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Entrou no Top 10 da Netflix e agora todo mundo quer entender por que esse thriller de ação virou febre

Dirigido por Simon West, “Stratton — Forças Especiais” reúne Dominic Cooper, Tyler Hoechlin, Gemma Chan e Thomas Kretschmann numa história que começa com uma infiltração ligada a armas químicas no Oriente Médio. Tudo começa sob pressão. Da missão saem o fracasso da operação e a morte de Marty, parceiro americano de John Stratton, perda que leva o agente de volta ao Reino Unido enquanto o nome de um russo dado como morto reaparece entre relatórios, mapas e salas de comando. O ponto de partida tem peso imediato, com um homem abalado, um agente letal fora de controle e a ameaça de um ataque contra civis muito longe do campo de batalha.

A sequência inicial, com entrada pela água e acesso a uma instalação química, sugere um thriller militar mais seco e mais áspero do que aquele que o filme sustenta depois. A abertura impressiona. Quando a ação retorna ao Reino Unido e a inteligência britânica liga o roubo do agente letal a Grigory Barovsky, o interesse passa a depender de perseguições, reuniões apressadas e vozes no rádio. A engrenagem avança, mas a gravidade do risco químico quase nunca encontra uma forma à altura do estrago prometido logo de saída.

O peso da perda

Isso pesa mais porque Marty não é apenas uma baixa de serviço, mas a relação que deveria dar a Stratton uma marca mais nítida. A perda pede alguma rachadura. O roteiro insiste no luto do parceiro, na suspeita de vazamento interno e na corrida para descobrir o alvo de um ataque pensado para civis, só que Dominic Cooper atravessa quase tudo com a mesma rigidez no rosto e no corpo. Quando Stratton volta a receber ordens de Sumner e entra em campo com uma célula de apoio técnico, a dor da abertura vira mais um item entre dossiês, deslocamentos e novas coordenadas.

Também não ajuda o fato de boa parte da encenação ficar presa a marcas muito gastas da espionagem de segunda linha. Falta corpo a essas salas. As cenas de comando à distância, com a equipe acompanhando operações e despejando informação sobre a ameaça química, lembram mais televisão genérica do que cinema de ação. O possível infiltrado dentro da estrutura britânica, que poderia contaminar as relações do grupo e adensar a desconfiança, acaba servindo apenas para empurrar Stratton de uma pista a outra pela Europa, entre telas, fones e ordens secas.

Quando a ação ganha corpo

Quando Simon West sai do escritório e volta ao movimento, “Stratton — Forças Especiais” encontra algum pulso. A ação respira melhor ali. A perseguição de barco no Tâmisa e o clímax com tiros em torno de um ônibus de dois andares dão ao perigo um contorno mais físico, porque a água, o casco, o trânsito e a altura finalmente obrigam a cena a lidar com peso, velocidade e espaço. Ainda assim, a montagem nervosa e a ausência de um centro humano mais firme fazem com que esses picos pareçam blocos soltos, cercados por preparações que nunca acumulam pressão suficiente.

Há detalhes laterais que deixam uma impressão curiosa, como as cenas no barco-casa com Ross, veterano vivido por Derek Jacobi, uma espécie de abrigo excêntrico para um herói sem descanso. Ali surge outro filme. Essas passagens destoam das salas de comando, do luto por Marty e da busca para impedir que o agente químico chegue a Londres com apoio de drone, mas introduzem uma estranheza que o restante evita. Simon West conduz um thriller espalhado entre Oriente Médio, Reino Unido e Europa sem achar forma para o perigo que anuncia, e a lembrança que fica é a de um barco parado na água escura.

Filme:
Stratton — Forças Especiais

Diretor:

Simon West

Ano:
2017

Gênero:
Ação/Aventura/Thriller

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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