PORTO SEGURO – A CVC Corp tem reforçado sua estratégia para o segmento B2B com foco em especialização, uso intensivo de dados e ampliação do portfólio, incluindo uma entrada mais estruturada no mercado de alto luxo. As diretrizes foram detalhadas por Emerson Belan, VP de Vendas B2B e B2C da companhia, durante entrevista realizada no Connect 2026, em Porto Seguro (BA).

O movimento ocorre em um momento de consolidação da estrutura comercial da companhia, que passou a integrar sob uma única liderança as operações B2B e B2C. O modelo, segundo o executivo, busca ampliar a sinergia entre canais, marcas e frentes de atuação.

Nesse contexto, a Rextur Advance aparece, na avaliação de Belan, como um dos principais vetores da estratégia, tanto pela capilaridade nacional quanto pelo papel na expansão internacional. A empresa deve intensificar a presença em regiões estratégicas, como Norte e Nordeste, além de ampliar a conexão com players globais.

“A Rextur Advance tem um papel fundamental dentro do nosso processo de B2B, porque ela praticamente avança no Brasil inteiro e também será responsável por levar a companhia para a globalização”, afirmou.

Reposicionamento da Visual e avanço consistente no alto padrão

Dentro desse reposicionamento estratégico, a Visual Turismo assume um papel mais claro dentro do portfólio, com foco em curadoria, personalização e produtos de maior valor agregado. A marca, resgatada há alguns anos, vem apresentando crescimento acelerado, apoiado na combinação entre força de marca, estrutura de equipe e desenvolvimento de produtos próprios.

Hugo Lagares, da Visual Turismo; e Emerson Belan, da CVC Corp (Giulia Jardim/M&E)

Entre as iniciativas recentes, Belan citou o “Visual pelo Mundo”, com foco em roteiros internacionais mais personalizados, e o avanço da marca no segmento de luxo. Segundo o executivo, trata-se de um mercado em expansão no Brasil, que exige maior nível de curadoria e conhecimento técnico.

Nesse contexto, a entrada mais estruturada no alto padrão acompanha uma demanda crescente por especialização. “Estamos falando de um produto AAA, com alto nível de personalização. É um segmento que cresce muito no Brasil e exige equipe especializada”, destacou.

Mais do que ampliar o portfólio, a estratégia passa pela diferenciação entre as marcas do grupo, evitando sobreposição de atuação e reforçando o papel de cada uma dentro do ecossistema da companhia. “Cada marca tem sua especialização. Nenhuma é igual, e isso é o que leva mais força para o agente de viagem”, disse.

Dados, comportamento e o agente como eixo central da estratégia na CVC

Outro pilar relevante da estratégia da CVC Corp está no uso de dados e inteligência de mercado como ferramenta para apoiar o agente de viagens e orientar decisões comerciais. Em um cenário de digitalização acelerada, o executivo destaca que o excesso de informação disponível ao consumidor tem gerado um efeito contrário ao esperado: maior necessidade de mediação humana.

Esse movimento já vem sendo observado no setor. Segundo Belan, a multiplicação de fontes de informação aumentou o nível de indecisão do viajante, tornando o agente uma figura central na jornada de compra. “O consumidor hoje está com uma overdose de informação, e isso aumenta a importância do agente de viagem, que traz segurança e personalização”, explicou.

Nesse contexto, o papel do agente evolui de intermediador para consultor especializado, acompanhando uma mudança mais ampla no comportamento do viajante. A demanda passa a ser orientada por experiências — e não apenas por destino ou preço — o que exige maior nível de escuta, curadoria e personalização.

“O viajante não quer apenas viajar, ele quer viver experiências, seja gastronômica, em família ou de descanso. E o agente é fundamental para construir isso”, afirmou Belan.

Cenário global pressiona, mas não freia demanda

Belan também abordou os impactos recentes do cenário internacional sobre o turismo, especialmente em destinos de longa distância e hubs globais. Segundo ele, embora haja ajustes pontuais, como mudanças de rota ou substituição de destinos, a demanda do brasileiro segue resiliente.

A capacidade de adaptação rápida, aliada ao suporte do agente de viagens, tem sido determinante para manter o fluxo de vendas, mesmo em contextos de instabilidade.

“O brasileiro pode até recuar em um primeiro momento, mas não deixa de viajar. E é o agente que ajuda a reorganizar essas viagens quando necessário”, concluiu.

O M&E viaja com proteção GTA