O dólar à vista opera com alta ante o real nesta quarta-feira (10), após abertura negativa, com as atenções estão voltadas para indicações sobre o futuro das taxas de juros no Brasil e nos EUA. O Fed deve cortar os juros em sua decisão às 16h, enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC deve manter a Selic em 15% ao ano.
Os investidores também monitoram as movimentações políticas em Brasília após a Câmara ter aprovado projeto que reduz as penas dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado.
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Às 10h13, a moeda norte-americana à vista operava em baixa de 0,43%, aos R$ 5,458 na venda. O contrato de dólar futuro para janeiro — atualmente o mais líquido no Brasil — subia 0,57% na B3, aos R$ 5,491.
Dólar comercial
- Compra: R$ 5,458
- Venda: R$ 5,458
Dólar Turismo
- Compra: R$ 5,465
- Venda: R$ 5,645
Na seara política, a Câmara aprovou o projeto, conhecido como PL da Dosimetria, que pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado. Segundo cálculos da equipe do relator Paulinho da Força (Solidariedade-SP),a pena em regime fechado cairia para cerca de 2 anos e 4 meses se o texto virar lei.
Na sessão desta quarta-feira, a possibilidade de aprovação da proposta na Câmara havia contribuído para desacelerar a alta do dólar ante o real, em meio à leitura de que, com a redução de pena de Bolsonaro, aumentariam as chances de o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu filho, desistir da candidatura à Presidência em 2026. Isso colocaria na disputa novamente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o favorito do mercado.
Apesar da aprovação na Câmara, o projeto ainda precisa passar pelo Senado e, posteriormente, ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se o texto for vetado por Lula, o Congresso ainda poderia votar pela derrubada do veto. Há ainda dúvidas sobre a postura do Supremo Tribunal Federal (STF) quanto à validade da proposta.
Assim, como o cenário sem a candidatura de Flávio é tortuoso, o mercado de câmbio mostra pouca disposição para ajustes mais intensos de baixa para o dólar.
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A cautela também antecede a decisão sobre juros do Federal Reserve, à tarde, e do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, à noite. A expectativa majoritária do mercado é de que o Fed corte os juros em 25 pontos-base, para a faixa de 3,50% a 3,75%, e que o Copom mantenha a Selic em 15%.
O diferencial de juros entre Brasil e EUA tem sido apontado como um dos principais fatores para o país se manter atrativo ao capital externo, o que segura as cotações do dólar em níveis mais baixos.
Os investidores estarão atentos, no entanto, às mensagens do Fed e, em especial, do BC, em busca de pistas sobre a política monetária nos dois países nos próximos meses.
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Mais cedo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu0,18%em novembro, ante alta de 0,09% em outubro. O resultado é o menor para um mês de novembro desde 2018, quando a variação foi de -0,21%. No ano, a inflação acumula alta de 3,92% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 4,46%. Em novembro de 2024, a variação havia sido de 0,39%.
Os números também ficaram levemente abaixo do esperado. Analistas consultados pela Reuters tinham projeção média de alta de 0,20% na comparação mensal e avanço de 4,49% na visão ano a ano.
(Com Reuters)

