Lançado no Festival de Veneza em 2024, “Super Happy Forever” é um anti-romance de Kohei Igarashi, que coescreveu o roteiro ao lado de Koichi Kubodera. Coprodução entre Japão e França, o roteiro se assemelha a art films europeus, com uma grande quantidade de cenas estáticas e contemplativas e diálogos econômicos, em que mais se subentende do que se revela na história. O enredo explora o luto, a memória e a casualidade, com ecos de “Aftersun” e “Antes do Amanhecer”.
Com um tom melancólico que sublinha a nostalgia, o longa-metragem expande um curta anterior do diretor. Uma de suas artimanhas para transformar o filme em uma história tão honesta e espontânea foi deixar que os atores se desenrolassem diante das câmeras sem a formalidade de um roteiro estrito, que não pudesse fluir do momento, improvisar. Para Igarashi, isso foi essencial para que o filme não caísse no sentimentalismo.
E há uma simplicidade em “Super Happy Forever” que é realmente atraente. O roteiro não é pretensioso, não busca lágrimas à força do espectador, não se explica demais. Pelo contrário, é preciso que o público queira estar ali, diante da tela, e busque a conexão com aqueles personagens. Eles são silenciosos, discretos, retraídos, mas guardam muitos sentimentos com os quais nos relacionamos. Há uma elegância em não berrar seus objetivos, mas deixar que a história se revele de forma calma e silenciosa.
Mas o que realmente chama atenção em “Super Happy Forever” é a organização temporal. O filme começa em 2023, quando Sano (Hiroki Sano) e seu amigo Miyagi (Yashinori Miyata) retornam a Izu, uma cidade litorânea, após a morte recente da esposa de Sano, Nagi (Nairu Yamamoto). O motivo da morte não fica explícito, e o luto de Sano não é aquele que costumamos ver em filmes hollywoodianos. Sem choro, sem lamentações. Ele está introspectivo e determinado a encontrar um boné vermelho que teria perdido anos atrás, quando conheceu Nagi naquele mesmo hotel.
O filme, então, retorna a 2018, quando eles se encontram pela primeira vez e se conectam. Os dois se reencontram ao longo de poucos dias, mas há uma química visível e sincera, que se desdobra com gentileza e doçura, sem pressa e sem ânsia. É uma narrativa recheada de silêncios e gestos que dizem mais que um milhão de palavras. Não há um resgate do passado por meio de flashbacks. Não é assim que funciona em “Super Happy Forever”, mas a revelação surge como uma cena a seguir, que não mostra o que irá acontecer, mas o que aconteceu, como se o cineasta apertasse a marcha à ré.
No boné vermelho, que se torna a força motriz do filme, o objeto que representa o luto do protagonista, estão os dizeres: “I Miss You”, como se previsse o futuro de Sano e Nagi e soubesse da perda que viria a ocorrer. O título do longa-metragem é uma ironia. Nos romances, o “felizes para sempre” parece uma regra. Para o casal do filme, é justamente o que falta. O que sobra para Sano é a dor, a saudade, a tristeza do luto. O “felizes para sempre” nunca deixa de ser uma expectativa quando se ama, mas é difícil de sustentar frente à realidade. Além disso, também é o nome do congresso de bem-estar de Miyagi, que o protagonista critica como se fosse um idealismo forçado, até porque ele está em agonia.
“Super Happy Forever” é uma joia delicada que vale cada segundo.
Filme:
Super Happy Forever
Diretor:
Kohei Igarashi
Ano:
2024
Gênero:
Drama/Romance
Avaliação:
9/10
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Fer Kalaoun
★★★★★★★★★★
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