Categories: Economia

Em conversa com Tarcísio, Bolsonaro descarta filho Eduardo como presidenciável

No primeiro encontro desde que foi condenado a 27 anos de prisão com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, Jair Bolsonaro afirmou, segundo aliados, que deseja manter a candidatura de Eduardo Bolsonaro ao Senado por São Paulo em 2026, mas descartou a possibilidade de que o filho seja lançado ao Planalto.

A reunião, um almoço, ocorreu no condomínio em que o ex-presidente cumpre prisão domiciliar, em Brasília, e contou também com a presença do senador Flávio Bolsonaro e do vereador Jair Renan.

Segundo relatos de interlocutores, Bolsonaro foi taxativo ao defender Eduardo como nome da família na disputa paulista. A leitura é que, embora a vaga não inviabilize outros aliados — como Guilherme Derrite, ex-secretário da Segurança de Tarcísio e hoje deputado pelo PP —, a ênfase no filho simboliza a tentativa do ex-presidente de preservar influência direta sobre o maior colégio eleitoral do país.

LISTA GRATUITA

10 small caps para investir

A lista de ações de setores promissores da Bolsa

Eduardo, porém, está fora do Brasil desde fevereiro e enfrenta investigações que podem levá-lo à inelegibilidade, o que faz com que aliados já discutam alternativas para a chapa.

A posição de Bolsonaro contrasta com a do próprio Eduardo, que na semana passada declarou em entrevista ao Metrópoles que seria candidato à Presidência mesmo sem o apoio do pai.

— Eu sou, na impossibilidade de Jair Bolsonaro, candidato a presidente da República; por isso que o sistema corre e se apressa para tentar me condenar em algum colegiado, que seja na Primeira Turma do STF, para tentar me deixar inelegível — afirmou.

Continua depois da publicidade

Entre aliados, cresce a avaliação de que, caso Eduardo permaneça fora do Brasil ou tenha sua situação jurídica agravada, não há como registrar a sua candidatura em 2026. A aposta de Bolsonaro no Senado funciona, nesse contexto, também como tentativa de blindagem, oferecendo ao filho uma plataforma eleitoral considerada por aliados como mais segura do que a retórica presidencial.

Já em relação ao Planalto, Bolsonaro teria dito a Tarcísio que não enxerga viabilidade em um projeto nacional de Eduardo. Ao contrário do que aliados próximos ventilam, trata a hipótese como recurso retórico, útil para manter o protagonismo da família no debate público e preservar a narrativa de perseguição que sustenta sua base. O governador paulista, por sua vez, aproveitou o encontro para reafirmar que será candidato à reeleição, resistindo às pressões de setores do bolsonarismo que gostariam de vê-lo no Planalto.

A insistência na reeleição é lida por aliados como uma forma de dar uma “acalmada” nas especulações e ganhar tempo, até porque, em meio à indefinição sobre o futuro de Bolsonaro e à tramitação da anistia no Congresso, qualquer gesto antecipado poderia gerar ruído. Na saída, Flávio Bolsonaro fez questão de elogiar o governador, mas condicionou o debate da sucessão à aprovação da anistia.

Continua depois da publicidade

— Tarcísio é um dos principais ativos que a centro-direita tem. Tem feito um grande trabalho — disse o senador. E acrescentou: — Somente após esse processo legislativo da anistia e esse desenrolar final, não tem porque antecipar nome de nada.

No PL, dirigentes avaliam que a candidatura de Eduardo ao Senado era o caminho natural, mas que o cenário tende a se complicar. Valdemar Costa Neto, presidente da legenda, busca calibrar o discurso entre a lealdade à família Bolsonaro e a pressão do centrão por nomes com maior viabilidade. Um aliado direto de Valdemar afirmou que Eduardo já é tido como carta fora do baralho.

O próprio Tarcísio tem interesse em emplacar Derrite na outra vaga paulista, o que permitiria à direita lançar uma chapa dupla competitiva em 2026. Além de Eduardo e Derrite, circulam ainda outros nomes nas conversas: Marcos Pereira, presidente do Republicanos, que mantém proximidade com o governador e poderia pleitear espaço; Ricardo Salles, lembrado por alas mais ideológicas, e até Janaína Paschoal, ex-deputada que conserva recall entre bolsonaristas.

Continua depois da publicidade

O almoço desta segunda também teve espaço para tratar da pauta da anistia. Tarcísio declarou na saída que a proposta de redução de penas “não satisfaz” e reiterou a defesa de um texto mais abrangente. Para aliados, a insistência em uma solução legislativa capaz de aliviar a situação de Bolsonaro funciona como moeda política e condiciona qualquer conversa sobre 2026.

Fora dos microfones, uma ala menos radical do PL negocia para que Bolsonaro cumpra sua pena em domiciliar. A família, contudo, afirma que qualquer negociação ocorre sem sua autorização.



Fonte

Redação

Share
Published by
Redação

Recent Posts

Novo leilão do Aeroporto de Brasília avança em 2026 e Inframerica reage ao futuro da concessão

TCU aprova repactuação e novo leilão do aeroporto será realizado ainda este ano (Arquivo/M&E)A concessionária…

1 minuto ago

Famílias afetadas por enchentes em MG precisam validar cadastro

Famílias atingidas pelas chuvas em Juiz de Fora e Ubá, em Minas Gerais, já podem…

5 minutos ago

veja qual é a fase lunar desta segunda-feira, 06 de abril de 2026

Nesta segunda-feira, 06 de abril, a Lua está em sua fase Cheia, um dos momentos…

20 minutos ago

Suspense instigante com Daisy Ridley que vai manter seus olhos fixos na TV, no Prime Video

Em “A Filha do Rei do Pântano”, dirigido por Neil Burger, acompanhamos Helena Pelletier (Daisy Ridley), uma…

21 minutos ago

United Airlines lança nova estrutura de tarifas

A United Airlines anunciou uma nova estrutura de tarifas organizada por níveis, iniciativa que busca…

1 hora ago

Refeição em self-service pode dobrar de preço dependendo da região, mostra Procon

Uma refeição em um restaurante self-service de São Paulo pode ser quase duas vezes mais…

1 hora ago