| Os animais, particularmente ces e burricos (gatos nem tanto), conseguem se lembrar de seus donos aps anos de separao por meio de uma combinao de fatores, como memria associativa, sentidos altamente desenvolvidos (especialmente o olfato) e laos emocionais profundos. Ao contrrio dos humanos, que se baseiam em uma sequncia linear e episdica de eventos para se lembrarem, os animais frequentemente organizam suas memrias com base em pistas sensoriais, como cheiro, voz, viso e significado emocional. |
O olfato de um co de 10.000 a 100.000 vezes mais sensvel que o de um humano. Eles conseguem armazenar seu cheiro especfico em sua memria de longo prazo.
Os jumentos podem detectar cheiros a distncias impressionantes, com estudos indicando que conseguem sentir odores a at 10 quilmetros de distncia.
Quando um animal de estimao reencontra um humano, o cheiro familiar pode desencadear um reconhecimento imediato, mesmo que a aparncia da pessoa tenha mudado ligeiramente.
Os animais de estimao reconhecem tons vocais e gestos fsicos nicos. Pesquisas mostram que os ces conseguem distinguir rostos e vozes familiares de estranhos, e at mesmo possuem uma regio cerebral especializada para processar rostos humanos.
Pesquisas indicam que os animais (incluindo gatos e cachorros) usam uma memria “episdica” para se lembrarem de eventos especficos, por exemplo, “meu humano me deu comida/carinho” + “nesta casa” + “quando ele estava aqui“)
Se um ser humano ofereceu cuidado, alimento e afeto, essa pessoa associada segurana e ao prazer. Essa conexo emocional mais forte do que a passagem do tempo. A memria armazenada no como uma data especfica, mas como uma associao positiva profundamente enraizada.
O intenso vnculo emocional entre animais de estimao e seus donos cria memrias duradouras que podem perdurar por anos.
Histrias e estudos de ces, gatos, burricos e at mesmo animais selvagens resgatados, como raposas, lees em at mesmo hienas, mostram que eles frequentemente demonstram reconhecimento instantneo e imensa alegria, geralmente fazendo xixi, ao se reencontrarem, sinalizando que o vnculo nunca esquecido.
Minha me tinha um burrico chamado Reginaldo, que ainda era um potrinho quando nasci. Minha juventude toda foi ao seu lado e de alguns ces.
Depois quem fui viver minha prpria vida em Curitiba, toda vez que voltava para casa, no importava o tempo de ausncia, bastava eu chegar ao stio, sem cham-lo em ele aparecia correndo em zurrando de alegria.
Uma separao traumtica ou um relacionamento muito prximo e afetuoso podem criar uma memria mais forte e duradoura ainda. Embora muitos animais se lembrem, espcies altamente sociais (como ces, golfinhos e elefantes) possuem memria social avanada para manter relacionamentos por longos perodos.
Em suma, quando seu animal de estimao o v novamente depois de anos, no que ele tenha calculado o tempo em que voc esteve ausente; ele reconheceu seu cheiro, sua voz e seu comportamento como pertencentes ao seu “grupo de segurana” e reagiu memria emocional positiva associada a voc.
Um dos maiores exemplos desta conexo, aconteceu com Christian, um filhote de leo encontrado em 1969 por dois australianos que moravam em Londres, John Rendall e Anthony ‘Ace’ Bourke na loja de departamentos Harrods.
Eles o encontraram, a venda, no departamento de animais exticos e, comovidos com suas condies e futuro, decidiram compr-lo.
John e Anthony cuidaram do leo at que ele tivesse um ano de idade, mas o tamanho cada vez maior de Christian e o custo para mant-lo fizeram com que eles percebessem que no poderiam mant-lo em Londres por muito tempo e pediram ajuda George Adamson, um conservacionista queniano que concordou em ajud-los na adaptao de Christian para a vida selvagem na Reserva Nacional de Kora, em 1969.
Quando John e Anthony foram informados por Adamson do exitoso resultado em 1971, quando o leo foi reintroduzido na natureza, eles viajaram para o Qunia para visitar Christian. A visita foi filmada e transformou-se no famoso documentrio “Christian, o Leo do Fim do Mundo“.
Adamson ainda alertou os australianos para a possibilidade de Christian no recordar-se deles, mas o filme mostra um leo, inicialmente cauteloso, correndo ao encontro dos dois homens, envolvendo os braos em torno dos seus ombros e lambendo seus rostos. O documentrio tambm mostra as fmeas Mona e Lisa, e um filhote chamado Supercub saudando os dois homens, devido influncia de Christian.
A explicao cientfica de como animais como o leo Christian se lembram de humanos aps anos de separao envolve diversos mecanismos biolgicos e evolutivos, centrados principalmente na memria social de longo prazo.
Fatores-chave incluem a memria olfativa, onde o odor um identificador qumico armazenado no bulbo olfatrio do crebro, ligado a centros emocionais; o reconhecimento biomtrico por meio de neurnios especializados para distinguir rostos e vozes; e a neurobiologia do vnculo, onde a ocitocina, o hormnio do amor, fortalece as memrias emocionais.
A estrutura social dos lees tambm desempenha um papel, j que distinguir membros do grupo de estranhos vital para a sobrevivncia, tratando humanos familiares como parte de seu grupo original.
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