Categories: Turismo

Companhias aéreas gastam em processos o mesmo que arrecadam com bagagens

As companhias aéreas brasileiras gastaram R$ 330 milhões em condenações judiciais no 1º trimestre de 2025

As companhias aéreas brasileiras desembolsaram cerca de R$ 330 milhões em condenações judiciais no primeiro trimestre de 2025, valor idêntico ao arrecadado com a cobrança de bagagens despachadas.

Os números integram o novo Painel de Demonstrações Contábeis da ANAC, lançado para ampliar a transparência sobre custos e receitas do setor. Os gastos judiciais representaram 1,87% do total das despesas das empresas no período.

O painel mostra ainda que a venda de passagens aéreas respondeu por 88,29% das receitas, enquanto bagagens corresponderam a 1,76% da arrecadação, exatamente o mesmo percentual dos custos judiciais.

Impacto jurídico

De acordo com Rodrigo Alvim, advogado especializado em Direito do Passageiro Aéreo, o montante de R$ 330 milhões abrange mais de cinquenta companhias em operação no país e equivale a pouco mais de 1% do faturamento total. O especialista ressalta que as condenações não se limitam a ações movidas por passageiros.

As disputas incluem causas trabalhistas, tributárias e ambientais, o que revela a complexidade do ambiente jurídico enfrentado pelas empresas”, disse Alvim.
O advogado aponta que falhas relacionadas a atrasos, cancelamentos e extravio de bagagens ainda são responsáveis pela maior parte dos processos.

O valor gasto evidencia que as companhias tratam seus clientes mais como riscos jurídicos do que como consumidores que merecem atendimento de qualidade”, completou.

Comparação internacional

Alvim comparou o cenário brasileiro ao europeu, onde a Resolução 261 da União Europeia estabelece compensações automáticas em casos de problemas com voos.

Na Europa, a resolução extrajudicial é mais eficaz. Já no Brasil cresce a tendência de judicialização. Com o aumento do número de passageiros e o maior acesso à informação, é provável que a quantidade de ações aumente nos próximos anos”, disse.

Para o especialista, a redução dos custos judiciais depende da melhoria no atendimento ao consumidor.

O problema não está apenas nos processos, mas na conduta das companhias, que em muitos casos optam por lidar com ações na Justiça em vez de evitar os conflitos desde a origem”, conclui Alvim.





Fonte

Redação

Recent Posts

O forte vinculo de um polvo-fmea e seu cuidador no aqurio

Como realizar um exame mdico em uma criatura forte, viscosa e inteligente o suficiente para…

18 minutos ago

O filme mais bonito sobre solidão e amadurecimento que chegou à Netflix em fevereiro: parece um abraço por dentro

“Pavana”, dirigido por Lee Jong-pil, começa ao cruzar três jovens solitários em empregos dentro de…

21 minutos ago

Vinícola Góes une arte e vinho em workshop

A Vinícola Góes, um dos principais destinos do Roteiro do Vinho em São Roque (SP),…

28 minutos ago

Vale, Adani e estatal indiana fecham parceria para exportação de minério de ferro

A Vale (VALE3) assinou em Nova Déli um memorando de entendimentos com a estatal indiana…

45 minutos ago

Trem do aeroporto de Guarulhos já transporta passageiros

Aeromovel do aeroporto de Guarulhos passa a transportar todos os passageiros durante fase de testes…

1 hora ago

Trump se encontrará com Xi Jinping na China em março, com tarifas no foco

Washington (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, viajará à China de 31…

2 horas ago