Gaza está rapidamente ficando sem o seu já limitado suprimento de combustível e os estoques de alimentos básicos podem ficar escassos, disseram autoridades, após Israel bloquear a entrada de combustível e mercadorias no território devastado pela guerra em meio à guerra com o Irã.
As Forças Armadas de Israel fecharam todas as passagens de fronteira de Gaza no sábado, após anunciarem ataques aéreos contra o Irã realizados em conjunto com os Estados Unidos.
Autoridades israelenses afirmaram na noite desta segunda-feira que devem reabrir na terça-feira a passagem de Kerem Shalom, de Israel para Gaza, para a ‘entrada gradual de ajuda humanitária’ no enclave, sem especificar quanto.
Anteriormente, autoridades israelenses haviam dito que as passagens não poderiam ser operadas com segurança durante a guerra.
Gaza depende totalmente do combustível transportado por caminhões de Israel e do Egito, e a falta de novos suprimentos pode colocar em risco as operações hospitalares e ameaçar os serviços de água e saneamento, alertaram autoridades locais. A maioria dos palestinos em Gaza é de deslocados internos após a guerra de dois anos entre Israel e militantes do Hamas.
‘Espero que tenhamos talvez alguns dias de funcionamento’, disse Karuna Herrmann, diretora em Jerusalém do Escritório das Nações Unidas para Serviços de Projetos, que gerencia a distribuição de combustível em Gaza.
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Amjad Al-Shawa, líder palestino de ajuda humanitária em Gaza, que trabalha com a ONU e ONGs, estimou que os suprimentos de combustível podem durar três ou quatro dias, enquanto os estoques de vegetais, farinha e outros itens essenciais também podem se esgotar em breve caso as passagens continuem fechadas.
A Reuters não conseguiu verificar as estimativas de forma independente.
A agência militar israelense Cogat, que controla o acesso a Gaza, disse que foram entregues alimentos suficientes ao território desde o início da trégua em outubro para abastecer a população.
‘Espera-se que os estoques existentes sejam suficientes por um longo período’, disse a COGAT, sem dar detalhes. A agência se recusou a comentar uma possível escassez de combustível.
A trégua fazia parte de um plano mais amplo apoiado pelos EUA para encerrar a guerra, que envolve a reabertura da passagem fronteiriça de Rafah com o Egito, aumentando o fluxo de ajuda para o enclave.
Hamada Abu Laila, palestino deslocado em Gaza, disse que os fechamentos alimentam o medo de um retorno da fome, que assolou partes do enclave no ano passado depois do bloqueio de Israel às entregas de ajuda humanitária por 11 semanas.
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‘Por que é nossa culpa, em Gaza, de guerras regionais entre Israel, Irã e EUA? Não é nossa culpa’, disse Abu Laila.

