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Emicida defende humanidade, vulnerabilidade e propósito no final do 1º dia de Lacte 21

São Paulo (SP) — O primeiro dia do Lacte 21 terminou com uma conversa profunda sobre humanidade, trabalho e propósito. Em um bate-papo mediado por Sarah Oliveira, o rapper Emicida levou ao palco reflexões que atravessaram arte, negócios e relações humanas, conectando sua trajetória pessoal às dinâmicas do ambiente corporativo.

Logo no início, Sarah destacou o impacto do novo disco do artista e puxou um dos temas centrais da conversa: a importância da compreensão como caminho para o perdão. A partir daí, Emicida passou a falar sobre o chamado “lado B” — aquilo que carrega sombras, contradições e vulnerabilidades. Para ele, esse lado não é oposto à luz, mas parte dela. “Qual o sentido do trabalho se eu não posso ocupar esse espaço sendo eu por inteiro?”, questionou.

Segundo o artista, em um mundo que durante muito tempo exigiu encaixe em padrões rígidos, ser quem se é no ambiente profissional se tornou um ativo poderoso. Emicida defendeu que pessoas fluem melhor quando podem existir por completo e alertou para o quanto a sociedade já abriu mão de aspectos valiosos da experiência humana em nome de produtividade e adaptação.

A conversa avançou para o conceito de vulnerabilidade, frequentemente confundido com fraqueza. Emicida propôs outra leitura: vulnerabilidade como presença, abertura e força. Para ele, estar vulnerável é estar disponível ao agora, às ideias do outro e às possibilidades de criação conjunta. “Vulnerabilidade de abertura”, definiu, ao relatar a trajetória da cantora Laíde Costa como exemplo de resistência, doçura firme e permanência artística apesar de apagamentos históricos.

O rapper também compartilhou bastidores do documentário AmarElo, lembrando da apresentação no Theatro Municipal de São Paulo como um momento histórico para uma comunidade que precisava se ver representada naquele espaço. Para Emicida, eventos são justamente isso: rupturas no cotidiano, experiências que suspendem o antes e o depois. “Evento é um momento marcante”, afirmou, comparando essas vivências a instantes em que o tempo parece se distorcer.

Ao falar sobre negociações com grandes plataformas, como a Netflix, Emicida destacou a importância da paciência e da defesa de valores. Relatou episódios em que precisou sustentar decisões criativas mesmo diante de questionamentos corporativos, reforçando que mercado muda, tendências passam, mas princípios permanecem. Para ele, proteger aquilo em que se acredita é essencial para construir projetos que não sejam apenas rentáveis, mas transformadores.

Em outro momento do diálogo, o artista trouxe referências filosóficas e musicais, citando João Gilberto como exemplo de alguém capaz de transformar um estádio em uma sala de estar, pela atenção aos detalhes e pela intensidade da presença. Essa capacidade de mudar a atmosfera de um espaço foi apontada como essência da transformação verdadeira — aquela que nasce da conexão e não do espetáculo vazio.

Questionado sobre como ativar a energia de uma plateia, Emicida relembrou um ensinamento de Elis Regina: ao subir no palco, é preciso mostrar que se está junto das pessoas. Para ele, não importa se há milhares ou apenas uma pessoa na audiência — o compromisso é fazer daquele encontro algo relevante. Essa consciência passa também por reconhecer o esforço de quem escolhe estar presente em um evento ou show.

O rapper ainda contou episódios em que precisou improvisar apresentações em condições precárias, como um show realizado com megafone após um apagão no Rio de Janeiro. Segundo ele, o que sustenta esses momentos é o trabalho prévio de criar expectativa, contar histórias e convidar o público a fazer parte da experiência.

Ao longo da conversa, Sarah Oliveira conectou esses relatos ao universo corporativo, destacando como temas como conexão, escuta e presença atravessaram toda a programação do Lacte 21. Emicida reforçou que tecnologia precisa ser aliada, não substituta das relações humanas, e que o Brasil carrega uma força coletiva ainda pouco explorada.

Para o artista, a responsabilidade da geração atual é transformar o país “do futuro” em país do presente — agora. E isso passa por reconhecer o valor do encontro, da vulnerabilidade e da construção de experiências que toquem as pessoas de verdade.

O bate-papo encerrou o primeiro dia do Lacte 21, promovido pela Alagev, deixando como mensagem central que alta performance, inovação e impacto real começam onde a humanidade encontra espaço para existir.



Fonte

Redação

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