Se toda história dispõe de começo, meio e fim, é lógico pensar que o mesmo se dê com a Terra — e com o próprio universo —, e, quiçá, tudo se reinicie de outro modo. As pesquisas de Albert Einstein (1879-1955) acerca do tempo e as diferentes posturas dos corpos diante do deslocamento da luz e da ação gravitacional, a base científica para a formulação da célebre Teoria Geral da Relatividade, em 1905, podem explicar o frenesi do homem quanto a deter a passagem dos anos a seu talante. Inconstância talvez seja a palavra milimetricamente perfeita para a encantadora e misteriosa relação da humanidade com o cosmo, tema central de “Em Um Piscar de Olhos”. Andrew Stanton urde uma parábola cheia de ramificações sobre em que medida passado, presente e futuro compõem um único todo, nem sempre coeso, mas harmônico de qualquer forma.
Uma mulher espera o segundo filho num ambiente inóspito, mas não sente medo. Estamos em 45000 a.C., e essa família do começo do fim da era neandertal não difere muito de qualquer outra que viva no agora. Stanton desenvolve a proposta do roteirista Colby Day em imagens grandiosas, que ligam esses nossos ancestrais a Claire, uma antropóloga que conduz uma pesquisa acadêmica sobre a vida durante a pré-história. Entre um e outro artigo, ela tenta viver, e acha tempo para folguedos amorosos com Greg, um estudante de estatística, mas o caso vai se arrastando sem muita clareza, uma aflição de que ela não precisava e da qual não sabe como se livrar. Rashida Jones e Daveed Diggs movem o eixo central da narrativa para um novo polo, em que surge Coakley, que em 2417 se lança ao espaço com a missão de levar células-tronco que gerará a população de um planeta recém-descoberto. Ela chegará ao seu destino em 126 anos, acompanhada de ROSCO, um dispositivo de inteligência artificial com quem terá de contar a fim de resolver um imprevisto com a nave.
Filmes que, de uma forma ou de outra, tratam do homem, sua interação com o ambiente e as consequências mais deletérias desse fenômeno — o apocalipse, no pior cenário — já se tornaram o clichê por excelência do cinema mundial hoje. Stanton, porém, consegue dotar seu filme de uma perspectiva estimulante, mesclando insinuações acerca do potencial autodestrutivo de nossa espécie a análises humanistas, que apostam no bom-senso que ainda nos resta. Kate McKinnon reveste Coakley dessa aura messiânica, contornando excessos de um enredo caudaloso por natureza, mas que prima pelo rigor e pela prudência. Os 94 minutos voam como um foguete, deixando a sensação de que também nós estamos a caminho de um convescote em alguma outra civilização.
Filme:
Em Um Piscar de Olhos
Diretor:
Andrew Stanton
Ano:
2026
Gênero:
Drama/Ficção Científica
Avaliação:
8/10
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Giancarlo Galdino
★★★★★★★★★★
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