A XP divulgou mais uma edição do seu monitor de short selling no Brasil, que acompanha a atividade de venda a descoberto (short selling) das ações negociadas na B3 que são líquidas e envolvidas em operações vendidas.
Os dados são atualizados quinzenalmente, às segundas-feiras. Desde o último relatório, o short interest (SI) mediano do Ibovespa subiu para 7,1%, enquanto as posições em aberto aumentaram para R$ 146,1 bilhões desde nosso último relatório. A Raízen (RAIZ4) teve a maior variação em sua taxa de aluguel dentre as monitoradas, com aumento de 11,4 pontos percentuais (p.p.) desde o dia 23 de janeiro, a 38,1%.
Ao montar uma posição vendida, ou short selling, o investidor toma emprestada uma ação para vendê-la, com a intenção de comprá-la de volta a um preço mais baixo no futuro. De maneira geral, os investidores buscam lucro ao devolver a ação emprestada ao credor.
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O relatório da XP avalia três parâmetros para definir o ranking: short interest, days to cover (DTC) e taxa de aluguel. O short interest é a razão entre o total de ações alugadas que ainda não foram cobertas ou compradas de volta para fechar a posição, e a quantidade de ações disponíveis para negociação na bolsa. De maneira geral, um short interest acima e 10% é considerado alto.
A DTC, por outro lado, indica quantos dias seriam necessários para que os vendedores a descoberto (o short selling) cobrissem suas posições existentes. Ou seja, o tempo estimado para que as ações alugadas sejam vendidas e recompradas, com base na liquidez da ação. Da mesma forma, um DTC acima de 10 também é considerado alto.
Os dados compilados pela XP também podem ser utilizados como termômetro do humor dos investidores e suas expectativas para algumas ações. “Em geral, quando essas métricas (de short selling) são altas, tende a ser um sinal de baixa, pois podem indicar que os investidores institucionais estão esperando que as ações caiam ou que estão aumentando suas apostas contra as ações”, explicam os analistas.
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Ao emprestar uma ação para um tomador, o investidor precisa pagar uma taxa de juros no fechamento da operação — a taxa de aluguel. Quanto mais alta for a taxa de aluguel, é possível dizer que há uma demanda maior por montar uma posição curta no ativo negociado. Ou seja, os investidores estão esperando que essa ação caia.
O Agronegócio continua como o setor com o maior short interest (SI) mediano, de 17,4%, com 10 p.p. acima da média do Ibovespa (7,1%). A Raizen (RAIZ4) tem a principal Taxa de Aluguel da quinzena, com 38,1%. A segunda colocada, a Cruzeiro do Sul (CSED3), está com 11,5 p.p. abaixo, a 26,6%. O Grupo Casas Bahia (BHIA3) continua entre as três principais desde o relatório anterior, agora com 25,4%. Na sequência, estão GPA (PCAR3), com 18,5% e Profarma (PFRM3), a 17%.
As variações da Raizen e do Grupo Casas Bahia foram duas das maiores do relatório, acompanhada pelo Santander (SANB11). Enquanto a Raizen subiu 11,4 p.p., o Santander avançou 5,6 p.p. e o Grupo Casas Bahia, 3,5 p.p.
As companhias com os maiores SI continuam como o da quinzena anterior, mas com índices levemente mais baixos. O Grupo Casas Bahia continua com o maior SI dentre as monitoradas, com 39,2%. No relatório anterior, a companhia também era a primeira do ranking, mas com um SI de 42,5%.
A Raizen aparece em segundo lugar, com SI de 31,8%, acompanhada pela Boa Safra (SOJA3), com SI de 28,7%.

