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Corte de juros renova fôlego das ações dos EUA, avalia Cavalcante, do Morgan Stanley



O investidor exposto ao mercado de ações dos Estados Unidos não teve muito do que reclamar nos três primeiros trimestres de 2025, com os principais índices de Nova York em tendência positiva. Enquanto a Nasdaq avançava cerca de 16% no período, o S&P 500 subia 12%. Mas ainda há espaço para mais crescimento na visão de Thiago Cavalcante, do Morgan Stanley Asset Management.

O executivo participou de mais um dia de debates do International Week, evento online realizado pela XP para discutir os principais temas globais e como os assuntos podem influenciar na alocação dos investidores. Para ele, a expectativa em relação às bolsas norte-americanas toma como base o atual cenário de juros.

Após o Federal Reserve iniciar cortes em setembro, a perspectiva é de novas reduções em 2025, o que pode trazer fôlego para a renda variável. “Vemos uma trajetória de juros entre 2,75% e 3% ao final do próximo ano, o que tende a ser muito positivo para a Bolsa e para investimentos alternativos”, projeta Cavalcante

Segundo ele, os cortes são uma resposta a uma combinação de inflação ainda acima da meta — hoje em torno de 2,9% frente ao alvo de 2% — e um mercado de trabalho que começa a mostrar sinais de enfraquecimento, com taxa de desemprego em 4,3%. “O Fed não quer reduzir os juros de forma brusca e depois ter que reverter, como já vimos em outros países. Por isso, a cautela”, acrescentou.

Para o estrategista, esse movimento abre espaço para um ciclo de recuperação nos mercados acionários.

“O custo de capital vai reduzir e isso beneficia diretamente empresas e investidores. O apetite a risco tende a aumentar”

— Thiago Cavalcante, do Morgan Stanley Asset Management.

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International Week foca em renda variável

O terceiro dia da XP International Week teve como tema a renda variável global. O evento contou também com a participação de Maria Irene Jordão, estrategista global da XP, e Raphael Figueredo, estrategista de ações da XP, ao lado de Cavalcante, do Morgan Stanley.

Os especialistas destacaram que a política fiscal americana segue como um ponto de atenção. O déficit do governo está em torno de 6,1% do PIB, cerca de US$ 2,3 trilhões. Medidas como tarifas sobre importações e redução de regulamentações vêm sendo usadas para reforçar a arrecadação. “As tarifas subiram de uma média de 2,5% para 10,5% em apenas um ano. Isso gera impacto direto nos custos das empresas e pode pressionar a inflação”, observou Cavalcante.

Apesar disso, o mercado não enxerga risco iminente de recessão. “A economia americana segue resiliente, com consumo forte. O índice de probabilidade de recessão da Bloomberg caiu de 75% para 25% no último ano”, explicou o executivo.

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Inteligência artificial no centro da Bolsa

Entre os setores mais impactados pelo atual ciclo econômico, o de tecnologia segue em evidência, impulsionada pela inteligência artificial. “Hoje, qualquer empresa que não menciona IA em seus resultados passa uma percepção de atraso, assim como ocorreu nos anos 2000 com a internet”, disse Cavalcante.

Ele destacou, porém, que o alto custo da tecnologia exige condições mais favoráveis de crédito.

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“Com juros mais baixos, as companhias poderão investir mais em IA para ganhar eficiência e aumentar lucros. Esse é o objetivo central: não é modismo, é eficiência”

— Thiago Cavalcante, do Morgan Stanley Asset Management.

Raphael Figueredo reforçou que o movimento pode abrir oportunidades em papéis que sofreram forte desvalorização em 2022. “Vimos empresas de tecnologia caindo até 80%. Algumas já se recuperaram de forma expressiva e outras ainda carregam potencial de valorização no médio prazo.”

Investidores ainda cautelosos

Apesar das projeções otimistas, os especialistas alertam que o sentimento do mercado ainda é marcado por cautela. “O investidor continua receoso para aumentar exposição em Bolsa nos Estados Unidos. Mas os resultados têm surpreendido: o lucro médio das empresas do S&P superou em 10% as expectativas neste ano”, afirmou Cavalcante.

A margem operacional do índice também atingiu recordes, próximos de 18%. Para os gestores, esse é um sinal de que, mesmo em meio à turbulência macroeconômica, há espaço para ganhos expressivos. “Momentos de pessimismo são muitas vezes os melhores para identificar oportunidades”, resumiu o especialista do Morgan Stanley.



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