina, porque sua reputação depende disso. Ao aceitar o sequestro, ele entra num jogo maior do que imaginava. Katherine não é apenas uma peça de negociação; ela questiona a guerra, confronta suas decisões e expõe o impacto real das disputas nas vilas e nos camponeses. Essa convivência muda o ritmo da narrativa e, aos poucos, desloca o foco da simples execução de um plano para um embate interno no próprio protagonista.
Michael Caine dá a Lord Boresh um ar de estrategista experiente, alguém que movimenta aliados como quem rearranja peças num salão nobre. Ele contrata, promete, calcula. Já Til Schweiger, como Lord Rosenberg, representa a força que reage com poder militar e ambição clara de ampliar influência ao lado de Sigismund. Entre esses polos, Zizka precisa decidir até onde vai sua lealdade. E essa escolha não é teórica; ela envolve homens armados, territórios disputados e riscos imediatos.
O filme mistura ação e drama com uma pegada histórica que tenta ancorar a trajetória de Zizka em fatos conhecidos, mas sem transformar o personagem em estátua heroica. Ben Foster entrega um líder endurecido pela guerra, porém vulnerável quando confrontado por Katherine. Sophie Lowe constrói uma personagem firme, que não aceita ser apenas refém e interfere diretamente nas decisões que moldam o conflito. A relação entre os dois adiciona tensão emocional sem diluir a brutalidade do cenário.
Petr Jákl opta por batalhas físicas, sujas, próximas do chão e da lama. A câmera acompanha o desgaste dos combates e reforça a ideia de que cada vitória cobra um preço. Não há romantização fácil. Há corpos cansados, estratégias arriscadas e um trono vazio que alimenta traições. Ao mesmo tempo, o roteiro deixa claro que a guerra não é só entre reis, mas também sobre quem paga por essas disputas.
“Medieval” dá mais certo nos momentos em que se concentra nas escolhas de Zizka e nas consequências práticas dessas decisões. O filme pode soar solene em alguns momentos, mas ganha força quando humaniza seu protagonista e mostra que fé, honra e amor entram em choque num ambiente onde a sobrevivência fala mais alto. Sem entregar reviravoltas, dá para dizer que a jornada de Zizka é menos sobre conquistar poder e mais sobre decidir a quem ele deve obedecer quando o mundo ao redor desmorona.
Filme:
Medieval
Diretor:
Petr Jákl
Ano:
2022
Gênero:
Ação/Drama/Guerra/História
Avaliação:
8/10
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Fernando Machado
★★★★★★★★★★
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