“Steve” acompanha o cotidiano de Steve (Cillian Murphy), diretor de um reformatório juvenil que luta para mantê-lo funcionando enquanto sua própria saúde mental começa a falhar. Ele não é apresentado como herói nem como mártir, mas como alguém tentando segurar uma estrutura frágil com recursos limitados, regras rígidas e cobranças constantes. Cada decisão administrativa tem peso imediato: uma concessão vira risco, um atraso vira ameaça de fechamento.
Dentro da escola, o caso que mais expõe essas tensões é o de Shy (Jay Lycurgo), um jovem marcado pela agressividade e pela vulnerabilidade. Shy reage mal à autoridade, entra em conflito com colegas e carrega um histórico que o impede de avançar com facilidade. Ao mesmo tempo, há nele uma chance concreta de mudança, sempre colocada à prova por impulsos, registros disciplinares e decisões tomadas no calor do momento. O filme nunca simplifica esse embate, nem transforma o garoto em símbolo abstrato: cada erro tem consequência prática.
Steve tenta negociar espaço para Shy enquanto precisa responder a instâncias superiores que cobram resultados rápidos. A presença de Clare (Tracey Ullman), ligada à engrenagem institucional que fiscaliza e avalia a escola, reforça o choque entre cuidado e burocracia. Clare não é vilã nem aliada automática; ela representa um sistema que funciona por prazos, relatórios e decisões formais, pouco sensível a improvisos emocionais.
À medida que a pressão aumenta, a saúde mental de Steve deixa de ser detalhe e passa a interferir diretamente no funcionamento da escola. Ele se ausenta, adia conversas importantes e perde margem de controle. O filme trata isso sem dramatização excessiva: não há discursos, apenas efeitos visíveis. Quando Steve não está presente, regras se tornam mais duras, e Shy sente essa mudança no corpo, no tom das abordagens e nas punições aplicadas.
Tim Mielants dirige o drama com olhar contido, interessado menos em grandes viradas do que na soma de pequenos gestos. O humor aparece de forma seca, quase constrangida, nas tentativas frustradas de manter normalidade em um ambiente que claramente não aguenta mais tensão. A narrativa avança sempre por ações concretas: uma reunião marcada, um registro feito, uma decisão adiada.
“Steve” observa como instituições lidam mal com fragilidade humana e como pessoas bem-intencionadas também erram quando o tempo e a autoridade jogam contra. Fica a impressão de que o filme não é uma lição moral, mas uma provocação incômoda de que, ali, cada escolha teve um custo real, e alguém sempre pagou por ela.
Filme:
Steve
Diretor:
Tim Mielants
Ano:
2025
Gênero:
Drama
Avaliação:
9/10
1
1
Fernando Machado
★★★★★★★★★★
Cada ser humano carrega suas perdas, medos e a solidão com a qual vai aprendendo…
Os Estados Unidos nomearam diplomata que já foi duas vezes embaixadora dos EUA como sua…
Quando voc encontra uma cadela linda em um lugar inusitado ou no meio do nada,…
A primeira linha de ação de “Bastardos Inglórios” é simples de enunciar e difícil de…
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o presidente do Congresso…
A Azul Linhas Aéreas anunciou nesta quinta-feira (22), a ampliação de sua malha aérea no…