O dólar está prestes a registrar sua melhor semana em quatro meses, à medida que operadores reduzem as expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve e os riscos geopolíticos reforçam o apelo da moeda como ativo de proteção.
O Bloomberg Dollar Spot Index avançou 0,9% nesta semana e caminha para o maior ganho desde outubro. A alta da inflação e dados recentes da economia dos Estados Unidos turvaram as perspectivas de afrouxamento monetário neste ano, sustentando a moeda americana. O reforço contínuo das forças dos EUA no Golfo Pérsico também aumentou a atratividade do dólar, tradicional destino em momentos de incerteza.
“Os mercados estão migrando para uma probabilidade maior de envolvimento entre EUA e Irã”, afirmou Richard Cochinos, estrategista de câmbio da RBC Capital Markets. “A pressão altista sobre o petróleo impede que o euro e o iene sejam vistos como ativos de proteção, então o dólar ocupa esse espaço.”
O iene caiu 1,8% na semana, para perto de 155,50 por dólar. O euro recuou 1% no período, a US$ 1,1750.
O mercado de opções também mostra mudança de tom, com posições de curto prazo ficando nas mais otimistas para o dólar desde novembro.
Nos últimos meses, a moeda americana vinha sob pressão enquanto outros grandes bancos centrais mantinham juros estáveis ou sinalizavam altas, ao passo que o Fed era visto promovendo novos cortes — percepção reforçada pela indicação do presidente Donald Trump de Kevin Warsh para assumir a presidência do banco central. A incerteza sobre a política comercial dos EUA também pesou sobre o dólar, que registrou em 2025 sua maior queda em oito anos.
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A ata da reunião mais recente do Fed, porém, mostrou que autoridades se mostraram mais cautelosas do que o esperado quanto à redução dos juros no encontro do mês passado. Vários membros sugeriram que o banco central pode precisar elevar os custos de empréstimos no futuro, caso a inflação permaneça persistentemente elevada.
Ao longo da semana, uma série de indicadores — incluindo forte queda nos pedidos de seguro-desemprego — enfraqueceu ainda mais o argumento para cortes agressivos. O mercado passou a precificar cerca de 58 pontos-base de redução ao longo deste ano, ante 63 pontos-base no fim da semana passada.
“O foco agora deve sair do mercado de trabalho e voltar para os dados de inflação”, escreveu Chris Turner, chefe de estratégia de câmbio do ING Bank NV.
A continuidade de dados econômicos fortes nos EUA pode forçar investidores pessimistas a desmontar apostas contra o dólar, o que adicionaria força adicional à moeda. Na semana passada, operadores especulativos ampliaram posições vendidas em dólar, atingindo o maior nível de pessimismo desde junho, segundo dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC). O relatório mais recente da CFTC deve ser divulgado na sexta-feira.
Também na sexta-feira, os EUA divulgam o índice de gastos com consumo pessoal (PCE) de dezembro, além do Produto Interno Bruto (PIB) do último trimestre de 2025.
“O tom mais positivo do dólar nesta semana reflete uma perspectiva menos negativa para a economia americana”, disse Jane Foley, chefe de estratégia de câmbio do Rabobank. “Embora o mercado possa não estar disposto a montar posições compradas relevantes em dólar, vemos potencial para novas coberturas de posições vendidas se os dados continuarem surpreendendo positivamente.”
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Ainda assim, há investidores que mantêm visão negativa para a moeda. Nathan Thooft, gestor sênior da Manulife Investment Management, afirmou que, embora “o Irã seja o principal tema no momento”, o dólar tende a se enfraquecer ao longo do tempo.
“Seguimos na visão de uma tendência estrutural de queda do dólar no longo prazo”, disse. No entanto, “haverá períodos mais curtos em que o dólar apresentará força.”
©️2026 Bloomberg L.P.
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