“O Dublê” parte de um ponto simples e bastante humano: o que acontece quando alguém que sempre viveu à sombra dos outros é obrigado a voltar ao centro da ação. Colt Seavers (Ryan Gosling) é um dublê experiente que abandona a carreira depois de um acidente sério, daqueles que não afetam só o corpo, mas também a confiança. O filme não romantiza esse afastamento. Ele deixa claro que Colt sai de cena porque não consegue mais lidar com o risco constante e com a sensação de ser facilmente substituível.
O retorno acontece quando ele é chamado para trabalhar em uma grande produção de Hollywood dirigida por Jody Moreno (Emily Blunt), sua ex-namorada. A escolha não é casual nem confortável. Jody está tentando se afirmar como diretora em um ambiente dominado por pressão, prazos e egos inflados, e Colt surge como a solução prática para um problema urgente: executar as cenas de ação de Tom Ryder (Aaron Taylor-Johnson), astro do filme e figura central de toda a engrenagem.
A relação entre Colt e Jody é conduzida com leveza, sem exageros melodramáticos. Existe afeto, mágoa e, principalmente, um cuidado mútuo que nunca é dito de forma direta. O reencontro dos dois acontece sempre entre tomadas, reuniões improvisadas e decisões tomadas no limite do tempo. Isso dá ao romance um tom mais adulto, menos idealizado, sustentado por gestos pequenos e escolhas difíceis.
Ryan Gosling faz de Colt um personagem carismático sem esforço. Ele mistura cansaço físico, ironia e um senso de responsabilidade quase teimoso. É fácil entender por que esse dublê continua aceitando situações perigosas mesmo quando sabe que está se colocando em risco. Já Emily Blunt constrói uma Jody firme, prática e constantemente testada. Ela precisa provar autoridade o tempo todo, inclusive para si mesma, enquanto tenta não deixar que questões pessoais interfiram no trabalho.
Aaron Taylor-Johnson, como Tom Ryder, representa bem o contraste entre quem aparece e quem realmente sustenta o espetáculo. Sua presença, mesmo quando limitada, ajuda a evidenciar a lógica da indústria retratada pelo filme: estrelas são protegidas, enquanto outros absorvem o impacto literal das decisões tomadas nos bastidores.
Dirigido por David Leitch, que conhece bem o universo das cenas de ação, “O Dublê” funciona melhor quando observa esse mundo por dentro. O humor surge naturalmente do absurdo das situações, da repetição das quedas, da burocracia que trata corpos como recursos. Não é uma comédia de piadas fáceis, mas de contrastes: enquanto executivos discutem contratos, alguém está prestes a se jogar de um prédio.
Sem entregar reviravoltas ou soluções fáceis, o filme se sustenta como uma homenagem divertida e crítica aos profissionais invisíveis do cinema. “O Dublê” entende que por trás de cada grande cena existe alguém se arriscando de verdade, muitas vezes sem aplausos, e encontra aí sua força emocional mais sincera.
Filme:
O Dublê
Diretor:
David Leitch
Ano:
2024
Gênero:
Ação/Comédia/Drama/Romance
Avaliação:
8/10
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Helena Oliveira
★★★★★★★★★★
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