À medida que se vive, mais se cristaliza em nós a ideia de que a vida é um curioso desafio, em que vencida cada etapa, impõe-se-nos a seguinte, e mais outra, e outra ainda, até que essas mil situações que mais parecem testes a nossa resistência se tornem para nós a fonte mesma do que podemos ter de mais genuíno, a capacidade de suportar a incerteza que cobre tudo. “Armas em Jogo” parece só mais um amontoado de lances caóticos, mas Jason Lei Howden usa essa suposta deficiência a seu favor e vai mostrando que há método na loucura. O diretor-roteirista acusa a brutal desumanização que se instala no cotidiano de um homem comum no momento em que a fantasia ocupa o lugar da realidade e ele vira o personagem central de uma disputa sádica, da qual pode não escapar.
Miles Lee Harris tenta não sucumbir frente aos tantos golpes de uma existência precária. Ele se sai razoavelmente bem na função de programador de jogos eletrônicos, embora nunca receba um elogio, e está sempre na mira de um chefe implacável e nada afeito a sutilezas como ética ou decoro, mas nem lhe passa pela cabeça esboçar alguma reação. Howden dedica boa parte da introdução a mostrar as vulnerabilidades do protagonista, o candidato ideal ao elenco do Skizm, um reality show onde a menor falha pode ser a diferença entre viver e morrer. Ninguém o consulta, um grupo de sicários apenas invade seu apartamento, aparafusa armas em suas mãos e o obriga a eliminar os adversários, começando por Nix, a atual campeã desse torneio diabólico. Enquanto se acostuma à ideia de usar submetralhadoras como uma extensão de seu corpo, Nix o caça. Ele treme.
O filme transforma-se numa perseguição algo repetitiva, com contratempos, troca de tiros, um ou outro diálogo espirituoso e, claro, a inclusão de tipos excêntricos, que reforçam o sentimento de que se está diante de um desenho animado para adultos. Daniel Radcliffe parece buscar em Harry Potter essas tintas sobre-humanas que despeja sobre Miles e Samara Weaving por seu turno descobre em Nix a aura de uma heroína que se perdeu em suas ilusões, tomando gosto pelo submundo. Os dois são peças de uma engrenagem, que Riktor, o vilão de Ned Dennehy, conduz com mão de ferro, e aí resta a certeza de que “Armas em Jogo” é uma brincadeira inofensiva.
Filme:
Armas em Jogo
Diretor:
Jason Lei Howden
Ano:
2019
Gênero:
Ação/Comédia
Avaliação:
8/10
1
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Giancarlo Galdino
★★★★★★★★★★
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