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como mercado pode reagir às incertas decisões de juro do Fed e Copom?

O dia em que o Federal Reserve (Fed) e o Banco Central do Brasil (BCB) decidem a trajetória dos juros lá nos Estados Unidos e aqui no Brasil, conhecida como Super Quarta, chegou, com o banco norte-americano decidindo primeiro, às 15h (horário de Brasília) e o segundo a partir das 18h30 (horário de Brasília).

Com a escalada das tensões no Oriente Médio e o impacto já visto sobre o petróleo, os combustíveis e a energia, as certezas sobre o rumo dos juros ficaram turvas. O mercado, que precificava amplamente uma queda nos juros de 0,5 ponto percentual para a taxa de juros brasileira, a Selic, a 14,5% ao ano, passou a descolar as projeções para 0,25 ponto (a 14,75%). Para março, analistas passaram a ver até mesmo a chance de manutenção da taxa a 15%.

Enquanto isso, os investidores também passaram a ver risco maior para o número de cortes previstos para a taxa de juros americana. A expectativa para a reunião já é de manutenção dos juros nos EUA na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, mas o mercado se debruça sobre os próximos passos de política monetária.

Viva do lucro de grandes empresas

Nas últimas semanas, o preço do petróleo Brent chegou a bater US$ 119 o barril. O impacto avassalador afetou os mercados mundiais, com forte volatilidade, levando a um grau de incerteza global maior, com efeito também para inflação – impactando assim a decisão de juros.

O que esperar para o Ibovespa?

Neste cenário incerto, analistas traçam cenários para o mercado brasileiro.

De acordo com Isabella Hass, analista de mercado internacional da W1 Capital, se houver corte e ele for seguido de “comunicado aberto”, sinalizando flexibilização monetária à frente, o Ibovespa pode ter algum alívio, em especial para as ações de varejo e para o setor imobiliário. “Mas se o BC soar conservador ou mantiver [os juros], podemos esperar pressão vendedora e dólar em alta”, explica.

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Por causa das tensões sobre o mercado, Hass acredita que qualquer surpresa poderá mover o Ibovespa de forma expressiva. Para Juliana Daitx, coordenadora de investimentos Unicred Porto Alegre, é importante reconhecer que períodos de maior incerteza também costumam abrir janelas interessantes para alocação em ativos de risco. Sobretudo, para quem tem horizonte mais longo e disciplina.

De acordo com a analista, o movimento esperado a partir de amanhã é de saída parcial de posições mais conservadoras. Essa dinâmica deve impactar, especialmente, aquelas atreladas ao pós-fixado, em direção a ativos que se beneficiam de um ambiente de juros mais baixos, como renda variável e crédito privado de maior duration.

“No entanto, o cenário atual exige uma leitura mais cuidadosa. O contexto externo segue desafiador e, no ambiente doméstico, o fator político ganha peso adicional por se tratar de um ano eleitoral”, explica. Daitx explica que esse conjunto de variáveis tende a elevar a volatilidade e limitar movimentos mais abruptos de migração de capital.

Em sua visão, a renda fixa ainda se mantém como protagonista nas carteiras, oferecendo uma relação risco-retorno competitiva. Com destaque para estratégias que combinam pós-fixados, prefixados curtos e títulos indexados à inflação. “Embora o início do ciclo de queda de juros sugira uma mudança de direção no médio prazo, o momento ainda pede seletividade, diversificação e uma dose adicional de prudência”, afirma.

Corte de Juros nos EUA

“Toda vez que mexe com o petróleo é um choque de oferta importante que tem a possibilidade de piorar muito o equilíbrio de crescimento e inflação”, explica Guilherme Abbud, CEO da Persevera.

Apesar do choque de oferta ter balançado os mercados, Abbud acredita que, desta vez, o efeito será temporário e não deve mudar completamente as previsões sobre os cortes de juros. “Talvez demore um pouco mais, mas os Estados Unidos já estão muito mais próximos de uma baixa de juros”, a´ponta.

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Conforme o especialista, o Fed não deve mudar a decisão, mas talvez tome uma posição mais cautelosa, por causa do ruído ainda ecoado dos conflitos. Para Thiago Pedroso, sócio da Criteria Investimentos, existe uma possibilidade de não haver mais corte de juros nos EUA este ano.

“A decisão em si tá dada. O mercado antes da guerra estava projetando que o próximo corte de juros ia vir em junho e, mesmo assim, já estava sendo postergado”, afirma. Para Pedroso, a única forma disso mudar é se, eventualmente, a guerra acabar mais rápido e o cenário melhorar mais no curto prazo.

O ciclo de queda nos juros no Brasil vai acontecer?

Para os analistas, o Brasil tem um cenário parecido, mas com um contexto de juros real bem distante. Antes do conflito, era aguardado um corte de juros na faixa dos 0,25 ou 0,50 ponto percentual.

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Para Thiago Pedroso, a combinação de juros altos e inflação controlada, dá ao Brasil espaço para o tão aguardado início da queda. De acordo com o economista, o corte que vem sendo discutido entre analistas muda pouco o cenário brasileiro, justificando ainda mais a decisão pelo corte.

“A grande questão é que esse time atual do Banco Central vem com um discurso de que querem ter uma queda de juros mais estrutural, mais longa. Por conta disso, eles vêm postergando esse primeiro corte de juros”, explica. Para seguir as expectativas do mercado, Pedroso acredita que o Banco Central deve cortar a Selic em 0,25 ponto, ainda seguindo a linha conservadora.

Guilherme Abbud reforça o ponto. Para o especialista, o Banco Central não deveria deixar de cortar meio ponto porque o preço do petróleo subiu. “A nossa taxa [de juros] está excessivamente alta, tem uma gordura enorme aí que dá para ele cortar vários de meio e não titubear”, afirma.

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Esse comportamento do BC, de acordo com Abbud, ainda é um reflexo das cicatrizes do passado de hiperinflação. “[O BC] leva a taxa de juros para um patamar muito mais alto do que os outros países e ele deixa por lá por muito mais tempo do que os outros. Ou seja, ele permite que a taxa real de juros continue subindo mesmo depois da inflação caindo”, explica.



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Redação

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