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Entre os melhores do Prime Video: um thriller com Tom Hardy que passou batido

Mafiosos podem ser gente como a gente, homens que se apaixonam à primeira vista por uma bela moça, a quem fazem a corte até que ela ceda, ou homossexuais enrustidos e de algum refinamento, por cuja cabeça jamais passa a ideia de renunciar a sua cota de virilidade e tanto menos à participação direta em crimes hediondos de toda natureza. Essa é a ideia central de “Lendas do Crime”, o formidável noir em que Brian Helgeland, um americano de Providence, a capital de Rhode Island, na Nova Inglaterra, destrincha a história melancolicamente sombria de Ronald (1933-1995) e Reginald Kray (1933-2000), os gêmeos univitelinos que dão as cartas no submundo londrino durante os anos 1960.

Noir, trevas e o negativo de “Los Angeles — Cidade Proibida”

“Lendas do Crime” se parece muito com “Los Angeles — Cidade Proibida” (1997), pelo qual Helgeland ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, sem as cores quentes e o apelo sexual que Curtis Hanson (1945-2016) atribui à Cidade dos Anjos. Este filme é como se fosse um negativo do longa de Hanson: onde havia luz estourada em intensidades gradativas há agora as onipresentes trevas que a fotografia de Dick Pope faz questão de ressaltar, envolvendo a audiência na sufocante bruma de uma sequência de mistérios sem segredos que mais entristecem que intrigam.

Frances Shea narra a escalada dos gêmeos Kray

Ronnie e Reggie eram conhecidos por toda a Londres, às vezes por barbaridades que ainda não haviam cometido. Assim começa a história, com o diretor optando por encarregar Frances Shea (1944-1967), a cunhada e esposa, de narrar as glórias e os infortúnios dos gêmeos, numa escalada implacável do East End, ao norte do rio Tâmisa, para o lado sul da metrópole, mais e mais rico. Baseado em “A Profissão da Violência: A Ascensão e Queda dos Gêmeos Kray” (1972), do biógrafo britânico John Pearson (1930-2021), corroteirista, o trabalho de Helgeland mantém Frances como uma figura de destaque em boa parte dos 132 minutos, que passam sem que se sinta, mesmo depois que os gângsteres tem sua intimidade escancarada por Pearson — é Frances, aliás, quem responde pelo verdadeiro enigma e grande reviravolta do filme, quando já não se esperava mais nada de um enredo linear sobre megacriminosos que enchem as páginas da crônica policial desde que o mundo é mundo.

Tom Hardy em dupla e o fim dos Kray

Na pele dos dois protagonistas masculinos, Tom Hardy dispõe da merecida oportunidade para mostrar o ator versátil e sensível, indo do machão Reggie para Ronnie, o gay discreto e “ativo, não a menina” de seus casos sem dificuldade e batendo uma bola redonda com Emily Browning, que nunca hesita ao demonstrar a ambiguidade de Frances, antes uma garota pacata, naquele universo. No desfecho, cortante, o diretor explica o fim dos Kray, sem Frances. Reginald deixa a prisão por razões humanitárias oito semanas antes de morrer de câncer, em 1º de outubro de 2000, aos 66 anos. Ronald Kray foi condenado pelo homicídio de George Cornell, um seu desafeto pessoal. Diagnosticado portador de esquizofrenia paranoide, foi mantido como interno permanente no Hospital Psiquiátrico Broadmoor, até morrer de um ataque cardíaco, em 17 de março de 1995. Ele tinha 61 anos.

Filme:
Lendas do Crime

Diretor:

Brian Helgeland

Ano:
2015

Gênero:
Biografia/Crime/Thriller

Avaliação:

10/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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