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Drama com Cillian Murphy na Netflix vai te deixar com o choro preso na garganta e um aperto no coração

“Steve” acompanha o cotidiano de Steve (Cillian Murphy), diretor de um reformatório juvenil que luta para mantê-lo funcionando enquanto sua própria saúde mental começa a falhar. Ele não é apresentado como herói nem como mártir, mas como alguém tentando segurar uma estrutura frágil com recursos limitados, regras rígidas e cobranças constantes. Cada decisão administrativa tem peso imediato: uma concessão vira risco, um atraso vira ameaça de fechamento.

Dentro da escola, o caso que mais expõe essas tensões é o de Shy (Jay Lycurgo), um jovem marcado pela agressividade e pela vulnerabilidade. Shy reage mal à autoridade, entra em conflito com colegas e carrega um histórico que o impede de avançar com facilidade. Ao mesmo tempo, há nele uma chance concreta de mudança, sempre colocada à prova por impulsos, registros disciplinares e decisões tomadas no calor do momento. O filme nunca simplifica esse embate, nem transforma o garoto em símbolo abstrato: cada erro tem consequência prática.

Steve tenta negociar espaço para Shy enquanto precisa responder a instâncias superiores que cobram resultados rápidos. A presença de Clare (Tracey Ullman), ligada à engrenagem institucional que fiscaliza e avalia a escola, reforça o choque entre cuidado e burocracia. Clare não é vilã nem aliada automática; ela representa um sistema que funciona por prazos, relatórios e decisões formais, pouco sensível a improvisos emocionais.

À medida que a pressão aumenta, a saúde mental de Steve deixa de ser detalhe e passa a interferir diretamente no funcionamento da escola. Ele se ausenta, adia conversas importantes e perde margem de controle. O filme trata isso sem dramatização excessiva: não há discursos, apenas efeitos visíveis. Quando Steve não está presente, regras se tornam mais duras, e Shy sente essa mudança no corpo, no tom das abordagens e nas punições aplicadas.

Tim Mielants dirige o drama com olhar contido, interessado menos em grandes viradas do que na soma de pequenos gestos. O humor aparece de forma seca, quase constrangida, nas tentativas frustradas de manter normalidade em um ambiente que claramente não aguenta mais tensão. A narrativa avança sempre por ações concretas: uma reunião marcada, um registro feito, uma decisão adiada.

“Steve” observa como instituições lidam mal com fragilidade humana e como pessoas bem-intencionadas também erram quando o tempo e a autoridade jogam contra. Fica a impressão de que o filme não é uma lição moral, mas uma provocação incômoda de que, ali, cada escolha teve um custo real, e alguém sempre pagou por ela.

Filme:
Steve

Diretor:

Tim Mielants

Ano:
2025

Gênero:
Drama

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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