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como os estados avançaram em 2025 e o que projetam para 2026

Resultados de 2025 revelam avanços no turismo e orientam políticas estaduais para 2026 (Arte Patrick Peixoto/ M&E)

*Por Ana Azevedo e Giulia Jardim

O turismo brasileiro atravessou 2025 em ritmo de reorganização, expansão e consolidação de políticas públicas em diferentes regiões do país. Em meio a um cenário de retomada da demanda, ampliação da conectividade aérea e maior profissionalização do setor, estados avançaram em estratégias próprias para fortalecer seus destinos, estruturar produtos, atrair investimentos e ampliar a presença nos mercados nacional e internacional.

Este especial reúne um panorama das principais ações, resultados e projeções apresentadas por gestores estaduais de turismo, com base em entrevistas exclusivas concedidas ao MERCADO & EVENTOS. O conteúdo mostra como cada estado trabalhou promoção, infraestrutura, governança, qualificação e novos produtos ao longo de 2025 e quais são as prioridades traçadas para 2026, em um momento em que o turismo se consolida como vetor relevante de desenvolvimento econômico, geração de emprego e dinamização regional.

NORDESTE

Alagoas

Barbara Braga, de Alagoas (Ana Azevedo/M&E)

A decisão de tratar o turismo como política de desenvolvimento regional orientou as ações de Alagoas ao longo de 2025. A Secretaria de Estado do Turismo estruturou uma estratégia focada na interiorização da atividade, na organização dos produtos turísticos e no fortalecimento da governança, ampliando o alcance do setor para além do litoral e conectando o turismo à geração de emprego e renda nos municípios.

Um dos eixos centrais desse trabalho foi a estruturação de produtos turísticos em diferentes regiões do estado, realizada em articulação com as Instâncias de Governança Regionais e alinhada aos Planos de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável (PDITS). O processo incluiu capacitação profissional em mais de 40 municípios e a instalação de sinalização turística internacional em 13 cidades, garantindo padronização da oferta, melhoria da experiência do visitante e maior segurança na circulação pelos destinos.

A política adotada em 2025 também incorporou ações voltadas à sustentabilidade, à prospecção de novos negócios e à atração de investimentos privados, criando um ambiente mais favorável para o crescimento do setor. Esse conjunto de medidas fortaleceu a organização da atividade turística e contribuiu para ampliar a competitividade do estado no mercado nacional.

Com a oferta mais estruturada, Alagoas avançou no diálogo com operadoras e companhias aéreas. Ao longo do ano, o estado reforçou parcerias estratégicas com foco na ampliação da conectividade aérea, especialmente em períodos de alta temporada, combinando ações de capacitação nos principais mercados emissores e aproximação com agentes de viagens responsáveis pela comercialização direta dos produtos turísticos.

“A conectividade não é um ponto isolado. Ela é resultado direto de um destino organizado, com produtos estruturados, mão de obra qualificada e capacidade de entrega”, afirmou Bárbara Braga, secretária de Estado do Turismo de Alagoas.

Para 2026, a projeção do governo estadual é aprofundar esse modelo de atuação, com foco na consolidação dos produtos regionais e na expansão da oferta hoteleira por meio da atração de novos empreendimentos. A expectativa é manter o ritmo de crescimento com base em planejamento técnico, integração com o trade e fortalecimento da governança.

“O trabalho em Alagoas é contínuo e integrado. Atuamos da promoção à estruturação dos produtos, sempre em rede com a iniciativa privada, porque é isso que sustenta um turismo forte e duradouro”, disse a secretária.

Ceará

Eduardo Bismarck, secretário de Turismo do Ceará (Ana Azevedo/M&E)

O desempenho econômico do turismo colocou o Ceará em evidência em 2025. O estado liderou, pelo quarto mês consecutivo, o crescimento da atividade turística no Nordeste e alcançou uma receita estimada de R$ 12,6 bilhões, resultado associado a uma agenda de promoção estruturada, ampliação da conectividade aérea e fortalecimento da governança do setor.

Ao longo do ano, o Governo do Ceará consolidou uma estratégia de promoção articulada com o trade, municípios, companhias aéreas e operadoras. Um dos principais marcos foi o lançamento do Ceará Travel Show, roadshow internacional que levou o destino a mercados emissores estratégicos, em ações conjuntas com empresas do setor aéreo e operadores.

O estado também manteve presença nas principais feiras nacionais e internacionais de turismo. “Trabalhamos em 2025 com uma agenda clara de promoção e diálogo com o mercado, posicionando o Ceará como um destino competitivo, diverso e sustentável”, afirmou Eduardo Bismarck, secretário do Turismo do Ceará.

Os resultados começaram a se materializar nos indicadores setoriais. O estado registrou crescimento de 59,3% nos novos cadastros do Cadastur, sinalizando avanço na formalização da atividade. A ampliação da malha aérea impulsionou o fluxo de turistas nacionais e internacionais, com o anúncio de quatro novos voos internacionais e quatro novos voos nacionais.

Outro avanço relevante foi o andamento do processo de concessão dos aeroportos de Jericoacoara e Canoa Quebrada, que passarão a ser administrados pela Fraport e pela Concessionária do Aeroporto de Guarulhos, reforçando a infraestrutura aeroportuária e a capacidade de atração de investimentos.

Para 2026, o planejamento do estado prevê a continuidade do crescimento com foco na sustentabilidade e na regionalização. Entre as prioridades estão a expansão da conectividade aérea, a abertura de novos mercados internacionais estratégicos e o reforço da promoção do destino no Brasil e no exterior.

A agenda inclui campanhas integradas de marketing turístico, a consolidação de eventos âncora nos segmentos de eventos, esportes, cultura e negócios e a manutenção dos investimentos em infraestrutura, com atenção especial aos destinos do interior. “Nosso compromisso é fazer do turismo um instrumento de geração de emprego, renda e desenvolvimento para todas as regiões do Ceará”, disse Bismarck.

O estado também aposta na valorização de rotas turísticas já consolidadas como eixo de integração regional. Estão no foco ações de fortalecimento da Rota Verde do Café, no Maciço de Baturité, da Rota das Falésias, no litoral leste, da Rota das Emoções, que conecta o Ceará a outros estados do Nordeste, além da Rota da Fé e dos circuitos de turismo religioso em Juazeiro do Norte, no Cariri.

A estratégia busca ampliar o tempo de permanência dos visitantes e distribuir os efeitos econômicos do turismo para o interior. “Essas rotas organizam a oferta, valorizam a identidade dos municípios e ajudam a levar os benefícios do turismo para além do litoral”, afirmou o secretário.

Entre os desafios para 2026, o governo aponta a necessidade de manter o ritmo de crescimento, aprofundar parcerias e ampliar a qualificação do setor. A avaliação da Secretaria do Turismo é que o estado chega ao próximo ano bem posicionado, após um ciclo de ações estruturantes em 2025, com expectativa de consolidar resultados e ampliar oportunidades para os municípios cearenses.

Paraíba

Ferdinando Lucena, da PBTur (Ana Azevedo/M&E)

O avanço da formalização e da presença comercial da Paraíba no mercado turístico marcou o desempenho do estado em 2025. Ao longo do ano, a política conduzida pela Empresa Paraibana de Turismo (PBTur) e pela Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico (Setde) combinou promoção intensiva, capacitação do trade e ampliação da articulação com operadoras e agentes de viagens no Brasil e no exterior.

Com investimento de R$ 7 milhões, o estado realizou cerca de 80 ações promocionais, que incluíram participação em eventos comerciais, capacitações, famtours e iniciativas de relacionamento com o mercado. As ações alcançaram cinco países, diversos estados brasileiros e 32 cidades, resultando na capacitação de mais de 9 mil agentes de viagens em treinamentos presenciais e virtuais.

Esse movimento se refletiu diretamente nos indicadores de formalização. Em 2025, a Paraíba superou a marca de 4 mil cadastros ativos no Cadastur, crescimento de 175,7% em relação a 2024, o maior percentual do Nordeste. O avanço reforça o processo de organização do setor e amplia a inserção do estado nos canais formais de comercialização do turismo.

A estratégia incluiu ainda a recepção de agentes de viagens de mercados prioritários do Brasil, da Argentina e de Portugal, além de ações promocionais em aeroportos brasileiros e investimento em mídia externa no mercado argentino, fortalecendo a presença da Paraíba nos portfólios de operadoras nacionais e internacionais.

A estruturação territorial acompanhou esse crescimento. Em 2025, o estado passou a contar com 103 municípios validados no Mapa do Turismo Brasileiro, o equivalente a 46% das cidades paraibanas. Em parceria com o Sebrae, o governo lançou 20 novos roteiros turísticos, conectando 68 municípios em uma proposta integrada de turismo criativo e sustentável.

“Esse avanço mostra que a Paraíba deixou de ser um destino concentrado apenas no litoral e passou a trabalhar o turismo como política de desenvolvimento regional”, afirmou Ferdinando Lucena, presidente da PBTur.

Na conectividade aérea, os resultados também foram expressivos. Para a alta temporada 2025/2026, a Azul ampliou sua operação com 230 voos extras e mais de 32 mil assentos adicionais, crescimento de 120% em relação à temporada anterior. A malha aérea de João Pessoa ganhou ainda quatro novos voos diretos, ligando a capital a Cascavel, Goiânia, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.

Para 2026, o planejamento do estado prevê a consolidação dos produtos turísticos lançados e a ampliação da promoção em mercados internacionais, especialmente na Europa e na América do Sul. Um dos eixos estratégicos será o Polo Turístico Cabo Branco, que deve iniciar a operação de novos empreendimentos, como o resort da Rede Tauá, ampliando a oferta hoteleira e diversificando o perfil dos visitantes.

Entre os desafios, a ampliação da conectividade aérea segue como prioridade, ao lado da qualificação dos serviços e da manutenção da competitividade frente a outros destinos nordestinos. “Nosso foco é estruturar produtos, fortalecer a promoção e integrar todo o estado à cadeia do turismo, de forma planejada e sustentável”, concluiu Lucena.

Maranhão

Socorro Araújo, secretária de Turismo do Maranhão (Ana Azevedo/M&E)

O calendário de feiras e eventos foi o principal eixo da estratégia turística do Maranhão em 2025. Ao longo do ano, o estado marcou presença nas principais vitrines do setor no Brasil e no exterior, ampliando sua exposição junto a operadores, companhias aéreas e agentes de viagens, enquanto avançava em obras estruturantes e na qualificação da oferta turística.

A Secretaria de Estado do Turismo (Setur-MA) participou de feiras como WTM Latin America, BNT Mercosul, Salão do Turismo, Abav Expo, BTM e Festuris, além de eventos internacionais como ITB Berlin, BTL Lisboa e FIT Argentina. Nessas agendas, o Maranhão atuou em rodadas de negócios, reuniões estratégicas e ações de capacitação voltadas ao mercado europeu.

“Foi um ano de muito trabalho, parceria e investimento para fortalecer a identidade turística do Maranhão e ampliar sua visibilidade no Brasil e no exterior”, afirmou Socorro Araújo, secretária de Estado do Turismo.

A agenda promocional foi complementada por ações de relacionamento direto com o público, como a recepção de turistas no aeroporto de São Luís durante o Carnaval e o São João, além do lançamento nacional da campanha São João do Nordeste em São Paulo e Minas Gerais, em parceria com a Azul Viagens.

No campo da conectividade aérea, o estado passou a contar, a partir de outubro, com uma nova rota regular entre São Luís e o aeroporto de Congonhas, operada pela Latam com aeronaves Airbus A320. A capital maranhense também teve ampliação do número de voos semanais da Latam ao longo de 2025 e avançou nas tratativas para viabilizar um voo direto entre São Luís e Lisboa, com a TAP Air Portugal.

“Essa nova conexão com Congonhas é estratégica porque São Paulo é nosso principal mercado emissor e um grande hub de entrada de turistas internacionais no Brasil”, destacou a secretária.

Os investimentos em infraestrutura marcaram outro eixo central da política turística. Entre as entregas e obras em andamento estão a Ponte Chico Pedro, sobre o rio Preguiças, em Barreirinhas, já concluída, a pavimentação da MA-225, que liga Barreirinhas a Urbano Santos, e a MA-312, que conecta os Lençóis Maranhenses ao Delta do Parnaíba.

Também foram inaugurados o Terminal de Passageiros da Baixada e Litoral Ocidental, em São Luís, e avançaram obras como o prolongamento da Avenida Litorânea, a revitalização do monumento de São José de Ribamar, intervenções em dez aeroportos regionais e a ampliação do Aeroporto Marechal Cunha Machado. A instalação da rede Vila Galé no Centro Histórico de São Luís, com investimento estimado em R$ 105 milhões, integra o conjunto de iniciativas voltadas à ampliação da oferta hoteleira.

Os resultados dessas ações já se refletem nos indicadores. Entre janeiro e novembro de 2025, o Maranhão registrou 2.013.951 passageiros transportados por via aérea, crescimento de 13,67% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados do Observatório do Turismo do Maranhão, com base na ANAC. O Aeroporto de São Luís concentrou 1.687.082 passageiros no período, alta de 14,41%.

Os Centros de Atendimento ao Turista contabilizaram 40.790 atendimentos, incluindo 7.375 turistas internacionais. No campo da qualificação, 3.021 pessoas foram capacitadas por meio do Programa Mais Qualificação, Mais Turismo, sendo 867 em comunidades tradicionais atendidas pelo projeto Trilha dos Saberes Para o Turismo, voltado ao Turismo de Base Comunitária.

Para 2026, o estado projeta manter o foco na promoção, na sustentabilidade e na consolidação da regionalização. A Setur-MA planeja ampliar a presença em feiras nacionais e internacionais, incentivar a regularização dos empreendimentos turísticos via Cadastur e avançar na atração de novos voos.

Está prevista ainda a realização da primeira edição da Expoturismo Maranhão, em março, evento voltado à integração entre destinos, gestores públicos, trade e comunidade. “Nosso compromisso é crescer com sustentabilidade, preservar os biomas e garantir que as comunidades locais sejam protagonistas do desenvolvimento do turismo”, afirmou Socorro Araújo.

Entre os desafios apontados para 2026 estão a ampliação da conectividade aérea, o fortalecimento da roteirização integrada dos polos turísticos e a expansão de projetos de Turismo de Base Comunitária e afroturismo. Regiões como Chapada das Mesas, Litoral Ocidental e Delta do Parnaíba estão entre as prioridades da estratégia de interiorização e distribuição mais equilibrada do fluxo turístico no estado.

Pernambuco

Eduardo Loyo, presidente da Empetur (Arquivo/M&E)

A estratégia de promoção estruturada e o fortalecimento da conectividade aérea marcaram a atuação de Pernambuco no turismo ao longo de 2025. O estado adotou uma agenda integrada de divulgação nos mercados nacional e internacional, combinando ações B2B e B2C, capacitação do trade e estímulo direto à conversão de vendas, com foco em ampliar resultados e consolidar o destino nos principais canais de comercialização.

Ao longo do ano, a Empetur participou de mais de 125 eventos do setor, entre feiras, rodadas de negócios e ações comerciais, e capacitou cerca de 28 mil profissionais do turismo. Um dos principais pilares dessa atuação foi o Roadshow Pernambuco Naturalmente Incrível, realizado no Brasil, na América do Sul e na Europa, que integrou negócios, capacitação e experiências culturais para posicionar o estado de forma qualificada junto a operadoras, agentes de viagens e companhias aéreas.

“O trabalho de promoção em Pernambuco foi pensado de forma estratégica, conectando divulgação, capacitação e vendas, sempre em diálogo com o mercado”, afirmou Eduardo Loyo, presidente da Empetur.

Os resultados começaram a se materializar nos indicadores ao longo de 2025. Entre janeiro e outubro, Pernambuco registrou crescimento de 10,5% na receita turística em comparação com 2024, além de desempenho positivo no fluxo de passageiros e nas vendas do destino. O estado liderou as vendas de pacotes no Nordeste, segundo operadoras nacionais, e teve destinos como Porto de Galinhas e Fernando de Noronha entre os mais procurados do país.

Na conectividade aérea, Pernambuco consolidou sua posição como hub do Nordeste, com nove destinos internacionais e 42 frequências semanais. O Aeroporto Internacional do Recife registrou crescimento de 3,37% no fluxo de passageiros até novembro e a expectativa é encerrar 2025 próximo da marca de 10 milhões de passageiros. O desempenho também foi reconhecido com duas premiações no Prêmio Caio 2025, voltadas às estratégias de promoção turística do estado.

Para 2026, o planejamento do governo estadual prevê aprofundar a atuação nos mercados estratégicos e ampliar campanhas voltadas à conversão de vendas. A Empetur pretende reforçar o relacionamento com o trade turístico, negociar com grandes vendedores do mercado e manter presença contínua em feiras e eventos relevantes, alinhando promoção, distribuição e comercialização ao crescimento da malha aérea.

“O foco é transformar promoção em resultado, conectando o destino aos canais de venda e garantindo crescimento sustentável”, disse Loyo.

Entre os novos produtos, o estado inicia em 2026 a estruturação da Rota do Vinho de Pernambuco, com Lagoa Grande como eixo central, ampliando a oferta turística no interior e diversificando as experiências para além do litoral. Pernambuco também reforça a atuação regional integrada a partir do lançamento da marca Nordeste, em parceria com a Embratur, voltada ao mercado internacional.

Os desafios para 2026 passam por comunicar ao mercado a diversidade do estado, que vai além do sol e mar, integrando cultura, identidade, interiorização e conectividade aérea em uma estratégia única. “Pernambuco é múltiplo em experiências. Nosso desafio é transformar essa diversidade em fluxo turístico, receita e desenvolvimento para todo o estado”, concluiu o presidente da Empetur.

NORTE

Amazonas

Presidente da Amazonastur, Marcel Alexandre da Silva (Acervo M&E)

Em 2025, o Amazonas avançou em uma estratégia integrada que reuniu ordenamento do setor, promoção do destino, qualificação profissional e ampliação da conectividade aérea. As ações coordenadas pelo Governo do Estado, por meio da Amazonastur, resultaram no melhor desempenho do turismo desde a pandemia, superando indicadores anteriores a 2020 e consolidando o estado entre os destaques do país.

Entre janeiro e outubro, o Amazonas recebeu 379.662 turistas, crescimento de 14,15% em relação a 2024. O fluxo internacional somou 74.231 visitantes, alta de 40,55%, enquanto o turismo doméstico chegou a 295.629 turistas, avanço de 8,25%. A receita direta parcial do setor no período é estimada em cerca de R$ 755 milhões, reforçando o turismo como vetor estratégico da economia estadual.

A conectividade aérea acompanhou esse crescimento. Entre janeiro e novembro de 2025, o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes movimentou 2,89 milhões de passageiros, alta de 9,85% em relação ao ano anterior, impulsionada pela ampliação da malha aérea, novos voos e melhorias na infraestrutura, como a revitalização do Aeroporto de Barcelos.

O ano também marcou avanços institucionais e estruturantes, com a aprovação da Lei e da Política Estadual de Turismo, a atualização do Mapa do Turismo Brasileiro, que homologou 11 regiões e 25 municípios, e o crescimento do Cadastur, que chegou a 3.068 prestadores regularizados. A promoção do destino foi intensificada em feiras nacionais e internacionais, press trips e famtours, além do fortalecimento da presença digital com a plataforma Amazonas To Go.

Eventos e segmentos estratégicos impulsionaram os resultados. O Festival Folclórico de Parintins movimentou cerca de 120 mil pessoas e gerou receita direta estimada em R$ 215 milhões, crescimento de 19,3% sobre 2024. A pesca esportiva e a temporada de cruzeiros também registraram expansão, ampliando o impacto econômico no interior do estado.

Para 2026, o Amazonas projeta ampliar a conectividade aérea com novas rotas nacionais e internacionais, fortalecer destinos emergentes e manter presença ativa em feiras, mesmo em um cenário eleitoral desafiador. A estratégia inclui apresentar propostas de desenvolvimento do turismo a candidatos e consolidar o setor como política de Estado.

“Os resultados de 2025 mostram que o turismo se consolidou como uma atividade estratégica para o desenvolvimento do Amazonas”, afirmou o presidente da Amazonastur, Marcel Alexandre. “Esse avanço se traduz em mais visitantes, mais receita e mais oportunidades para a população”, finalizou.

CENTRO-OESTE

Mato Grosso do Sul

Bruno Wendling, do Mato Grosso do Sul (Arquivo/M&E)

Em 2025, o Mato Grosso do Sul intensificou sua estratégia para fortalecer o turismo, combinando campanhas de promoção, qualificação da oferta e ações de governança que ampliaram a presença do estado no mercado nacional e internacional. Entre os principais avanços, destacam-se o lançamento do Guia de Afroturismo, o desenvolvimento de experiências de turismo e cultura indígena em aldeias de Nioaque e a expansão do programa Turismo Acessível em Bonito, Jardim e Bodoquena.

A agenda promocional também ganhou robustez com a participação em feiras estratégicas e a realização de eventos internacionais em Bonito, enquanto iniciativas de sustentabilidade, economia criativa e inovação avançaram por meio do Projeto Bonito Eco Criativo.

Os reflexos dessas ações já aparecem nos indicadores. Bonito e Dourados ganharam novas rotas diretas para Guarulhos, operadas por Airbus A320, e Campo Grande terá reforço de voos na alta temporada 2025/2026. Entre janeiro e outubro, os aeroportos de Campo Grande e Bonito registraram alta de 4% nos desembarques, somando 719.484 passageiros.

A rodoviária da capital superou meio milhão de desembarques, e a região de Bonito/Serra da Bodoquena voltou a crescer, com 727.819 vouchers emitidos no período. A hotelaria também manteve bom desempenho, com média de 52% de ocupação nas três principais cidades turísticas do estado.

Para 2026, o governo prevê um ciclo voltado à consolidação — não ao crescimento acelerado. O foco será ampliar o tempo de permanência do visitante e fortalecer mercados já trabalhados, especialmente o norte-americano, o europeu e os vizinhos da América do Sul, com atenção redobrada à Argentina.

A campanha internacional Pantanal Jam, lançada em Nova York, ganhará força em múltiplos canais, enquanto produtos como Afroturismo e Turismo de Base Comunitária devem ocupar mais espaço nas prateleiras de operadoras. Em ano eleitoral, o desafio será manter o ritmo das entregas, preparar a transição e registrar em documentos técnicos as diretrizes que devem orientar o próximo ciclo de gestão turística no estado.

“Mesmo com a minha não continuidade aqui, temos sempre que trabalhar para que haja uma continuidade nas políticas públicas. Por isso, vamos começar a escrever aquilo que a gente já fez de positivo e transformar em documentos que possam ser balizadores de estratégias para os próximos anos”, afirmou Bruno Wendling, diretor-presidente da Fundtur/MS.

SUDESTE

Rio de Janeiro

Secretário de Turismo, Gustavo Tutuca (Ana Azevedo/M&E)

O turismo do Rio de Janeiro viveu em 2025 um ano de consolidação de estratégias e ampliação de resultados. Ao longo do período, o estado investiu em uma agenda integrada de promoção internacional, fortalecimento do mercado doméstico e estímulo à interiorização da atividade.

A marca Rio de Janeiro foi levada a mais de 20 cidades no exterior, com ações em mercados como Argentina, Estados Unidos, Canadá, França, Itália, China e Emirados Árabes, incluindo capacitações, participação em feiras e grandes ativações.

No Brasil, iniciativas como #tônoRio, Experiência Rio de Janeiro e a expansão regional da ExpoRio Turismo reforçaram a conexão entre o trade fluminense e os principais mercados emissores, enquanto o apoio a eventos impulsionou a movimentação turística em todo o interior, com 265 eventos realizados em 81 municípios.

Os reflexos dessas ações já se traduzem em números históricos. Até outubro de 2025, o Rio de Janeiro recebeu 1,79 milhão de turistas internacionais, alta de 48% em relação ao mesmo período de 2024, superando em dez meses todo o fluxo do ano anterior. A estimativa oficial é encerrar 2025 com mais de 2 milhões de visitantes estrangeiros, a maior marca já registrada pelo estado.

O impacto econômico também é relevante: o turismo movimentou R$ 10,6 bilhões em gastos diretos e sustentou cerca de 200 mil postos de trabalho. No transporte aéreo, o Aeroporto Internacional do Galeão já alcançou, em dez meses, o total de passageiros de todo o ano passado e projeta fechar 2025 acima de 17 milhões, reforçando o protagonismo do Rio no cenário nacional.

Para 2026, a prioridade do estado será dar sustentação a esse crescimento e transformá-lo em legado permanente. A estratégia prevê manter a promoção em mercados internacionais consolidados, ampliar a integração de produtos e rotas regionais, fortalecer o Galeão como hub internacional e acompanhar a implementação do Tax Free para turistas estrangeiros.

Ao mesmo tempo, o governo aponta desafios como infraestrutura, segurança, qualificação da mão de obra, produção de dados mais precisos sobre o turismo doméstico e sustentabilidade ambiental, defendendo um planejamento de médio e longo prazo e a articulação entre poder público, iniciativa privada e municípios para garantir um desenvolvimento equilibrado do setor.

São Paulo

Secretário de Turismo e Viagens do Estado de SP Roberto de Lucena (Setur/SP/Eric Ribeiro)

São Paulo registrou em 2025 um volume estimado em R$ 340 bilhões em receita turística, o equivalente a quase 10% do PIB estadual, segundo o Centro de Inteligência da Economia do Turismo da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado. Os resultados somam-se ao avanço na infraestrutura, na conectividade aérea, na qualificação profissional e na diversificação de produtos turísticos, metas que o governo prevê ampliar em 2026.

Em entrevista, o secretário de Turismo e Viagens, Roberto de Lucena, afirmou que o ano consolidou uma agenda de políticas públicas voltada ao fomento do setor. Segundo ele, o programa CrediturSP já viabilizou mais de R$ 3 bilhões em financiamentos para empreendimentos turísticos em 76 municípios, desde o início da atual gestão. Além disso, cerca de R$ 800 milhões foram repassados aos municípios via Dadetur para obras de infraestrutura, que totalizaram 330 entregas em mais de 100 cidades.

O Estado também avançou no turismo náutico, com a implantação de 11 estruturas flutuantes desde 2022, seis delas entregues em 2025. No turismo ferroviário, São Paulo reativou trechos históricos, como o do Expresso da Mantiqueira, em Cruzeiro, no Vale do Paraíba, que liga o centro da cidade à estação Rufino e deverá futuramente conectar-se à divisa com Passa Quatro, em Minas Gerais.

Na promoção internacional, São Paulo ampliou a participação em feiras, roadshows e ações alinhadas ao Plano Internacional de Marketing Turístico 2025–2027, o Plano Brasis. Em 2025, o Estado manteve-se como principal porta de entrada de turistas internacionais no país, com 2,8 milhões de visitantes.

A aviação sustentou parte dos resultados. Segundo a Setur, São Paulo consolidou-se como o maior hub aéreo do Hemisfério Sul, com mais de 5 mil decolagens domésticas por semana e 61% dos voos internacionais do Brasil. A redução do ICMS sobre o QAV contribuiu para ampliar rotas e descentralizar o fluxo pelo interior paulista.

Também houve crescimento em rotas temáticas, como as Rotas do Vinho, Café, Queijo e Cachaça. No caso da Rota do Vinho, lançada em 2024, os empreendimentos participantes registraram aumento médio de 27% no fluxo de visitantes, com avaliação positiva superior a 70%.

Para 2026, a previsão é acelerar a consolidação do turismo como vetor de desenvolvimento regional. Entre as metas estão a implantação de 22 novas estruturas náuticas, o avanço de trechos ferroviários e a ampliação da formação profissional por meio da Academia do Turismo SP, que pretende ofertar até 100 mil vagas gratuitas até o fim do ano.

Segundo Lucena, a agenda também incluirá a expansão de novos produtos turísticos integrados, com foco em turismo rural, náutico e ferroviário, além de ações subaquáticas inovadoras no litoral e no interior paulista. A articulação entre capital, litoral e interior deverá orientar as ações promocionais.

Os desafios incluem a digitalização do setor, o uso de inteligência artificial, a adoção de práticas sustentáveis e a gestão dos impactos climáticos sobre os destinos. A estratégia, segundo o secretário, prioriza capacitação, qualificação de destinos e políticas públicas integradas para conciliar expansão econômica, preservação do território e inclusão social.

“2025 foi um ano a ser comemorado no turismo de São Paulo. O Estado foi vencedor em seis categorias na 4ª edição do Prêmio Nacional do Turismo. Avançamos com o turismo de forma consistente em diversas frentes, fortalecendo o setor como vetor de desenvolvimento econômico em nível global. Para 2026, nossos planos são continuar avançando alinhados à inovação, sustentabilidade e à preservação dos territórios”, afirmou Roberto de Lucena.

SUL

Paraná

Leonaldo Paranhos, secretário de Turismo do Paraná (Ana Azevedo/M&E)

Em 2025, o Paraná avançou em uma estratégia integrada que reuniu promoção turística, expansão da conectividade e fortalecimento regional. O Viaje Paraná intensificou ações de divulgação em feiras, convenções e capacitações dentro e fora do país, enquanto a malha aérea registrou crescimento de 10,7% em outubro, totalizando 916 mil passageiros nos aeroportos estaduais.

O ano também marcou a confirmação do voo Curitiba–Lisboa, da TAP, previsto para julho de 2026, e a formalização dos territórios turísticos dentro da política “18 Territórios, Um Só Destino”. Além disso, programas estruturantes impulsionaram o setor: o Paraná Mais Eventos apoiou 832 iniciativas em 314 municípios; o Paraná Mais Viagem garantiu turismo social para 6.416 pessoas; e o Paraná Mais Infra ampliou investimentos em sinalização, equipamentos e infraestrutura municipal.

Os resultados já aparecem em indicadores concretos: o estado abriu 6.775 vagas formais no turismo entre janeiro e outubro, alta de 18,5% ante 2024, e recebeu 888 mil turistas internacionais no período, crescimento de 20%.

O Verão Maior Paraná, por sua vez, consolidou-se como motor do turismo sazonal, somando impacto econômico de R$ 152,9 milhões, 2.335 empregos diretos e indiretos e quase 2 milhões de pessoas em suas últimas edições. A combinação desses fatores reforçou o posicionamento do Paraná como uma das principais portas de entrada do país e ampliou a competitividade do destino em mercados nacionais e internacionais.

Para 2026, o estado projeta ampliar a conectividade com a operação do voo direto para Lisboa e com o avanço das obras da terceira pista do Aeroporto Afonso Pena, que permitirá receber aeronaves de grande porte e viabilizar novas rotas internacionais.

A estratégia inclui consolidar os territórios turísticos, fortalecer roteiros temáticos, intensificar a presença do Viaje Paraná em feiras e roadshows, qualificar profissionais, melhorar a infraestrutura local e expandir o Verão Maior, que deve atrair mais de 2 milhões de visitantes e movimentar cerca de R$ 152 milhões. Entre os desafios estão logística aeroportuária, descentralização do turismo, padronização da oferta e gestão de grandes eventos.

“Os resultados que o Paraná alcançou em 2025 mostram que o turismo se consolidou como um dos motores do desenvolvimento do Estado”, afirmou o secretário de Turismo, Leonaldo Paranhos. “Esse avanço se traduz em números muito claros: mais empregos formais, mais visitantes estrangeiros, mais movimento nos aeroportos e mais oportunidades para quem vive do setor”, finalizou.

Rio Grande do Sul

Ronaldo Santini, secretário de Turismo do Rio Grande do Sul (Arquivo/M&E)

O Rio Grande do Sul viveu, em 2025, um ano de retomada e consolidação do turismo, com impactos já perceptíveis no fluxo de visitantes, na visibilidade dos destinos e na atividade econômica. O Estado investiu R$ 40 milhões em campanhas de inverno e verão, posicionando o RS como destino competitivo ao longo de todo o ano, além de marcar presença estratégica em feiras e eventos do setor.

As ações incluíram ainda iniciativas de qualificação do trade turístico, que alcançaram mais de 9 mil profissionais, ampliando a capacidade de promoção e comercialização dos destinos gaúchos Respostas – Mercado e Eventos.

No eixo de desenvolvimento, o governo estadual direcionou mais de R$ 200 milhões em crédito e ações de fomento, estimulando novos investimentos, a modernização da infraestrutura e o fortalecimento de produtos ligados à cultura, ao turismo rural, à gastronomia e às experiências regionais.

O apoio a eventos municipais e regionais também foi decisivo: os investimentos em patrocínios, festivais e ações geradoras de fluxo turístico ultrapassaram R$ 14 milhões, reforçando o calendário de festas tradicionais e eventos culturais em diferentes regiões do Estado Respostas – Mercado e Eventos.

Os resultados dessas iniciativas já se refletem nos indicadores do setor. O Rio Grande do Sul registrou o terceiro maior crescimento da atividade turística no Brasil no primeiro semestre de 2025 e recebeu 1,3 milhão de turistas estrangeiros entre janeiro e setembro, com destaque para os mercados do Mercosul.

Para a temporada de verão 2025/2026, a expectativa é de crescimento de 20,9% no fluxo de passageiros nos aeroportos gaúchos e aumento de 20,2% no turismo internacional, impulsionados pela ampliação da conectividade aérea, pelo fortalecimento do calendário de eventos e pela consolidação de novos produtos turísticos regionais

Santa Catarina

Catiane Seif, da secretaria de Turismo de Santa Catarina (Ana Azevedo/M&E)

Em 2025, Santa Catarina avançou na estratégia de internacionalização e no conceito de Turismo nas Quatro Estações, criado para reduzir a sazonalidade e qualificar a demanda. A Estação Inverno recebeu reforço de infraestrutura e segurança, elevando o gasto médio na Serra.

A Setur ampliou a promoção internacional em mercados prioritários da América do Sul e da Europa, com roadshows e presença em feiras como FIT Argentina, Chile e Peru. No campo da conectividade, o Estado conquistou novas rotas, como Florianópolis–Lima, e fortaleceu operações para Santiago, apoiado pelo trabalho conjunto com companhias aéreas e pelo Floripa Airport.

Também foram ampliadas parcerias com Sebrae/SC e Instâncias de Governança Regionais para qualificação de pequenos empreendedores e desenvolvimento de produtos como enoturismo, turismo de natureza e experiências culturais.

Os números de 2025 foram históricos. O Estado registrou aumento de cerca de 60% no turismo internacional entre janeiro e outubro, superando 617 mil visitantes estrangeiros e ultrapassando todo o volume de 2024 já em julho. Argentina, Chile e Uruguai seguem como principais emissores.

O gasto médio na Serra Catarinense alcançou recorde, passando de R$ 2.824 para R$ 3.550 por grupo. O Floripa Airport atingiu pela primeira vez a marca de 1 milhão de passageiros internacionais no ano, impulsionado pela ampliação da malha aérea e pela consolidação de novas rotas diretas.

Para 2026, o Governo catarinense pretende consolidar as novas rotas internacionais e avançar na conquista de novos hubs na América Latina e na Europa. Entre as prioridades estão atrair investimentos para qualificação da hotelaria e infraestrutura, manter as campanhas de Quatro Estações e ampliar integrações regionais e rotas domésticas, como Florianópolis–Porto Alegre e conexões com o Nordeste.

O Estado também quer fortalecer o calendário cultural e de eventos. Os desafios incluem acomodar um fluxo recorde de visitantes e manter a qualidade da experiência turística, o que deve ser enfrentado com expansão de investimentos e reforço da segurança pública.

*O M&E fez contato com todos os estados da federação, mas até o fechamento e publicação dessa reportagem, nem todos responderam.



Fonte

Redação

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