A vida perderia muito de sua graça sem as inconstâncias que teimam em nos rondar, lembrando-nos de nossa fraqueza invencível, nossa indelével covardia, nosso desdém pelo que de fato tem valor, nosso apego à glória quimérica do mundo. A vida é um torneio sem regras durante o qual uns poucos sortudos sobem ao pedestal e a maioria desce ao limbo, um tudo-ou-nada em que apenas a vitória interessa e o choro dos derrotados perde-se na festa dos campeões. Hope Ann Greggory sabe bem o que é isso. Ela teve seus quinze minutos de uma fama questionável após conseguir o terceiro lugar nos Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas, um presente de grego que nunca a alegrou. Ninguém precisa ser atleta para entender o que Bryan Buckley pretende com “Medalha de Bronze”, uma história fictícia, mas cheia de lances assustadoramente certeiros sobre o mal-estar do sucesso, sobretudo quando efêmero e incapaz de mudar a realidade de alguém. Buckley investe sua anti-heroína de uma amargura exótica, incômoda, mas de que achamos graça. Eis o seu triunfo.
Ao contrário do que seu nome pode sugerir, Hope já perdeu a esperança faz muito tempo. Ela sabe que poderia ter ido mais longe se não fosse a lesão que acabou interferindo nos resultados na Grécia, às vezes reflete sobre sua determinação de ter seguido até as últimas consequências na busca do ouro e se consola com a bajulação de alguns vizinhos, que trata aos coices. Na abertura, ela está na cama, tentando um momento de autossatisfação sexual enquanto assiste ao vídeo que nos convence que era mesmo uma promessa no esporte, e é cada vez mais difícil precisar que sentimentos ela desperta. Melissa Rauch desvela nuanças tragicômicas em Hope, e seu roteiro, assinado junto com o marido, Winston, bate na tecla da mágoa e dos maus bofes da aspirante a megera com um propósito que fica mais claro a seguir. Hope tem a oportunidade de passar sua história a limpo treinando Maggie Townsend, a nova sensação da ginástica olímpica vivida por Haley Lu Richardson, mas não é nada fácil para ela admitir que sua posição agora é nos bastidores. “Medalha de Bronze” ganha um contorno de fábula de superação e retomada comuns em tramas esportivas, mas Buckley, Rauch e, principalmente, Sebastian Stan mantêm o vigor do enredo. A certa altura, o sexo bestial com Lance Tucker, o típico casanova encarnado por Stan, é o estímulo que faltava a Hope para se levantar, mesmo como mera observadora do esplendor de mocinhas com todos os ligamentos preservados.
Filme:
Medalha de Bronze
Diretor:
Bryan Buckley
Ano:
2015
Gênero:
Comédia/Drama
Avaliação:
8/10
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Giancarlo Galdino
★★★★★★★★★★
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