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Dinamarca se despede do F-16 após mais de 40 anos

Dinamarca se despede do F-16 após mais de 40 anos

Último voo marca o fim da era do F-16 na Força Aérea Dinamarquesa, enquanto parte da frota seguirá operando na Argentina e na Ucrânia

A Força Aérea Real Dinamarquesa (RDAF, na sigla em inglês) encerrou discretamente um capítulo central de sua história operacional. Após mais de quatro décadas em serviço, o F-16 Fighting Falcon realizou seu último voo oficial com cores dinamarquesas, consolidando a transição definitiva para o F-35A Lightning II.

A despedida ocorreu na Base Aérea de Skrydstrup, na divisa com a Alemanha, quando um F-16 pousou pela última vez como aeronave operacional da RDAF. Horas antes, outros três exemplares haviam decolado em formação, utilizando pós-combustão, em um voo simbólico que marcou o fim da era do “Viper” na Dinamarca. A cerimônia reuniu militares e autoridades e teve como protagonista o Esquadrão 727, último operador do modelo.

A introdução do F-16 na Dinamarca remonta ao final dos anos 1970, em uma aquisição conjunta com Bélgica, Holanda e Noruega, conhecida como a “compra do século”. Ao todo, a RDAF recebeu 77 unidades do F-16A/B, que substituíram os já veteranos F-100 Super Sabre, F-104 Starfighter e Saab Draken.

Ao longo de sua vida operacional, o caça foi adaptado às necessidades específicas do país, incluindo sistemas de autoproteção desenvolvidos pela indústria local e capacidades de reconhecimento dedicadas.

Como integrante do programa europeu Mid-Life Update (MLU), a Dinamarca modernizou grande parte de sua frota, elevando os F-16 ao padrão AM/BM e prolongando capacidade operacional.

Na RDAF os caças participaram de missões reais em cenários como os Bálcãs, Afeganistão, Líbia e Oriente Médio, além de operações de policiamento aéreo nos Bálticos e na Islândia. Também desempenharam papel constante na vigilância e afirmação de soberania sobre a Groenlândia.

A substituição pelo F-35A reflete uma mudança mais ampla no conceito de emprego do poder aéreo. De acorco com a RDAF, o novo caça não é apenas uma plataforma de combate, mas um nó central de coleta e disseminação de dados em um ambiente multidomínio, integrando operações aéreas, terrestres, marítimas, espaciais e digitais. A Dinamarca ampliou sua encomenda de 27 para 43 unidades do F-35A. A plena capacidade operacional é prevista para ocorrer aida no primeiro semestre de 2026.

O fim do serviço dinamarquês, no entanto, não representa o encerramento da carreira dos aviões. Parte da frota foi vendida à Argentina, que recebeu os primeiros exemplares no final de 2025 como parte de um processo de modernização aguardado há décadas. Outras unidades foram doadas à Ucrânia, onde já estão em serviço ativo, realizando missões de combate de alta intensidade. Ao todo, Kiev deverá receber um total de 87 unidades do F-16, a maioria oriundos de ex-operadores europeus, incluindo dezenove aeronaves dinamarquesas.

Assim, enquanto se despedem do serviço na Dinamarca, os F-16 seguem ativos em novos cenários, inclusive em um conflito de alta intensidade envolvendo a Rússia — justamente o adversário considerado central pelos projetistas do caça quando seu desenvolvimento teve início, no auge da Guerra Fria.





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