Santos (SP) – A terceira edição do Cruise360 Brasil, promovido pela Clia Brasil, reúne cerca de 700 agentes de viagens e profissionais do setor neste sábado (14), no Centro de Convenções de Santos, para dois dias dedicados à capacitação e debates sobre a indústria de cruzeiros.
Marco Ferraz, presidente da entidade, conta que o espaço escolhido para esta edição oferece melhores condições para receber os participantes. “A Prefeitura de Santos nos ajudou muito ter esse espaço. E tenho certeza que, se tivéssemos ainda mais espaço, garantiríamos ainda mais participantes e patrocinadores”, declara.
Em sua terceira edição, o Cruise 360 Brasil segue o modelo de eventos semelhantes organizados pela associação em outros mercados. Ferraz lembrou que a entidade promove iniciativas do tipo em países como Austrália, Reino Unido e Estados Unidos.
“O evento dos Estados Unidos são seis dias e tem mais de dez navios para serem visitados. Estamos com um dia de capacitação e um dia de visitação, porque é importante conhecer o navio, o terminal e até as dificuldades de infraestrutura para ajudar a melhorar isso”, explica.
Para o executivo, a procura pelo evento reflete o crescimento do interesse da indústria e dos agentes de viagens pelo segmento de cruzeiros. “Percebemos que tanto os agentes de viagem quanto as companhias, os destinos e os nossos parceiros estão vendo no setor um crescimento importante”, comenta.
Ferraz destaca ainda que o Cruise 360 é um evento pago para os agentes de viagens, o que contribui para o engajamento dos participantes. “O agente de viagem paga, então ele dá a devida importância. Temos um no-show muito reduzido porque eles estão interessados mesmo em aprender”, salienta.
Durante a coletiva, o presidente da Clia Brasil também comentou o perfil do público que viaja em cruzeiros. Segundo ele, a idade média global dos passageiros é de 46 anos, número semelhante ao observado no mercado brasileiro. “O Brasil é muito parecido com os Estados Unidos em idade média e em tempo de cruzeiro. Lá a média é de 7,1 dias e aqui também”, explica.
Como mencionado na solenidade de abertura, Ferraz ressalta que há diferentes perfis de viajantes, desde passageiros que buscam roteiros longos e experiências de luxo até públicos mais jovens que optam por minicruzeiros ou cruzeiros temáticos.
Nesse contexto, o papel das agências é fundamental para identificar o perfil do cliente e indicar o produto mais adequado. “Eles tem essa função de adaptar a idade, o perfil e os interesses. Afinal, existe um navio para cada tipo de passageiro”, afirma.
Desafios e potencial
Apesar do potencial de crescimento do setor no país, Ferraz aponta desafios estruturais que impactam a operação de cruzeiros no Brasil. Entre os principais pontos citados estão custos elevados, infraestrutura limitada e questões regulatórias. “Hoje é cerca de 50% mais caro operar no Brasil do que na média mundial”, reforça.
O executivo também menciona entraves como a emissão de vistos para tripulantes estrangeiros, que ainda depende de processos manuais, além de questões relacionadas à segurança jurídica e disputas trabalhistas. Apesar disso, Ferraz destaca que o Brasil tem potencial para ampliar sua presença no mapa global dos cruzeiros, tanto como destino quanto como mercado emissor.
Segundo ele, cerca de 750 mil brasileiros embarcam em cruzeiros todos os anos, no país e no exterior. Ao mesmo tempo, a região também recebe turistas internacionais, incluindo argentinos, uruguaios e chilenos, além de europeus e norte-americanos em roteiros de longo curso. “O Brasil é fonte de cruzeiristas e destino”, resume.
O executivo também aponta oportunidades em regiões ainda pouco exploradas, além do potencial de expansão de cruzeiros fluviais no Sudeste e em áreas como a Amazônia. “Ainda existem segredos, por exemplo, Norte e Nordeste, que são muito pouco explorados por este setor. Há muito o que crescer no Brasil”, salienta.
Para Ferraz, a ampliação da presença de navios na América do Sul depende de avanços na competitividade do destino. “Vieram 93 navios para a América do Sul e só 43 vieram para o Brasil. Tem algo a ser feito aqui e reconhecemos nosso dever de trabalhar para isso”, conclui.

